Trovões de letras

Publicado: 25/09/2006 em Uncategorized


Já está nas prateleiras das livrarias o terceiro livro da coleção Iê-iê-iê, da editora Conrad. Como vocês sabem, o rock está na moda e, com isso, quem veio pra moda também foram os críticos de rock. Em parte por culpa do filme “Quase Famosos”, em parte porque acho que, desde os anos 80, nunca se consumiu tanta coisa relacionada à música.

Voltando ao assunto, essa coleção traz textos de grandes críticos musicais. O primeiro volume foi “Reações Psicóticas”, com Lester Bangs (será outra coincidência com o filme de Cameron Crowe?), o segundo chama-se “A Última Transmissão”, com Greil Marcus e o terceiro é “Criaturas Flamejantes”, de Nick Tosches. Com passagens obrigatórias por Rolling Stone, Creem e outras publicações de prestígio, Toches conta a nós, leitores famintos, o início afogueado do rock and roll.

Estou atrasada com a leitura; até agora, só devorei o primeiro. Mas algo me diz que Tosches não deve ser mais bonzinho com Elvis e Jerry Lee Lewis (de quem, aliás, escreveu uma biografia) do que Bangs foi com Lou Reed. A questão é sempre a mesma: derrubar o mito, destruí-lo. Da mesma forma que Zeus destronou Cronos, trancafiando o pai no centro da terra com os outros Titãs (trocadilho infame), acho que o jornalista de música acredita que a obra do artista-mito transcende o tempo e, por isso, pode bombardear o ser humano responsável por ela com uma chuva de raios e trovões.

O grande prazer do crítico é tirar o cara do palco, esmiuçar a mente insana do bicho e tentar entender por que tudo foi como foi. O texto transcende a tentativa de enxergar por trás dos fatos; a idéia é ir além. E nessa, misturam-se impressões, expressões e a loucura de retratar o que foi aquela época, ou seja, aprisionar o Cronos em um texto.

Literatura divertida, os textos selecionados pela coleção da Conrad pontuam momentos importantes da história do rock. Se não servem de referência incontestável, valem pelo exercício da reflexão, tanto da música como da própria crítica. Até mesmo porque, quando foram lançados pela primeira vez, a maioria das pessoas não tinha acesso a esse tipo de coisa. São como vinis antigos, dos quais já se ouviu falar e que, agora, podemos ouvir, com todo o charme do chiado que os acompanha.

Bad digitation, babe – Errata do último post: o nome da igreja é Saint Eustache, e não Saunt, como era de se imaginar. E vocês, hein, nem pra mandar um “parabéns” ao mutante?????

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comentários
  1. Tat disse:

    Ahhhhhh, é que eu não conhecia o figura. ihihihBelissimo post. Tá inspirada, hein, nega?Carai!

  2. Giul Martins disse:

    Hey eu contribui de uma certa maneira pra realização deste post… vc adquiriu os outros títulos da série? se sim, pode me emprestar hein…rs.

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