Atitude quente e criativa

Publicado: 19/05/2007 em Uncategorized

Os leitores deste humilde blog estão acostumados a me ler reclamando que as revistas de música apostam sempre nas mesmas capas, com as bandas clássicas, e tal. Pois bem, dessa vez, estou indignada com o oposto: cadê os Beatles da capa da Rolling Stone brasileira?

Em junho, a RS brazuca tinha, pelo menos, duas obrigações: celebrar os 40 anos da matriz americana, como a mesma fez, ou estampar os autores de Sgt. Peppers na capa, já que o álbum celebra iguais 40 anos. Ou os dois!
Nada contra Sir Darth Vader – aliás, ainda não li a revista -, mas até a versão italiana da Rolling Stone de maio se preocupou com o quarteto de Liverpool. E, aliás, essa edição européia é o assunto de hoje, porque ela é muito, muito boa. Caiu nas minhas mãos trazida por uma outra jornalista amante das boas letras e, apesar do meu italiano macarrônico (não me contive com o trocadilho), desceu redondo como poucas publicações têm feito.
A capa, como eu disse, é o Fab Four (chamado por lá carinhosamente de “Favolosissimi Quattro”), em uma foto fantástica em que você demora a reconhecer que são eles – Paul, como sempre, se esconde e quebra a pose, como bom defunto deve fazer. A imagem que estampa a matéria é igualmente bacana, com George Harrison à frente, e faz a gente pensar como é que se pode olhar os Beatles por um ângulo diferente, mesmo depois de tantas décadas de superexposição. Não foram escolhas óbvias. A matéria, traduzida da América sobre o álbum “Banda dei Cuori Solitari del Sergente Pepe”, é complementada pela história do jornalista italiano que acompanhou o quarteto em sua viagem espiritual à Índia, entre outras.

Há outros textos que já vimos por aqui, como o do South Park, e encontrei erros básicos em nomes de bandas (“Artic” Monkeys, Fall Out “Boys”), mas do pouco que captei da revista ela me pareceu tão mais encorpada que nosso exemplar! E não é só pelo fato de ter 220 páginas – sim, fazer revista bem feita rende publicidade pra caramba. Está em sua edição 43, tem menos de dois anos, ainda engatinha. Mas a própria seção Rock & Roll, a que abre as edições de todas as RS com novidades, já ganhou identidade própria. Na versão Itália, ela tem desde uma parte dedicada apenas a celebridades até artigos opinativos que discutem seriamente os rumos e sentidos da cultura. Quer um exemplo? Um artigo defende a cultura pop, entre outras coisas, porque nela nada funciona se não for excitante. E a excitação, diz Franco Belli, dono do texto, “é uma atitude quente e criativa no confronto com a vida”.

É dessa atitude quente e criativa que eu sinto falta, muitas vezes, nas publicações nacionais. Não que os 30 anos de Stars Wars não sejam importantes. Tudo bem que essa foto foi capa da RS americana há uns dois anos, quando “A Vingança dos Sith” foi lançado, e eu aposto um bolinho como reaproveitaram a mesma entrevista com George Lucas da época. Mas com um arsenal de texto e imagem como o da RS, deixar de celebrar a si mesmo e a uma banda com os Beatles me pareceu ingênuo.

Pra fechar com chave de ouro, sabe quem estampa a contracapa da revista (uma das áreas publicitárias mais nobres, diga-se de passagem), mostrando um belo relógio Armani? Kaká. Nem isso nossa edição brazuca tem!

No sentido oposto, quem bateu um bolão foi o Estadão, que no sábado passado furou os olhos da imprensa brasileira inteira com seu especial sobre o Sgt. Peppers. A justificativa de lançá-lo no dia 12 de maio e não no dia 01 de junho, aniversário oficial, foi mais legal ainda: teria sido a primeira vez que as canções do álbum vazaram e tocaram em uma rádio em Londres. Agora é aguardar pra ver o que o resto da imprensa nos reserva.

Ah, e se você sobreviveu até aqui, obrigada.

comentários
  1. Giul Martins disse:

    quando vi a capa na banca do mercado, sim porque a minha edição de assinante ainda não chegou… pensei duas: ‘puta merda, a porra da revista já chegou na banca e em casa nada, caralho’, e a outra, ‘puta merda, a porra da revista pôs uma matéria fria na capa, invés dos beatles, caralho!!!’. Só tô esperando a edição chegar pra este humilde assinante para verificar o resto do conteúdo…Qto ao Paul McCartney: bom essa história dele esconder, brincar com a fama de que ele morreu e fora substituído por um similar, só deve tá errada no sentido de que, Lennon e Harrison se foram, Ringo será o próximo? Será ‘Walrus is Paul’ um serial killer de companheiros de banda para que ele logre mais ainda os verdes louros da fama beatlemaníaca? Será que Caetano responderia esta? Será?Qto ao Sgt. Peppers: eu prefiro o ‘álbum branco’ e o ‘revolver’ antes do quarentão aniversariante, mas ele não deixa de ser um puta disco, principalmente pq foi lá qu e Lennon simplesmente inseriu A Day in the Life, simplesmente sublime fechando o disco! Ou será que os apitos para cães é que fecham a bolacha? Será que Caetano responderia mais essa? Será?

  2. Giul Martins disse:

    vai rolar um empréstimo desta edição macarronica?

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