Arquivo de setembro, 2006

In the midnight hour

Publicado: 29/09/2006 em Uncategorized
Everyday we have the blues

Indescritível a emoção da recepção calorosa em plena quinta à noite, galera! Prometo atender aos pedidos e, sim, jazz e blues terão um cantinho especial eternamente reservado nesse pedaço virtual!

Falando em blues, mais um capítulo da novela B.B.King no Brasil. Alguém ficou sabendo que a Via Funchal, de fato, abriu mais um dia pro velhinho dizer “good bye, fellows” pra gente? Sim, o mestre tocará por lá também no domingo, dia 03/12. Alguém ficou sabendo também que os ingressos estão se esgotando rapidamente? Por menos de duzentão, já não há mais chance.

E como a gente também já havia falado, os jornalistas de músicas realmente viraram vedete do momento. Agora é vez do Zeca Camargo ressuscitar seu lado “um dia eu trabalhei na MTV” e lançar o livro “De A-ha a U2 – Os Bastidores das Entrevistas do Mundo da Música”. As pérolas das entrevistas zequianas serão lançadas na próxima quarta, dia 04, em São Paulo. Mas, sinceramente? Quer começar com esse tipo de literatura, começa direito: pega logo o livro do reverendo Fábio Massari, “Emissões Noturnas – Cadernos radiofônicos de fm”.

A obra (sim, é uma obra) contém trechos nunca dantes publicados das entrevistas que Massari fazia na 89, numa galáxia muito, muito distante, quando a rádio tentava ser rock de verdade. São raridades que o programa de Massari, o Rock Report (que durou de 91 a 96, bons tempos), não teve espaço para colocar ao ar, como trechos de papos com Nick Cave, Kim Gordon e alguns Ramones. E o livro é de 2003, ou seja, bem antes dessa onda oportunista.

Pra finalizar, inauguro a seção “rock art” para os nossos leitores. Sim, há espaço pra desenhar, rabiscar e pintar… é só mandar a sua loucura iconográfica, em arquivo não muuuuito grande (senão o Blogger trava), pro nosso e-mail: enemyblog@yahoo.com.br. Pronto, aí, já tem diversão pro fim de semana – se você não for um dos sortudos a contemplar o jazz do baixista Dave Holland (“fellow” do Miles Davis) no Ibirapuera.

Anúncios

NXZero: o X da questão vai muito além deles
OK, caro leitor desse blog (aliás, tem alguém aí? – aí? – aí?… – aí?….): provavelmente eu o perdoarei por não acessar o site hoje à noite, afinal, há tanta coisa legal pra se ver na TV que eu decidi não fugir do assunto. Mas com um pouco de recheio, que nem só de televisão vive o nosso mundo cão.

Caso você passe o controle pela MTV, sem querer, vai ver no VMB o novo nome do “roque”: NXZero. A nova banda dos últimos tempos da última semana sobe ao palco ao lado do CPM 22 e, em muitos aspectos, simboliza o marco zero de um novo momento da indústria fonográfica brasileira. Um momento que começou com o CPM e agora se consolida com seus sucessores (mais no sentido de suceder o sucesso do que qualquer outra coisa). Mas antes de mais nada, pra quem se interessar sobre a banda em si, lê aí a matéria do soulbrother Thiago Roque, do Bom Dia Bauru, sobre os caras:
www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=86&mat=44163

O NX, assim como seus colegas de palco (e o Hateen, que já teve integrantes em comum com o CPM), são contratados da Arsenal Music, o selo do “Midas” Rick Bonadio que, com seu faro, abocanhou boa parte das bandas dessa geração roque anos 00 e os fez berrar nas rádios dos quatro cantos do país. E hoje, oficialmente, a Universal Music, gravadora que detém o maior mercado fonográfico do mundo, abocanhou a Arsenal. Dá pra imaginar o que vai ser?

Enquanto um dos prêmios mais aguardados da noite é o de vídeo independente, que cresceu muito graças à internet, pois permite que as pessoas de fato conheçam aqueles ilustres sem-gravadora (e as bandas indicadas já são bem respeitadas no cenário brasileiro, como Vanguart e Walverdes), a indústria fonográfica se mexe bonito pra tentar garantir o seu.

A Universal já causou furor ao anunciar um projeto de disponibilizar seu acervo para download. Mas agora, com o time turbinado, será que os grandes fabricantes de CDs vão querer matar a bolachinha de vez?

PS – Se você queria saber sobre o debate político que também rola na TV hoje, bem, acho que leu o blog errado, né não?

An unforgettable criminal

Publicado: 27/09/2006 em Uncategorized


Uma das eternas músicas nas minhas eternas listinhas é “Criminal”, de Fiona Apple. Para quem não conhece, vale a dica. Aliás, Fiona Apple dificilmente não vale a dica. Mas, enfim, sabe quem decidiu regravar a musiquinha? Natalie Cole. A musa lança um álbum com os compositores que serviram de inspiração para sua carreira de 19 álbuns (20 com esse, intitulado “Leavin”). Estão ainda no pacote: Neil Young, de quem ela emprestou “Old Man” e, é óbvio, Nossa Senhora de Aretha Franklin, homenageada por Cole com uma versão de “Day Dreaming”. Essa canção será o primeiro single do CD.



Freak & Shows
* Pra quem vive fuçando coisas no You Tube, procura lá o clipe da nova música do Moby em parceria com Debbie Harry (Blondie), chamada “New York, New York”. Segundo a EMI, o clipe é uma versão alternativa para o oficial, que sai no dia 23 de outubro, mesmo dia de lançamento do single. A música é uma inédita enfiada no greatest hits do rapaz, que será lançado no dia 06 de novembro.
Atenção: o vídeo não é recomendado para quem tem fobia de chihuahuas.

* Tava com saudade das maluquices do Sting? Ele volta no próximo mês, com regravações de John Downland, um luthier e compositor dos séculos XV/XVI, no álbum “Songs from the Ladyrinth”. Sobre a obra de Downland, Sting comentou: “são canções pop escritas por volta de 1600”. Ok.

* Furo do blog do Lúcio Ribeiro, óbvio: Foo Fighters abrirá o show do The Who no Brasil em 2007. Alguém duvida que será mais um mal-entendido de platéias como foi o Franz abrir para o U2 esse ano? Alguém duvida que são dois shows que poderiam muito bem render duas belíssimas noites? Mas alguém também duvida que poderemos todos nos surpreender com o resultado dessa bagunça?

Jason? Freddie Krueger? Eddie deixou todos pra trás!

O novo álbum da Donzela de Ferro é, sim, uma questão de vida ou morte de uma das maiores bandas que o rock já produziu. O Iron prova, mais uma vez, que está vivo e não sai dos trilhos, o que já é muito para um ícone. E que, pelo visto, não deixa seu estilo morrer tão cedo.

Todos nós um dia já nos perguntamos como seria o Sabbath completo novamente; o Led na ativa, se o Bonham não tivesse engasgado no próprio vômito; os Beatles, se Paul não tivesse morrido (brincadeirinha). Mas ninguém precisa se perguntar como seria o Iron se o Bruce voltasse. Ele está aí, na sua frente, lançando álbum novo e fazendo o heavy metal feijão-com-arroz que alimenta e diverte.

A guerra que estampa a capa parece influência da vida real para deixar o som dos garotos um pouco mais soturno, mas nem por isso pior. O trio Bruce, Harris e Smith compõe os melhores exemplares dessa safra, como “These Colours Don’t Run” e “Brighter Than a Thousand Suns”. Mas pra quem, como eu, ouve Iron na tentativa de expurgar o inferno, vale mesmo se jogar no que essa galera faz de melhor: hinos como “Different Worlds” e “The Pilgrim”, candidata a “crássica”.

É claro que não dá pra escapar da sensação “deja vu” – ao ouvir “Out of the Shadows, você vai ter certeza de que já escutou isso antes (ela poderia se chamar “Wasting of the Dragon”). Mas dá um desconto pros vovôs, que eles ainda dão um belo caldo.

E falando em terceira idade, agora é esperar por “Endless Wire”, aventura geriátrica do The Who… naquele esquema que só Pete Townshend pode fazer por você.

FALHA DELES
Por problemas técnicos do Blogger, não foi possível postar ontem.

Trovões de letras

Publicado: 25/09/2006 em Uncategorized


Já está nas prateleiras das livrarias o terceiro livro da coleção Iê-iê-iê, da editora Conrad. Como vocês sabem, o rock está na moda e, com isso, quem veio pra moda também foram os críticos de rock. Em parte por culpa do filme “Quase Famosos”, em parte porque acho que, desde os anos 80, nunca se consumiu tanta coisa relacionada à música.

Voltando ao assunto, essa coleção traz textos de grandes críticos musicais. O primeiro volume foi “Reações Psicóticas”, com Lester Bangs (será outra coincidência com o filme de Cameron Crowe?), o segundo chama-se “A Última Transmissão”, com Greil Marcus e o terceiro é “Criaturas Flamejantes”, de Nick Tosches. Com passagens obrigatórias por Rolling Stone, Creem e outras publicações de prestígio, Toches conta a nós, leitores famintos, o início afogueado do rock and roll.

Estou atrasada com a leitura; até agora, só devorei o primeiro. Mas algo me diz que Tosches não deve ser mais bonzinho com Elvis e Jerry Lee Lewis (de quem, aliás, escreveu uma biografia) do que Bangs foi com Lou Reed. A questão é sempre a mesma: derrubar o mito, destruí-lo. Da mesma forma que Zeus destronou Cronos, trancafiando o pai no centro da terra com os outros Titãs (trocadilho infame), acho que o jornalista de música acredita que a obra do artista-mito transcende o tempo e, por isso, pode bombardear o ser humano responsável por ela com uma chuva de raios e trovões.

O grande prazer do crítico é tirar o cara do palco, esmiuçar a mente insana do bicho e tentar entender por que tudo foi como foi. O texto transcende a tentativa de enxergar por trás dos fatos; a idéia é ir além. E nessa, misturam-se impressões, expressões e a loucura de retratar o que foi aquela época, ou seja, aprisionar o Cronos em um texto.

Literatura divertida, os textos selecionados pela coleção da Conrad pontuam momentos importantes da história do rock. Se não servem de referência incontestável, valem pelo exercício da reflexão, tanto da música como da própria crítica. Até mesmo porque, quando foram lançados pela primeira vez, a maioria das pessoas não tinha acesso a esse tipo de coisa. São como vinis antigos, dos quais já se ouviu falar e que, agora, podemos ouvir, com todo o charme do chiado que os acompanha.

Bad digitation, babe – Errata do último post: o nome da igreja é Saint Eustache, e não Saunt, como era de se imaginar. E vocês, hein, nem pra mandar um “parabéns” ao mutante?????

Nem ele escapou…

Publicado: 22/09/2006 em Uncategorized


Às 18 horas, na Eglise de Saunt Eustache (Les Halles, Paris – França), Sérgio Dias finalmente pára de enrolar Lourdes, depois de 10 anos, e se casa. Juro que eu tentei postar o convite, mas não consegui…

Nana, neném, que o Kurt vem pegar…

É mês de aniversário de 15 anos de “Nevermind”, indiscutivelmente um marco para roqueiros, patricinhas que seguem modas, vendedores de camisa de flanela e para a volta da moda do All Star no Brasil. Brincadeiras à parte, não dá pra passar sem ele. Ouso dizer que, sem Nirvana, não haveria anos 90 e, provavelmente, os anos 2000 não estariam preparados para catalisar a explosão do rock e da música que vivemos hoje (mesmo que o boom atual seja bastante inspirado nos anos 80). Esse blog, por exemplo, provavelmente não existiria.
E antes que os jornais de domingo entupam os olhos, ouvidos e mentes de todo mundo com o assunto, vamos a algumas notinhas de poucos acordes e muita emoção:
* Comprar material do Nirvana ao vivo costuma ser uma roubada, e olha que tenho experiência no assunto: sou da época em que um CD pirata custava geralmente mais caro que o normal e era disputado a tapas – isso quando não vinha em forma das saudosas “fitinhas”. E adquiri muita tranqueira desse tipo de Kurt & Cia nos anos 90. Mas o vídeo “Live! Tonight! Sould Out!”, que sai agora em DVD, talvez valha pelo registro visual da
catarse que Cobain era capaz de comandar mesmo vivendo em um mundo pararelo. Quem conseguir desgrudar os olhos da maestria com que ele destrói equipamentos ou foge dos olhares da platéia ganha um bolinho.

* Pra compensar a barulheira, você pode comprar também o álbum “Rockabye Baby! – Lullaby Renditions of Nirvana”, para seu filhote recém-nascido. Sim, é um álbum de canções de ninar feito com as bizarrices musicais criadas da mente insana de Kurt. O selo Baby Rock Records é famoso pela empreitada de transformar músicas de rock de bandas como Metallica em “lullabies” e agora é a vez do Nirvana. O CD tem lançamento previsto para 31 de outubro (olha que fofo, Dia das Bruxas!). O melhor é a descrição do produto: “de muitas formas, esse álbum ecoa os prazeres simples da inocência da infância. Trá-lá-lás infantis temperam as distorções das canções do Nirvana”. Então tá, né…