Arquivo de outubro, 2006

O quente de novembro

Publicado: 30/10/2006 em Uncategorized

Banda Vartroy, uma das possíveis capas da comemoração de 30 anos da revista Q

A revista inglesa Q comemora 20 anos em novembro, sem o fôlego que a publicação tinha nos anos 90, é verdade. A chegada do semanário New Musical Express em 96 detonou um pouco o glamour da menina e boa parte dos furos de reportagem, como bandas novas e lançamentos. Mas a comemoração promete ser sensacional: a revista fez 20 entrevistas e fotos exclusivas com artistas de peso, e você pode escolher entre 20 capas diferentes (uma com cada um, óbvio).
Olha a lista:
Paul McCartney, David Bowie, Madonna, Noel Gallagher, Pete Townshend, Paul Weller, Damon Albarn, Britney Spears, Dave Grohl, Dido, David Gilmour, Ian Brown, Keith Richards, Michael Stipe, Jimmy Page, Johnny Borrell, Kate Bush, Beyonce, Richard Ashcroft e U2.

Desse lado do Atlântico, no mundo independente, que costuma ser cruel com bandas de heavy metal, quem lança CD é a Vartroy, filha caçula do legado de Bruce Dickinson. A banda auto-suficiente do interior de SP debuta seu segundo álbum, “The Journey´s End” também em novembro. O primeiro CD, “Came to Stay”, ganhou resenhas nos mais remotos locais da terra onde se possa imaginar que alguém ouça metal, como África do Sul (além de um grande número de boas críticas nos países clássicos da Europa) e até América Latina. Arriba, muchachos!

Tudo bem, vai, pra quem não é ligado nas superbandas do eletrônico, rap-rock ou qualquer outra subcategoria do mundo pop, o Tim Festival talvez nem faça tanta falta na sua coleção de memórias musicais. Algumas atrações, no entanto, talvez valessem tanto a pena que tiveram seus ingressos esgotados a poucos dias do início das vendas. E é da ala do “jaiz”, mais especificamente do tio Herbie Hancock, que eu tou falando.

Por isso, esse ilustre blog decidiu listar cinco motivos pelos quais você deve, sim, descabelar-se por perder o show do homem, que rola hoje em Sampa, amanhã no Espírito Santo (com Yamandu Costa – chora mais um pouquinho) e domingo no Rio de Janeiro. A convocada para me ajudar nessa penosa tarefa foi a baterista Tat Stoco, da extinta banda Jazz Praise, de Ribeirão Preto, SP (só quem ouviu sabe o furacão que esse povo fez, mas isso é história pra outro post). Respira fundo:

1. Ele compôs a música mais tocada nas canjas de todo o mundo: “Cantaloup Island”. Ah, você não conhece? Conhece, no mínimo, a versão radiofônica feita pelo grupo de acid jazz US3, nos anos 90. “Googla” aí e você vai descobrir.

2. Parceirasso de Miles Davis, Hancock tem seu lugar especial no panteão sagrado. É a oportunidade de ver uma lenda viva que criou muita coisa que inspirou o seu artista preferido (se ele for um cara decente, óbvio)

3. Ao mesmo tempo em que criou clássicos, Hancock passeia por todos os campos do gênero e se dá a liberdade de fazer parcerias com o mundo pop, como em seu mais recente trabalho, que tem o perfeito nome de “Possibilities”, com gente como Christina Aguillera e Damien Rice na bagunça. E, mesmo nessas pirações, você pode ter certeza de que vai aprender algo bacana.

4. O que seria dos Beatles (eles de novo!) sem George Martin, o produtor capaz de viabilizar tecnicamente as loucuras do Fab Four? Não sabemos. Chick Corea, um dos dragões do piano, também não saberia o que fazer se Herbie Hancock não tivesse dado apresentado um negócio chamado Fender Rhodes, dando um empurrãozinho no uso do piano elétrico. Chick descobriu que era um brinquedinho bacana e apadrinhou o bicho, para a sorte do instrumento e de todos nós.

5. E como não poderia deixar de ser, um motivo particularmente especial: Hancock faz parcerias com a baterista Terry Carrington. Quem é Carrington? Nas palavras da Tat (das quais essa blogueria não discorda), “a mulher mais foda do jazz mundial”.

Cirque du Beatles

Publicado: 26/10/2006 em Uncategorized


Parece piada, mas não é: o so-called novo álbum dos Beatles estará à venda em novembro. Primeiro, era apenas a composição da trilha sonora para um espetáculo do Cirque du Soleil em homenagem ao quarteto, batizado de “Love”. O produtor George Martin e seu filho Giles resgastaram umas masters do Abbey Road, o Ringo e o Paul desceram a mão em cima do material, e nossa Yoko, acompanhada de Olívia Harrison, tiraram suas lasquinhas.

E aí pensaram: por que não vender?

Olha o que diz o release:
George e Giles criaram uma sonoridade única que resultou em uma nova visão da música dos Beatles: novas mixagens e misturas de trechos de várias músicas com áudio em qualidade digital 5.1.

Supimpa, não? Não?

O track list:
1. Because
2. Get Back
3. Glass Onion
4. Eleanor Rigby – Julia (Transition)
5. I Am The Walrus
6. I Want To Hold Your Hand
7. Drive My Car/The Word/What You’re Doing
8. Gnik Nus
9. Something – Blue Jay Way (Transition)
10. Being For The Benefit of Mr. Kite!/I Want You (She’s So Heavy)/Helter Skelter
11. Help!
12. Blackbird/Yesterday
13. Strawberry Fields Forever
14. Within You Without You/Tomorrow Never Knows
15. Lucy in the Sky With Diamonds
16. Octopus’s Garden
17. Lady Madonna
18. Here Comes The Sun – The Inner Light (Transition)
19. Come Together/Dear Prudence – Cry Baby Cry (Transition)
20. Revolution
21. Back In The U.S.S.R.
22. While My Guitar Gently Weeps
23. A Day In The Life
24. Hey Jude
25. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)
26. All You Need Is Love

Quem vem de álbum novo, de verdade, é a musa Norah Jones. Mas é só em janeiro de 2007. Chama-se “Not Too Late” e o primeiro single, “Thinking About You”, sai do forno também no mês que vem.

Discutindo a relação
O Blogger subiu no telhado ontem e eu passei a noite convencendo o menino a descer. Desculpem a ausência.

Dois pesos, duas medidas

Publicado: 24/10/2006 em Uncategorized

Cante com o Matanza: “Ela roubou meu caminhão…” (Foto: Daryan Dornelles/ Divulgação)

Está na ressaca do terceiro álbum do Matanza? Mantenha-se bêbado com o quarto CD do grupo de country-escracha-core carioca, que acaba de sair do forno e tem o simpático nome de “A Arte do Insulto”. Bebidas, mulheres, porrada e diversão para vikings e roqueiros. Os shows oficiais de lançamento do álbum rolam quinta no Rio de Janeiro, no Teatro Odisséia, e sexta e sábado em Sampa, na Outs.

O Pixies, enfim, vai gravar um novo álbum? É o que diz o New Musical Express, referência britânica de informação sonora. Frank Black & Cia estão tentando convencer Kim Deal a sair de casa e voltar a ensaiar em janeiro para gravar musiquinhas. O álbum parece ser uma espécie de pretexto do Pixies, segundo Black, pra sair em nova turnê sem parecer banda revival. Alguém explica pra eles que não precisa de pretexto?

A terceira via do Mombojó

Publicado: 24/10/2006 em Uncategorized


O Mombojó (Foto: Divulgação) é uma das bandas mais espertas da atualidade. Não é (só) pela mistura de sons nem pelo reconhecimento da crítica especializada. Os caras sabem aproveitar as múltiplas oportunidades da independência. Exemplos: gravaram seu segundo álbum pela Trama, mas reivindicaram o direito de divulgar a seu modo (leia-se colocar na net free) as novas músicas da banda. Isso tudo você confere na matéria do nosso querido jornal Bom Dia, com matéria do nosso querido Thiago Roque:
www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=86&mat=48531

E, enquanto divulgam esse tal álbum (nome: “Homem Espuma”, anota aí, iiiiisso), ainda lançam um DVD por uma terceira via: o vídeo foi viabilizado pelo projeto Toca Brasil – Itaú Cultural, e está no mercado pelas mãos da Distribuidora Independente.

Portanto, se você tem uma banda e fica aí choramingando porque não é a nova Kelly Key, se liga, vai. Bota a mão na enxada e vai batalhar pelo que é seu!!!!!!!

How does it feel?

Publicado: 20/10/2006 em Uncategorized


Tem dias, como hoje, que não dá pra fugir do óbvio. E o óbvio é que hoje é um dia histórico, marque aí na sua agendinha pessoal. Pela segunda vez, a Rolling Stone desembarca em terras brasileiras. Com cara de americana, é bem verdade, mas desembarca. E o peso de uma revista como essa estar mensalmente nas nossas bancas já é, por si só, revolução.

O estilo da revista fez e faz escola. Os textos e as pautas foram se modificando ao longo de tempo e nem todos ainda têm o romantismo do new journalism dos anos 70, aquela coisa do repórter-participativo, narrador em primeira pessoa e testemunha ocular e muitas vezes chapada da história. Mas o formato da revista (maior que o normal), o tamanho da fonte (miúda, que permite muito mais texto) e o visual matador da Rolling Stone já fazem um belo estrago por si só.

Eu tinha me esquecido de tudo isso até segurar o exemplar número um hoje de manhã. Quando eu pensava na RS Brasil, imaginava uma revista de música, e ponto. Por isso talvez tenha me decepcionado com a baixa de matérias brazucas sobre o assunto. A matéria de capa, com nossa Bündchen, serve mais para enfeitar a revista e transmitir um conceito que a própria modelo encarna: internacionalidade e beleza brasileiras misturadas. É mais para casar um corpinho bonito com conteúdo, acreditem.

Mas as pautas das matérias de política produzidas no Brasil são bem bacanas e as traduzidas são um grande presente: enfiaram as matérias de capa da RS America com Bob Dylan e Jack Nicholson na nossa edição tupiniquim. Entre muitas outras que meu cérebro ainda não processou.

E não ouso passar disso, numa primeira análise. Vai levar mais que 40 minutos (tempo que dura uma revista na minha mão) pra eu devorar essa publicação de centro e trinta e lá-vai-cacetada páginas.

Corrigindo
Chico Batera toca hoje e amanhã no Tom Jazz, ok?

Uma luz no fim do tambor

Publicado: 20/10/2006 em Uncategorized

Chico Batera “alumia” os ouvidos do mundo (Foto: Divulgação Biscoito Fino)

No próximo sábado, o Tom Jazz (SP) recebe o lançamento do sexto álbum de Chico Batera, intitulado “Lume”. Ao lado do baixista Luiz Alves e do pianista Marcos Nimritcher, Chico executa toda a bateria que pode resultar de uma carreira de 41 anos recheada de tambor e transe.

Se você quiser saber quem é esse cara, bate o olho, de leve, no currículo do bicho: Sergio Mendes, Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, The Doors, João Gilberto, Elis Regina, Ed Motta e Chico Buarque, de quem é “batera” há 28 anos (incluindo a turnê do álbum Carioca).

E cada matéria que você ler sobre ele vai ter outros nomes de peso envolvidos na história. Na maioria das vezes, não é erro do jornalista; é apenas um dos muitos recortes possíveis de uma carreira grandiosa, camuflada atrás do kit de bateria.

Ou seja: reverência.