A glória (ou Mutantes parte 2)

Publicado: 29/01/2007 em Uncategorized


Seria difícil destacar pedaços de um show psicodelicamente homogêneo como o dos irmãos Dias. Acompanhados de uma trupe competentíssima, os bruxos produziram um caldo sonoro encorpado que, mesmo ensaiado, dava margem a belíssimos arranjos e todo o experimentalismo que, nos anos 70, só era possível nos álbuns. Particularmente, gostei bastante de “Ave Gengis Khan”, “El Justiciero”,“Desculpe Baby”, “A Hora a vez do Cabelo Crescer” e“Bat Macumba”.

O Elogio à Loucura, entoado duas vezes, não entra nem na lista, tal momento excepcional daquele frenesi coletivo típico de aglomerações como essa (e eu embarquei com a massa na maior). Mas que era bonito ver 50 mil pessoas assumindo que são loucas e felizes (será que o são mesmo, me pergunto), ah isso era.

Mas loucura mesmo foi o que se seguiu ao show. Colados a grades de ferro, os mais diversos fãs se espremiam na tentativa de chegar mais próximo dos ídolos que se encontravam a alguns metros, em um camarim improvisado. Um cabeludo absolutamente chapado perdia mais tempo xavecando as meninas que estavam por lá e tropeçando pelos cantos do que realmente tentando ir a algum lugar. Um homem segurava uma cópia do vinil de “Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets” e implorava pra que o segurança levasse para ser autografado. Um dos atendentes do Pronto-Socorro do evento o ajudava, já que ele tinha até passado malzão de tanta emoção.

Como várias pessoas apitavam sobre quem passava daquele ponto em diante (produção da prefeitura, assessoria da gravadora e conhecidos da banda) e no Brasil todo mundo conhece todo mundo, logo o camarim foi rodeado por uma pequena multidão, que se apinhava nas escadarias do monumento pra tentar ver alguma coisa.Uma senhora de cabelos grisalhos parecia realmente empolgada com a possibilidade de conhecer o trio. “Vai lá, mãe, você consegue”, incentivava a filha, já balzaquiana. Uma outra senhora saía, toda emocionada: “eu conheci o Arnaldo, a Zélia, o Sérgio beijou a minha sobrinha”, comentava, chacolhando a garotinha.

E aí eu lembrei de toda aquela moçada empoleirada no busão, tentando se divertir por algumas horas sem saber direito como nem por quê. Será que teriam saído diferentes dali? Teriam experimentado o que essas pessoas, pequenos registros emocionais da história da música popular brasileira, sentiram?

Tomara que sim.

comentários
  1. Giul Martins disse:

    essa credencial é tua minha amiga, então, guarde com a sua vida como me lembrara de guardar um determinado album um vez lá no discoteclando…rs.

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