Pele e música

Publicado: 30/04/2007 em Uncategorized

“Eu tenho o direito de estar errada/ meus erros vão me tornar mais forte”, anunciava em seu segundo álbum uma ainda jovem Joss Stone, figura recém-iniciada ao panteão do showbizz graças à sua voz monumental. Alcançando o posto de diva já no primeiro CD, apenas de regravações, Joss arriscava-se em seu segundo trabalho à arte de compor. Foi louvada novamente por esses primeiros passos, ainda com os pés descalços no palco, o figurino setentista e o sorriso loiro inconfundível.
Não é dificíl constatar que a musa mudou sua roupagem em seu terceiro trabalho, “Introducing Joss Stone”. E, por roupagem, é bom que se entenda pele e música. Talvez ela esteja errada. Talvez não. Mas fez grande uso do seu direito de tentar.

A inglesinha traz aos ouvintes um arsenal eletrônico em sotaque hip hop e disco, um grande caldeirão black anos 70 que tingiu de vermelho seus cachos e improvisações vocais. Não sabia que Joss caberia em uma batida funk ou base de rap, mas ela cabe. Ainda é difícil definir, nas primeiras audições, até que ponto ela se encaixa, como nas ótimas soul-funkeadas “Tell me ´bout it” (primeiro single, cuja capa é essa aí em cima) e “Put your hands on me”, ou se diminui, como em “Tell me what we´re gonna do now”.

Confesso que na minha primeira audição de seu debut “Soul sessions”, o rhythm and blues saltou aos meus ouvidos e temi que estivesse à frente de mais uma Mariah Carey, de voz potente e cabeça de ameba (desconfiava que o bumbum não fosse gigante, pois o encarte não explorava o atributo). Logo a impressão se foi. O tal soul do título – e que se repetiria tanto no nome do segundo trabalho como no álbum em si – falava alto aos corações dos amantes do gênero. E introduziu outros tantos ao ritmo e a outros terrenos padrinhos/vizinhos/bem-vindos, como o gospel e o próprio r ´n b. Joss nos leva agora a texturas um tanto quanto contemporâneas (arrisca até uma certa latinidade em “Arms of my baby” – Shakira, fique longe!) e declara, não só no nome do álbum (Apresentando Joss Stone) como para os quatro ventos que esse novo trabalho mostra como ela realmente é.

Talvez Miss Stone esteja querendo se libertar da sombra de Aretha Franklin, que a persegue e inspira desde os primórdios, e galgar alguns passos novos. Tentar, mesmo que errando, como pregava anteriormente. Pode ser que este seja aquele álbum “experimental” que todo artista que se consolida de alguma forma acaba inventando de fazer e se arrepende depois. Ou simplesmente tenha cedido às pressões mercadológicas de fazer as pessoas se remexerem – uma pista dessa hipótese é o texto que abre o CD, declamado pelo ex-jogador de futebol e ator Vinnie Jones, e que diz algo como “você tem que ter culhões para mudar” (que espécie de arte legítima precisa de alguém informando os ouvintes que eles estão frente a algo novo e legítimo?). Ou talvez seja mesmo a Joss que ainda não conhecíamos. E aí resta aos fãs decidir se gostam da pele verdadeira por trás do disfarce que revestia a artista desde então.

OBS – pra quem curte esse lado rapper da força, indico “Music”, parceria com a ótima Lauryn Hill.
OBS 2 – ainda há baladas um tanto gospel., como “What we were thinking”. Segure firme que ela chega, quase ao fim do álbum.

comentários
  1. Giul Martins disse:

    Ai AnaA mandou muito bem neste texto viu… ta tentando explicar pra um amigo a “mutação” da Joss, mas ainda não tinha entrado no teu blog hj… agora já posso me expressar, passando seu link pra frente…hahahhaa…ps. prefiro a ruiva LOIRA!!!Inclusive no som!!!

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