A maldição de Erasmo e Rita

Publicado: 07/05/2007 em Uncategorized

Não tinha espaço na van (foto Sylvia Massini / divulgação)

Juro que eu tentei, mas fui vencida pela multidão. A Muvuca Cultural, ops, Virada Cultural, me venceu. Fui derrotada pelo cansaço de ser esmagada constantemente, e olha que eu sou rata de shows em estádio, e acho que isso tudo só tem graça na pista, no meio da massa, mesmo.
Não há o que se discutir sobre o projeto, grandioso e muito bonito. Andar na avenidade Ipiranga de madrugada, entre cabeludos oitentistas, hippies descolados e genéricos de todos os ritmos é uma experiência fascinante.

A Virada também me deu oportunidades bacanérrimas de conhecer cantos de São Paulo dos mais variados – desde a clássica Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa, que estavam com entrada gratuita, até o trecho do calçadão da São JOão e suas construções antigas, que eu só pararia pra prestar atenção mesmo às três da manhã, cansada depois de um show. Mas arriei. Pedi leite, e ainda desconfio que a culpa tenha sido do Erasmo Carlos em ritmo de samba-rock. Whatever…

Cheguei no meio do show do Sérgio Dias e sua banda mosntruosa – em grande parte a mesma que acompanha atualmente os Mutantes. A percussionista Simone Soul virou um monstro atrás de um kit de bateria e mostrou aos metaleitros para que serve, de verdade, um pedal duplo – não, não é pra duplicar tooooodas as notas, ok? Frases extremamente criativas e poderosas soavam de seus pedais.

Dias resgatou pérolas como “Rock´n Roll City”, mas não resistiu à tentação de repetir o feito do Museu do Ipiranga, e soltou “Balada do Louco” e “Minha menina”, só pra não perder a tradição. Novamente, a maldição de Rita Lee se fez presente: se no museu ele errou duas vezes a letra da Balada, dessa vez uma microfonia insuportável o afastava do microfone, deixando o refrão a cargo da platéia.

Passei grande parte do show do Clube do Balanço entretida em:

a) fugir de uma trupe de mendigos bêbados que abriram uma clareira no meio da platéia e bradavam pela cerveja e pela namorada alheia;

b) Esquivar-me de um casal bêbado que insistia em imitar beijos de novela e cair em cima de mim;

c) Entender o que o Erasmo Carlos tava fazendo ali, cantando “Além do Horizonte” entre surdos e pandeiros.

Não é de se estranhar o meu ânimo em aguardar os 40 minutos que me separavam do show do Ed Motta. O som do palco não ajudava: a mais de 10 metros, não era possível ouvir música nesse intervalo. E o sono começou a bater. Era difícil encontrar um local pra descansar sem virar sardinha.

Sr. Motta chegou tranqüilo, mas na quarta música nem as frases do exímio baixista me empolgavam mais. Não havia como ficar parada, sem ser levada pela massa. Tem espaço na van? Não, vamos a pé mesmo. E aí vem mais muvuca, esmagamento, pressão baixa, e ufa, lá estamos nós de volta à avenida Ipiranga.

Não passei perto do palco Rock. Minha idéia era acompanhar o Beatles 4ever por lá, às seis da madrugada. Mas se, sem moicano pra me espetar eu já tava irritada, que dirá fugindo das pisadas de coturnos.São Paulo 1, Ana 0.
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comentários
  1. Danilo Gallo disse:

    Oi Aninha, é nois, o mano…certo?Adorei o texto e mesmo não tendo ido à Virada me senti nela, fui lendo o texto e me espremendo na cadeira achando que estava lá.Valeu, belo texto.BeijõesDan

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