Arquivo de fevereiro, 2007

Oscarizados ou não, uni-vos

Publicado: 26/02/2007 em Uncategorized

Eu ia postar isso ontem, mas fiquei com medo porque geralmente o Oscar é injusto. Mas, contrariando os inúmeros bolões perdidos, dessa vez acertei: “Os Infiltrados” era o meu palpite para melhor filme – apesar de torcer de todo o coração por “Pequena Miss Sunshine”. Mas o que eu queria falar aqui era mesmo da trilha sonora, que nem ia levar nada mas, no Oscar do Credencial Tosca, leva tudo.

Tem trilha que salva filme, tem filme que vale mesmo sem a trilha e tem dobradinhas que merecem aplausos, como essa. O filme, dirigido pelo identicamente oscarizado Scorcese, já manda muito bem. E a trilha, meu, de boa, poderia ser mais blues, poderia escrachar um country-de-boteco, poderia pegar qualquer referência relacionada ao submundo do qual trata. Mas fez a gente feliz pra caramba ao pegar os “classicão” e botar pra quebrar. Tem “Gimme Shelter” e “Lei it Loose” (Stones), “Confortably Numb” com Van Morrison e Roger Waters e musiquinha de John & Yoko, além de Beach Boys e Allman Borthers.

Conte pra mim: na sua opinião, qual é trilha sonora mais bacana? Vamos deixar de fora alguns clássicos, tipo “Pulp Fiction”, “Kill Bill”, “Quase Famosos” ou “Alta Fidelidade”, por motivos óbvios – são óbvios.

Aprende cos tio

Publicado: 23/02/2007 em Uncategorized
Sra. Ná Ozzetti, uma das atrações do 7º Brasil Instrumental (al al)

Pode ser marketing do José Serra, mas não dá pra negar que ele deve ter alguma razão em ter elegido a cidade de Tatuí como a “Capital Estadual da Música”. Um único evento é capaz de provar a fama do local (como se não bastasse o conservatório dramático e musical que lá se instala): é o festilval Brasil Instrumental, que se encontra em sua sétima edição. O motivo é simples: é o ÚNICO no nosso querido País exclusivamente de música instrumental brasileira.

Nem adianta fazer a fislosofia Tostines – não é o único porque vende menos. É o único porque vende mais: a verdade é que quem manda bem de música brasileira está ganhando dinheiro (e muito) fora do País. E poucos são os loucos que se dignam a mexer com esse mercado no nosso Brasilzão. Esse evento, por exemplo, com certeza, só rola com toda essa grandiosidade por um incentivo básico do estado, que mantém o Conservatório, que mantém o festival.

Mas voltemos ao evento, que durante nove dias recebe nomes consagrados como Ná Ozzetti e Rosa Passos e acolhe também, na mesma época,a 4ª Mostra Brasil Instrumental, um desfile dos novos talentos. São nove dias e cerca de 200 horas de música rolando a rodo.Você pode até não gostar de samba, jazz ou todo o restante do cuzcuz sonoro presente no festival.

Mas se esbarrar em Tatuí, não perca a chance de aprender: a) a sacar porque brasileiro já nasce sincopando o choro; b) que a música do nosso País é, sim, decente pra caramba, pena que a gente não veja; c) sugar o conhecimento de quem projeta um evento desse porte em pleno interior de São Paulo e aprender um pouco pra aplicar, nem que seja em um show da sua banda punk.

Quem vai e quem fica

Publicado: 22/02/2007 em Uncategorized

Pois é, o Led não vai voltar não, afirma Robert Plant à revista Mojo. Mas o álbum novo do Metallica começa a ser gravado dia 12 de março, com o produtor Rick Rubin, o Rick Bonadio das Americas.

E pra você que não se cansa de listas e listas, a mesma Mojo que jogou areia no doce dos fãs zeppelinianos traz em março uma edição especial de 148 (isso mesmo) páginas com a seleção dos melhores álbuns (de novo). O que ela promete de novidade? Bastidores, entrevistas exclusivaças e fotos e desenhos de suas capas preferidas que você nunca viu antes (porque não entraram nelas).

Amanhã eu volto zerada, falando de um festival com mais de 200 horas de música sem interrupção. É brasileiro. É uma grande chance de conhecer gente que faz um som foda, bem pertinho. Começa amanhã, então você tem 24 horas para abrir sua mente insana regada a riffs pesados.

Ziriguitchau

Publicado: 16/02/2007 em Uncategorized

Nosso blog veste o colar havaiano e se despede para um recesso de Carnaval. O que a gente promete pra compensar a ausência já nessa semana (preguicei total) e na próxima?Muitas novidades como intercâmbios bloguísticos e textos espalhados pela net. Porque quem fica parado é poste, já diriam Beyoncè e Felipe Dylon – ambos desencanaram de virar um hit musical e partiram para as telonas: “Dreamgirls”, com Ms. Knowles, já tá chegando e em breve o carioquinha surfista, neto do dono do Canecão, estréia em parafina e osso com “A Guerra dos Rochas”, filme de Jorge Fernando (ok, peguei pesado hoje, né?)

Mudando de pato pra patê, de vez em quando as majors acertam: a EMI colocou Ruy Castro, que já biografou Carmen Miranda, pra compilar canções da musa do tico-tico-no-fubá. O resultado são quatro álbuns remasterizados que foram a coleção “Ruy Castro apresenta…”. Os temas são “Carmen Miranda canta Sambas”, “Carmen no Cassino da Urca”, “Carmen canta Ary Barroso” e “Os Carnavais de Carmen”.

Outra homenagem bacana, de mosntro pra monstro, é o “Tributo a Elis Regina”, que será cantado pela Rosa Passos, com a orquestra Jazz Sinfônica, em Sampa, dias 26 e 27 de setembro. Mas pra ver esse, tem que bancar o pacote inteiro, de mais de 300 pila.

É isso aí, galera, bom ziriguidum pra vocês. Se alguém esbarrar em algum show ou álbum legal nesses próximo dias, conta pra mim, vai…

Aeroportos e nerds musicais

Publicado: 13/02/2007 em Uncategorized

A crise nos nossos aeroportos anda tão grande que até popstar passa por maus bocados. O Fatboy Slim, coitado, perdeu a bagagem.

Aí a nova capa da RS. Gostou? Melhor que a enxurrada de fotos de divulgação do Coldplay na capa das nossas brasileiras, né? Falando nisso, a banda de Chris Martin é outra que deve enfrentar crise no saguão de desembarque; afinal, já que os ingressos pros shows sumiram tão rápido, o que não deve extraviar é a multidão de fãs que só vão poder vê-los no aeroporto ou no hotel.

O blog da Rolling Stone, aliás, lançou um desafio típico de nerds viciados em música (categoria na qual eu me incluo). Como bem observou o autor Nick Hornby, em seu livro-que-virou-filme “Alta Fidelidade”, temos uma mania assumida de fazer listinhasde músicas, livros e filmes. A RS deu uma idéia de um embate sonoro entre dois álbuns – no blog, o exemplo foi “Nevermind”, do Nirvana, versus “Ok Computer”, do Radiohead, dois monstros dos anos 90. Duas possibilidades de análise, segundo a redação: fazer rounds faixa-a-faixa (faixa 1 x faixa 1, e assim por diante), ou dar notas para cada canção de cada álbum e depois fazer uma média – eu disse que era coisa de nerd, não me xinguem.

Pensei em propor aqui um embate dos anos 2000, do tipo Wolfmother X algum álbum do Audioslave. Alguém se habilita a mediar a luta?

PS – A gente tentou, o Raconteurs também, mas não adiantou: O White Stripes assinou um novo contrato e vai lançar álbum.

Intercâmbio bloguístico

Publicado: 12/02/2007 em Uncategorized

Hoje eu me ausento desse espaço pra rabiscar em outro recanto musical pra lá de bacana do nosso mundo virtual: a convite do anfitrião Giul Martins, Credencial Tosca aporta no blog Discoteclando (discoteclando.blogspot.com) pra explicar porque é que você deve dar uma chance a “In Utero”, álbum-prima do Nirvana, em seu coração atordoado, vestindo camisa xadrez.

Enquanto isso, o dono da casa dá uma passada na revista Sonora (a gente já falou dela aqui, vai lá também: www.revistasonora.com) pra tomar um chá e falar do nosso assunto predileto: música.

E viva o intercâmbio bloguístico, que a gente quer é rock.

Nossa linda juventude

Publicado: 11/02/2007 em Uncategorized

E o carro nem era deles…

– Ah, a gente sabe tanto quanto vocês da imprensa. Como eles são menores de idade, a tia da baterista foi junto, mas os pais que ficaram só sabem das novidades pelo Orkut – explicava-me um simpático pai. Não era pra menos: o filho dele estava em Londres, mais precisamente nos estúdios da BBC, cotado entre as seis bandas finalistas do concurso “The Next Big Thing”, que elenca as bandas que podem estourar no próximo ano.
O grupo em questão era o Sweet Cherry Fury, uma turma de meninas e um menino de Santos que, em menos de um ano, descobriu no que dá colocar suas músicas na internet. Eles participaram do programa de TV do Tramavirtual e gravaram uma música em um estúdio profissa, parte de um dos quadros da atração. Com essa mesma música, venceram o concurso de bandas No Capricho e, sem querer querendo, inscreveram-se no The Next Big Thing, da BBC. Deu no que deu.
Eu tinha uma semana pra fazer a matéria e vários textos pipocavam sobre os garotos em todos os veículos possíveis e imagináveis. Mas eles, mesmo, estavam ainda na terra da Rainha, incomunicáveis, salvo um msn rápido aqui e acolá. Enfim, pegaram terceiro lugar e um avião de volta. Não deu tempo de dormir direito: sacudi alguns deles da cama logo que bateu uma hora razoável do domingo – a do almoço.
A baixista Mariana preferiu conversar comigo dormindo mesmo, embora eu insistisse pra ligar mais tarde. Decidi falar também com o guitarrista Guilherme, o filho do simpático pai já mencionado. Acordado, embora ainda embaralhado pelo fuso horário, Guilherme tinha a ansiedade e a presteza nas respostas típicas de quem passa por um turbilhão que eu vou esmiuçar pra você (e a entrevista rendeu melhor do que com muito big guy do rock por aí).
Imagine-se no colegial, com sua banda de garagem, fazendo fotos típicas de bandas e batendo papo pelo fotolog com seus amigos, fãs do seu som. Corte a cena e desembarque em Londres, veja a produção da BBC dizendo que sua banda “rocks”e o James Brown e a Courtney Love concordando. De repente, do nada, Gary Powell, o cara que tocava no Libertines, uma banda que você adora, fica seu amigo de criancinha.
Durma de novo, acorde no Brasil e receba ligações da Folha, do Estadão, da Globo, da Rolling Stone e da Bizz, tentando algum furo, perguntando coisas estapafúrdias. Aquelas fotos, que você tirou de zoeira com seus amigos, de uma hora para outra estão estampadas nos jornais. Sacou?
Foi nessa velocidade que o Sweet Cherry Fury, com um som que mistura uma certa crueza punk e uma pitada eletrônica pós-bandas que resgataram os anos 80, viu as coisas acontecerem. E eles nem gravaram um álbum ainda.
O resto da história você confere na Bizz desse mês.