Arquivo de março, 2007

Revelações

Publicado: 27/03/2007 em Uncategorized

O semanário inglês NME decidiu alardear o que nós, aqui do blog, já sabíamos desde o ano passado: o black crowes vai gravar um novo álbum esse ano! Não deu detalhes, nem nada que provasse que eles sabiam de algo mais. Quanto vocês apostam comigo que a imprensa brasileira inteira vai sair divulgando a bagaça como se fosse novidade? E ah, em tempo, uma novidade: os irmãos Robinson fazem dois shows em Atlanta, em abril, e um em Aspen (Colorado), em junho. Lembre-se: você leu primeiro aqui (de novo).

O hype da literatura musical do momento é o novo livro do reverendo Fábio Massari, “Detritos Cósmicos”, sobre o reverendo (ou não) Frank Zappa. Como diria um amigo meu, pra quem gosta é uma beleza – e vindo do Massari, que organizou e reuniu gente de bom quilate pra falar sobre o assunto, deve ser mesmo. Mas, enfim, pra quem quiser só se divertir, rola um lançamento da obra na Livraria da Vila, em São Paulo, ciceroneado por Alberto Marsicano, o sitarista discípulo de Ravi Shankar, que participou do livro contando detalhes do seu encontro com o guru zappeano.
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Cine Music

Publicado: 26/03/2007 em Uncategorized

Não existe nada menos rock and roll em cartaz hoje do que “Maria Antonieta”, o filme que ficou mais famoso pela trilha sonora roqueira e pelas vaias em Cannes do que pelo filme em si – o que é injusto, porque é da Sofia Coppola e, apesar de eu achar que ela atropelou umas coisas e que ela tem direito a fazer um filme ruim, o longa tem seus méritos.

Com cartaz com cara de fanzine e um trailer-clipe primoroso, o filme que conta a história da coitada que foi obrigada a se casar com o futuro rei da França (com sérios problemas sexuais) e se submeter a uma vida tediosa me decepcionou porque fixou exatamente o tédio como seu tema. Você fica esperando a hora em que ela vai surtar de verdade e que a coisa toda vai virar um riff decente, mas não rola.
Não sei se é o nosso olhar, tão acostumado à linguagem de videoclipe (recurso utilizado nos momentos de consumo desenfreado, jogatina e comilança da rainha e sua corte), que me desestabiliza ao encarar toda a pomposidade do momento, ou se a tristeza de Maria que é muito maior do que a melancolia protagonizada pelas bandas oitentistas escaladas para o repertório. Broxei como e com o rei.

Por outro lado, uma comédia-básica-romântica que me surpreendeu foi “Letra & Música”, com o básico casal Hugh Grant e Drew Barrimore. O filme não é nada além do prometido: riso fácil, momentos delicados e outros engraçados, mas tira um sarro bacana da nossa indústria fonográfica, com uma produção nota 10. Quem não quiser gastar dinheiro pra conferir se estou certa pode passar no Youtube e ver, pelo menos, o clipe da fictícia banda Pop, da qual o músico protagonizado por Grant fazia parte nos anos 80. Me diz se não é ótemo!http://www.youtube.com/watch?v=S0A7dtdc-nU

PS – pra quem achou que, no texto sobre os Mutantes no site da Bizz, eu peguei no pé da molecada que não sabia quem eram Os Mutantes, deixo um diálogo presenciado por mim, ontem, de dois marmanjões que passeavam de bike no parque do Ibirapuera:

– Cara, fui ver um filme muito bom, chamado “O Cheiro do Ralo”.
– O cheiro do quê?
– Do Ralo.
– Ahnnnn…
– O filme conta a história de uma bunda.
– Sério, cara?
– Sério. Enfim, na verdade, ele fala da objetivação das pessoas e da humanização das coisas.
– Ahn…
– Eu não sei muito bem o que isso significa, mas falar assim faz o maior sucesso nas festas.

TVs, rádios e discos

Publicado: 22/03/2007 em Uncategorized

Essa aí é a capa do novo álbum do Arctic Monkeys, Favourite Worst Nightmare, que tem lançamento mundial para nós (ou seja, sai lá fora e aqui) no dia 23 de abril.

Ando viajando muito no tempo: ontem , na TV de verdade, assisti ao antológico clipe de “Video killed the radio star”, dos Buggles, o primeiro clipe a ser executado na MTV. Eu quase chorei tanto…

E não é irônico pensar que a nova banda dos últimos tempos chama-se TV on The Radio? A dita terá um EP lançado pela antológica loja de álbuns Amoeba Records. Os caras fizeram um show por lá no ano passado e a empresa decidiu lançar uma série limitadíssima de álbuns da apresentação, com quatro músicas. É a primeira vez que a loja indie faz uma coisa dessas.Uma das canções é “Province”, uma das minhas preferidas. Achei esse belíssimo vídeo, pra quem se interessar, segue aí:

Notícia velha

Publicado: 21/03/2007 em Uncategorized

Como assim ninguém me contou (e eu não contei pra vocês)????? O Paulo Ricardo está ministrando aulas de rock e eu perdi??????É sério, meu povo: durante o mês de março, o ex-RPM está lecionando sobre a história desse gênero musical tão pisoteado pela sua pessoa, em São Paulo.

Escapuliu: foi lançado ontem o novo álbum da Joss Stone. Ontem, também, o produtor Dallas Austin, que já trabalhou com a moça, pediu desculpas pública a ela e a Christina Aguilera. O motivo? Um vídeo no YouTube (sempre ele) em que o produtor aparece dizendo que elas dormem com produtores para conseguirem canções.

Essa aí é a capa da Rolling Stone americana. De 1970? Não, de amanhã.

Mzuri Sana e o álbum “Ópera Oblíqua”: você já leu esse álbum antes

Está na moda esse lance de misturar livro e filme, né? E o Mzuri Sana, o trio paulistano de rap formado por Parteum, Secreto e DJ Suissac, lança o álbum “Ópera Oblíqua”, inspirado em uma obra clássica de nossa literatura que tem um trecho de mesmo nome. Você saberia dizer que livro é esse?Dica: sua professora (do ensino médio ou fundamental, depende do grau de toprtura do colégio) com certeza já te enfiou esse livro goela abaixo.

No próximo post eu conto qual é, mas nesse mesmo já adianto que o álbum, que teve participação de Rappin Hood e o DJ/tocador de tambor Iggor Cavalera, tem estréia nos palcos do Sesc Pompéia, no próximo dia 30.

Balada do louco 2.0: nesse fim de semana finalmente assisti ao DVD dos Mutantes Clearwater Revisited. Não sei se são as músicas cantadas em inglês, o nervosismo de fazer tudo certinho ou a letra de Balada do Louco cantada sem erro, mas fiquei com a impressão de que São Paulo ganhou um show melhor do que Londres.Também tive a oportunidade de ver um documentário exibido já há algum tempo pelo Canal Brasil sobre Arnaldo Baptista.

No início, você fica com dó do que sobrou do cara: a dificuldade em falar, as marcas de uma traqueostomia no pescoço e o depoimento deprimente de seu irmão sobre o que o ácido fez com todos eles nas últimas décadas dão essa impressão. Mas no fim, aquela alma de loucura quase virginal, a voz mansa de criança e todo o contexto revisitado te deixam achando que louco é você de acordar com o despertador, dormir no metrô e buscar migalhas de vida no Ipod. Como diz Arnaldo, louco é aquele que tem consciência do quanto ele alcança e do que ele é capaz de fazer comn seus bilhões de células. E também, é claro, aquele que me diz que não é feliz.

Achei um trecho no Youtube, mas tá bem ruinzinho:http://www.youtube.com/watch?v=ZZo2OdqOgZI

Minhas noites de insônia me ajudaram a descobrir um passatempo legal: ver clipes (sim, você leu direito) na MTV (sim, você também leu direito). Apesar de ter levantado toda a polêmica de não exibir mais vídeos em sua programação, a emissora reserva aos corujões verdadeiras preciosidades de seus tempos áureos, além de trazer clipes atuais muito bacanas também.

É uma mistura de saudosismo, desse que acomete os adoradores de vinis, com uma vontade de trazer para os tempos atuais muito do que era fantástico na MTV e foi extinto graças a marketeiros e outras pragas. Assistir a vídeos como “Intergalactic” (Beastie Boys, aquele em que eles salvam o planeta de mostrengos), “Coffee and TV”, do Blur (o fatídico clipe da caixinha de leite) e até “Leia o livro Universo em Desencanto” (sim, a música do Tim Maia Racional tem um clipe!) é de um prazer inigualável, que nem sempre a banda larga nos permite com igual intensidade no You Tube.

Também pude ver, nas horas mortas da noite, um dos mais recentes e geniais clipes do Killers, “Bones”. E não duvido que daqui a alguns anos, o vídeo do Ok Go, “Here it goes again” – aquele da dancinha nas esteiras, recorde youtubesco – seja visto com o mesmo deleite destes e outros clássicos. E é por essas e outras que ainda não desceu goela abaixo a pseudo-morte dos clipes decretadas pela pseudo-morta MTV.
Arcade Fire: eles são muitos e estão armados ( de boa música)

Todo mundo sabe que eu sou mezzo empolgada, mezzo calabresa com esse lance de bandas novas. Mas o Arcade Fire está me conquistando. Quem quiser experimentar, corre lá no MySpace da banda e ouve a nova “Windowsill”, do novo “Neon Bible”, que ainda tá quente por ter acabdo de sair do forno.Foi lá também que o Chris Martin subiu um milésimo na minha cotação quando descobri que ele pintou em um show dos caras, em Londres. Mas um milésimo mesmo, porque o Bowie, que é o Bowie, farejou o Arcade a km de distância e já até tocou com a turma.

Enquanto isso, Franz Ferdinand se tranca em Glasgow pra compor. Os caras se recusaram a participar dos megafestivais ingleses se fosse pra tocar a mesma coisa de sempre. Bacana. Sobre as novas composições, o vocal Alex Kapranos disse no site oficial que são um pouco diferentes do que os fãs estão acostumados, mas serão dançantes.”Será sempre pop. O FF sempre foi pop”, assume o escocês.