Excuse me while I kiss the sky

Publicado: 22/01/2007 em Uncategorized


Certa vez estava discutindo com um amigo (um daqueles que o PEAVD deve exterminar, hehehe) os possíveis motivos pelos quais o jornalismo musical virou algo tão pasteurizado e supérfluo. Chegamos a uma conclusão, talvez não definitiva, mas plausível: porque perdemos as referências. Não só pelos cinco minutos dos clipes e pela rapidez da informação via net, deixamos de admirar capas dos álbuns que nos traziam um universo de referências, se um músico cita alguma obra de literatura famosa (algo cada vez mais raro também) ninguém vai entender, enfim, viciamos na música pela música, que é incrível, mas parece correr cada vez mais atrás do próprio rabo.

Por outro lado, muitas vezes diamantes brutos ficam perdidos entre o quinhão do hit parade e parece que não tem nenhum garimpeiro com talento o suficiente pra lapidar a bagaça.

Bem, deixe-me apresentar um deles: Simon Reynolds.

Eu andava curiosa pra saber porque a maioria da imprensa tinha pulado direto do primeiro livro da coleção Iê-iê-iê, da editora Conrad, que tinha textos de Lester Bangs, para o quarto volume, “Beijar o céu”, do Reynolds. Decidi fazer o mesmo e fica impossível não notar a ponte evolutiva que existe entre os dois: Reynolds nos traz um panorama dos anos 90, sem as febres delirantes de Bangs, inapropriadas para anos de Radiohead e Nirvana, mas igualmente excitante.

O motivo, caro leitor, parece também simples: como o próprio nome do livro diz, o autor transcende a corrida atrás do rabo, a música pela música. Com referências que vão de teorias psicanalísticas à mitologia arcaica, Reynols nos mostra uma comparação de Nirvana x Pearl Jam extremamente sóbria; arranca Kurt Cobain de seu útero imaginário e dá à luz a uma brilhante resenha; destroça a história dos Smiths e de Radiohead de forma genial e ainda sobra tempo para explicar as intensas relações entre a cultura rave e os rituais de iniciação usados por sociedades pré-cristãs.

Nem tudo são pérolas, claro; habitué dos semanários, Reynolds vomita algumas resenhas a toque de caixa, especialmente do mundo rapper. Mas é difícil fechar o livro e sentir que você não levou uma aula de jornalismo cultural foda-pra-caralho na fuça.

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comentários
  1. Giul Martins disse:

    não esquece que eu to na fila pra emprestar o the book is on the table!!!(rs)

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