Do you want a revolution?

Publicado: 03/11/2006 em Uncategorized


O documentário “Os EUA contra John Lennon” abriu (oficialmente) e fechou (não-oficialmente, já que a última sessão foi ontem à noite) a 30ª Mostra Internacional de Cinema de Sampa como que dizendo que recordar é preciso, pois só assim dá pra viver (mal aê pela paródia, “Seu” Pessoa). O vídeo reaviva a memória daqueles que foram testemunha dos anos 70 e revela aos mais novos como o beatle posicionou-se efetivamente como uma figura política importante em toda a questão da Guerra do Vietnã naquele que, na época, era o país mais importante do mundo em vários sentidos.

“Os EUA” refaz a trajetória artística e filosófica de Lennon, o que inclui justificar a presença de Yoko na vida do cara e sua importância para que John se posicionasse definitivamente mais como líder político do que como mocinho famoso. Trechos de coletivas e exclusivas mostram um pensador mordaz, rápido no gatilho, que acabava com a raça dos jornalistas que tentavam ridicularizar seus pensamentos e atitudes. E Lennon só conseguia essa façanha porque tinha (bons) argumentos.

Com depoimentos de ativistas, músicos, fotógrafos e até de representantes do governo Nixon, responsável por enfiar o FBI na parada e tentar por mais de quatro anos deportar o músico e sua esposa dos EUA, o documentário dá uma dimensão do poder de um mito. Os paralelos entre Vietnã-Nixon e Iraque-Bush são inevitáveis e fica o gostinho de tentar imaginar quem do cenário pop teria, atualmente, o poder de Lennon pra mudar alguma coisa.

Vários músicos já se embrenharam na façanha de lutar contra o governo Bush, como Neil Young, Eddie Vedder e Dave Matthews. Mesmo com influência grandiosa na América, talvez a soma dessas forças não tenha sido suficiente pra mudar alguma coisa. O pacifismo mundial pregado por Bono Vox pode se aproximar um pouco dos ideais setentistas de Lennon, e a figura de Bono talvez também seja a de maior alcance mítico e de massa hoje em dia, mas algumas coisas já mudaram e amenizaram esse poder.

A primeira delas é que até um presidente como o nosso amigo Lula já sacou a importância de aliar sua imagem à do cara e não hesitou em preparar um rango para recebê-lo. A segunda é que os fãs do U2 estão mais preocupados em colecionar seus zilhões de DVDs do que em efetivamente fazer alguma coisa pra ajudar o Camboja, a África ou de qualquer outro canto do planeta. O ativismo é apenas uma parte do espetáculo.

“O Flower Power não deu certo, e aí? Vamos tentar de novo”, pregava John. Acho que ainda precisamos descobrir de que maneira isso pode acontecer. Na época, ele cantava “you say you wanna revolution”. A coisa meio que retrocedeu, e fica a pergunta: “do you want a revolution?”.

São Paulo é São Paulo
O feriado, a chuva e as filas da Mostra atrapalharam a atualização desse espaço virtual. Tudo volta ao normal na segunda feira, ok?

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comentários
  1. Giul Martins disse:

    “I don’t wanna be a soldier, mama”A melhor persona pra rivalizar ao governo Bush é o próprio, ele se encarrega de cagar e ligar o ventilador em sua direção.“Give ‘Bono’ a Chance”

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