Não sei viver sem ter… textos assim

Publicado: 16/10/2006 em Uncategorized
Koala: quando a farinha é boa, o bolo sai bom

Um gole de café, um blues ao fundo, peguei despretensiosa a revista MTV desse mês e ganhei de presente uma entrevista assombrosa com o Koala, vocalista do Hateen. Há tempos eu não terminava de ler um texto tão eufórica – e não foi pelo café, acreditem.

Há anos eu desenvolvo a teoria do Segundo Homem. Na grande maioria das bandas, há o frontman (vocalista ou não), o cara que encabeça todo um conceito visual e musical do que o grupo representa. Há uma enxurrada de jornalistas querendo uma entrevista com esse sujeito, porque é o que dá mais Ibope para os veículos. Mas, pode apostar, nem sempre é a pessoa mais interessante da banda.

E quando você é de um veículo não tão importante, as assessorias te passam para o Segundo Homem, que costuma ser bem mais simpático, já que a) não está de saco cheio de tanto falar com jornalistas b) geralmente, tem muito mais histórias pra contar – em alguns casos, é ele o responsável por todo o processo criativo que o frontman encabeça.

Rodrigo Koala nunca foi segundo homem, pois é fundador do Hateen, na estrada há 12 anos. Mas começou a ganhar fama depois que emprestou suas idéias para letras de grandes hits do CPM 22. Tornou-se, portanto, Segundo Homem do CPM, mesmo que nenhuma das bandas o considere assim. E quando o rastro de sucesso bateu na cauda do Hateen, Koala teve a oportunidade de soltar o verbo em grandes veículos nacionais.

Já tive o prazer de entrevistar o cara uma vez e rendeu uma bela matéria, porque o material fornecido por ele assim o fez. Essa entrevista é o mesmo caso: muito mais pela competência do entrevistado, que se derramou na frente dos repórteres, as páginas da revista ganharam sabor de rock and roll. Independentemente do som do Hateen, que nem é tanto a minha praia, e do sucesso que deixou o vocalista comprar uma Gibson depois de muito suor (ao contrário de muito moleque da cena pop que mal sabe afinar um troço desses e sai fazendo pose).

Há trechos em que você é capaz de ler com cuidado, com respeito (como se lesse baixinho, se isso fosse possível), há trechos em que dá vontade de sair pogando pela sala (e olha que eu tava ouvindo blues), e há momentos em que você suspira e fecha a revista satisfeito porque ganhou sua ração diária de vida sincera.

É isso que a gente espera de uma revista de música, sabe?
Qualquer uma delas. Eternamente. Mas pra isso é preciso ter uma mente insana atrás do gravador disposta a correr esse risco. E um sujeito de primeiro quilate na frente dele.

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comentários
  1. Tat disse:

    esse cara manja de música:http://sareston.my1blog.com/recomendo!

  2. bruno disse:

    Acho que é isso (segundo homem) que eu penso do The Edge e do Adam Clayton no U2… hehehe

  3. Giul Martins disse:

    Hey, eu tive o prazer de falar com o “outro” integrante com o Funk Como Le Gusta. Realmente altas histórias…

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