Festa no interior – do cenário indie

Publicado: 14/10/2006 em Uncategorized

Banda Mandrake no festival Fora do Eixo (SP), no Hangar
Acabei de pegar a Bizz desse mês com uma reverenda nota sobre o selo Engenho, de Jaú (SP). Não sei se vocês têm o hábito de ler a parte da revista sobre as bandas novas mas, entre uma caixinha de texto e outra, tem um espaço dedicado a essa galera aí de cima que, ao contrário do que diz o título da matéria, está longe de se restringir ao interior de São Paulo.

As principais bandas do selo Engenho – além da Vambora, citada no texto, temos a Mandrake e a Move Over, entre outras – já ultrapassaram os limites da rodovia Marechal Rondon há tempos. A Mandrake, com seu rock que seria radiofônico se tivéssemos genuínas rádios de rock, acaba de voltar de festivais de várias partes do Brasil, comoTocantins. Nas próximas semanas, divide palcos jauenses e paulistanos com a já citada Rockassetes. A Move Over, cuja vocalista tem bala pra desbancar beldades do pop rock nacional e uma banda extremamente entrosada pra dominar os ouvidos brasileiros (esses sim, talvez já radiofônicos), já passeia por São Paulo – e não é pra fazer compras na galeria do rock.

O circuito independente hipertrofia e fica difícil dar conta de todas as novidades que nos chegam aos ouvidos. Mas ninguém precisa se preocupar em procurar essas três bandas (quatro, com os Patrões): elas chegarão até vocês, e não vai demorar. E isso se dá muito em razão do trampo profissionalíssimo do selo Engenho, que impressiona desde o primeiro contato.

Sempre que preciso falar com alguém do esquema indie, é difícil encontrar sequer um telefone pra ligar. Fotos de divulgação não existem e, se você der sorte, encontra um celular de algum integrante ou produtor, que vai atender de ressaca e um excelente mau humor, o que não ajuda muito. Com uma força de algum orixá, você pode dar de cara com a banda no boteco da esquina, o que seria bem charmoso, se você não tivesse prazo e pauta pra cumprir.

Quando os CDs do Engenho caíram na minha mão pela primeira vez, foi impossível resistir à tentação de ouvi-los, já que a apresentação era impecável. A sonoridade, idem: você pode não gostar do som, mas a produção não deve em nada ao patamar dos álbuns que só não estão numa major porque, ora bolas, não estão. E os caras ainda contam com um profissionalismo administrativo que você duvida que seja verdade. Muitas gravadoras, inclusive, poderiam aproveitar os cursos que o selo está planejando oferecer pelo estado de São Paulo a bandas independentes, sobre sistemas de gravação e divulgação.

Vida longa aos músicos que se propõem em batalhar pelo que acreditam dessa forma.

Vai lá:
http://www.engenho.art.br/

comentários
  1. t. disse:

    vida longa mesmo aos caras, que merecem, e também a alguns jornalistas (como você) que não se sentem envergonhados de divulgar o trabalho dessas bandas – porque festinha de gravadora é festinha de gravadora, né?

  2. Giul Martins disse:

    atitude punk em botar a cara pra bater, mas com uma infraestrutura criativa digna de dar inveja ao mainstream

  3. Anonymous disse:

    sensacional a matéria…e condiz exatamente com a realidade dos caraas!!TEM TUDO PRA CRESCER..!!vamo q vamooo…

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