Arquivo de junho, 2007

A história é verídica.

Em excursão pelo interior paulista, Caetano aportaria em Bauru. Com 10 dias de antecedência, o editor de cultura de um renomado jornal local enviou uma série de perguntas para a assessoria de imprensa do artista. Ele não respondeu. Os motivos variavam a cada telefonema: viajando de ônibus, Luana, imprensa no pé etc. Não deu outra: o bravo editor fez a matéria sobre o show, mas esclareceu que Caê não havia concedido entrevista por vários motivos – entre eles, o de que era uma estrela. A matéria trazia também uma personagem, antiga amiga do artista, que não havia conseguido ingresso para o show pois eles se esgotaram em três horas.

Caetano leu o jornal e sentiu aquela pontada funda que só mesmo a vaidade humana é capaz de causar num coração. Às 20h30, noite do show, a assessora liga para o editor e pede o telefone da tal amiga que ficou de fora. O jornalista ouviu a voz do baiano ao fundo, dizendo que, se ele ainda quisesse, o artista falaria com ele. Quinze minutos depois, o telefone da redação toca:
– Olá, eu queria falar com Thiago Roque. É Caetano.

Além de pedir desculpas pela falta de resposta, disse que adorou a matéria do editor, especialmente a parte que falava de seu álbum “rock” (o texto, segundo Caê, era “rock and roll”) e só ficou triste com uma música que o jornalista havia categorizado como chata pois ele gosta muito e nem ia entrar no CD, mas “os meninos” fizeram entrar.
E revelou um último detalhe: no momento da entrevista, Caetano estava… de pijama.

O editor, como já revelei, era o brother Thiago Roque. O jornal, o glorioso Bom Dia. E a vaidade… é o meu pecado favorito!

Ensurdecedores e furiosos

Publicado: 24/06/2007 em Uncategorized

O Walverdes amadurece na rebeldia

Show do Clube Belfiori, em São Paulo, é uma incógnita. O lugar abriga desde os grupos indies mais estranhos até show do Sepultura. Os freqüentadores são ainda mais curiosos: tem gente dançando como nos anos 80 (mas como não tem parede próxima à pista de dança, fica virado pro resto da galera), nego embalando um twist ao som de Sex Pistols e uma pancada de gente com cara de “vim pra checar o fervo”. Enfim, uma típica balada paulistana. E, a despeito do olhar blasé a granel, foi no CB que eu ganhei minha mais nova surdez insana. Foi num show da banda gaúcha Walverdes, na última sexta.

O trio já é bem famosinho no circuito independente, mas o mais engraçado é que, se você procurar na net, não vai encontrar um site dos caras (há um fotolog e um MySpace). Considerando que a ala sem gravadora sobrevive hoje em dia basicamente disso, é de se espantar, certo?

O show, no entanto, dá bem conta do recado de mostrar a que o trio veio. Um rock and roll rápido, furioso, punk de alma, rock de virtuose. Com o amps no talo, a banda despejou canções bacanas pra expurgar demônios de todo o tipo, como “Viajando na AM” e Anticontrole”. Um guitarrista com cara de nerd, um baterista monstruosamente rápido e competente e um baixista idem tornavam praticamente impossível que alguém ficasse parado.

Mas não no CB. O público não parecia se importar com o fato de que a banda principal da noite estava ali. Depois do grupo de abertura (auto-intitulado Exclusives, cuja performance prefiro não comentar aqui, até porque cheguei no meio do show e não simpatizei com as versões em português de, hãn, Ramones), a platéia desapareceu. O montante que sobrou parecia grudado ao chão, impassível aos decibéis em profusão ao redor. É verdade que o show começou tarde, mas, enfim, a preferência geral foi tirar fora antes do orgasmo.

De certa forma, o Walverdes seguiu a onda. Apesar dos pedidos pela fantástica canção “Classe Média Baixa Records”, o grupo saiu do palco sem tocar seu grande hit. Das duas, uma: ou a trupe decidiu fazer um set list para si, já que a platéia não exigia tanta doação, ou realmente prefere andar na contramão para não sair da independência. Sem site e sem hit, o Walverdes amadurece na rebeldia.

Altamente recomendado como terapia de sexta-feira: http://www.myspace.com/walverdes

Short snacks

Publicado: 21/06/2007 em Uncategorized

Snack 1 Kurt Cobain, um sujeito que morreu com dores horrendas de estômago sem conseguir comer nada direito, vai estampar lancheiras. Não é fantástico?

Snack 2 Para quem gosta de Macy Gray e ainda não teve oportunidade de ouvir o álbum novo, corre no site da moça (www.macygray.com) e ouça duas novas fantásticas canções: “Finally made me happy” e “Shoo be doo”.

Papo (literalmente) furado.

Publicado: 20/06/2007 em Uncategorized

Mais uma lista para a nossa coleção: a Mojo entregou os prêmios da sua Honour List 2007. Amy Winehouse ganhou de melhor canção, Arcade Fire pela performance ao vivo, o prêmio “Inspiração” foi para a “Björk, O ícone foi Ozzy, o herói, Alice Cooper, e os Stooges pelo conjunto da obra. Assim, rápido e rasteiro.

Pois é, num dias a gente fura, nos outros é furado. Antes mesmo do Tim Festival anunciar oficialmente a vinda do Arctic Monkeys, os caras postaram as datas em seu site oficial. E a gente não viu…
O The Who lançou em abril um concurso chamado “Who are you”, para que fãs enviassem fotos suas que mostrassem como são realmente fãs da banda. O concurso se encerrou na semana passada e há imagens bizarras postadas no site da banda. Entre elas, um casal que teve o seu bolo de casamento em formato de violão, com a bandeira da Inglatera em cima, e um quadro do Who ao fundo. A data do casório? Aniversário de Roger Daltrey. Repito: os ingleses são estranhos.

Burocracia vs. Horror Show

Publicado: 11/06/2007 em Uncategorized

Rolling Stone sad news: Stweart Copeland, batera da recém-reunida Police, clama que quer ser o Dinossauro do Ano – bater Madonna e Stones em termos de shows. Phil Collins, rearranjado no Genesis, tenta desenferrujar as baquetas e assume que está difícil. Dave Matthews, em crise para formular novas canções, sai em turnê e entrega a receita de um bom whisky: encha um copo com gelo, coloque um pouquinho de scotch no fundo e complete com água. Evite a ressaca: mantenha-se…

Falando em lado escuro da Lua, talvez “Eat Me, Drink Me”, nova cria macabra de Marilyn Manson, tenha despertado meu bichinho podre interior de uma forma que Dante XXI, do Sepultura, não tenha conseguido fazer. Amigo do Hades e porteiro do inferno, Manson colocou vida(?) ao lado mais insalubre do rock industrial-na-medida-certa que faz. Nada contra a obra-prima do Sepultura, baseada em outra obra tão prima. MaS talvez a burocracia da saída do Iggor tenha me impedido de ir mais longe. Talvez não. Quem viu o DVD Live in São Paulo da banda mineira sabe o que é presenciar o ex-baterista fazendo cara de tédio enquanto esmurra impiedosamente o seu kit.

Se você não consegue entender a catarse de um Stephen kIng, nem se dê o trabalho de fazer a comparação. Mas se você julga imprescindível à sobrevivência da sua alma iluminar a podridão – mas com poesia e um tanto de diversão – recomendo comer, beber e morrer no novo trabalho do Anticristo Superstar.

Pra terminar o horror show, novidade na pátria amada: o livro “O triste fim do pequeno Menino Ostra e outras histórias”, escrito e ilustrado por Tim Burton, chega ao Brasil em meados de julho. Idealizador de filmes como “A Noiva-Cadáver”, “Edward Mãos de Tesoura” e a versão Michael Jackson de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, Burton traz nesse livro 23 poemas ilustrados.

O neon alerta que o local está “open”. A música e o burburinho convidam e o visitante logo se vê mergulhado no que há de mais glamuroso no mundo do rock: luzes, câmeras e ação. Para quem pensa que a exposição “Rockers”, aberta no Museu de Arte Brasileira da Faap, em São Paulo, contém apenas fotos de estrelas do showbizz, dê-se o direito de se surpreender. As 270 imagens de autoria do fotógrafo Bob Gruen foram organizadas em tamanhos, formatos e recintos capazes de traduzir o espírito do rock e mostrar que uma exposição bem feita vale por mil imagens.

Esqueça o fato de que a curadoria é do Supla – ele aparece de relance ao fundo de poucas imagens. E não pense que você vai ver apenas fotos consagradas, como a de John Lennon com a camiseta de Nova York, Sid Vicious comendo cachorro-quente (imagem publicitária da mostra) ou mesmo o fabuloso Led Zeppelin em seu avião particular. Na parede mais tradicional da exposição, há desde os integrantes do Kiss vestidos como chinesas bizarras até a imagem que mais me impressionou: Alice Cooper acompanhado de Salvador Dalí – que segura o cérebro de um rockstar.

Na parte destinada ao Camarim, Bowie, Debbie Harry, Jagger, Andy Warhol e outras figurinhas fáceis sorriem, se embebedam, se desnudam. John Bonham posa de gravata (?). Um boulevard composto por um caminho feito de abajures gigantes traz retratos de Dylan, Marley, Ryan Adams e até um Keith Moon de cartola. Caminho esse que leva até um quarto adolescente (sim, eles montaram um quarto no centro da exposição), local onde germinam todos os sonhos que fizeram do rock and roll o que ele se tornou.

Em outro canto, almofadas e sofás aconchegam os visitantes a curtirem alguns vídeos, especialmente sobre as duas meninas dos olhos da exposição: a cena punk e o relacionamento entre Gruen e o casal Lennon & Yoko. Os dois temas ganharam paredes temáticas, uma verdadeira linha do tempo com o recorte do olhar do fotógrafo, suas amizades e os caminhos pelos quais sua profissão o levou. Há muito Lennon e nada de Beatles; há Led, Sabbath e Who, mas não há Pink Floyd. Há Courtney Love e não há Cobain. Nada que impeça a emoção plena de ver algumas imagens que se transformaram em pérolas encantadoras – e a ingenuidade/chapação/indiferença dos fotografados, que não imaginavam o quão clássicos se tornariam tais cliques.

Para os jornalistas de plantão, um setor é de arrancar lágrimas: intitulado laboratório – com a ambientação de um local de revelação de fotos -, é o momento mais biográfico da mostra, com fotos de Gruen e artistas (entre eles, o Godzilla, rá), edições arqueológicas da revista Creem, e credenciais, credenciais de fazer chorar: Pistols, Clapton, whatever.

Nem é preciso dizer que a trilha sonora é perfeitamente apropriada para o tema. E, de quebra, você periga esbarrar em gente bacana de carne e osso por lá: quando fui, Gastão Moreira e Fábio Massari trocavam figurinhas sobre as fotos, e os moleques do Cachorro Grande babavam feito bulldogs em alguns cantos.

Corre que até dia 1º de julho dá tempo. E é de graça.

Credencial Nova

Publicado: 07/06/2007 em Uncategorized


Passando rapidinho pra avisar que essa que vos fala estréia em coluna na revista independente-por-enquanto-virutal Sonora – vocês já conhecem: http://www.revistasonora.com.
Esse espaço continua, aguardem novidades surrealistas ainda nesse feriado.