Alice Cooper, Salvador Dalí e lágrimas

Publicado: 10/06/2007 em Uncategorized

O neon alerta que o local está “open”. A música e o burburinho convidam e o visitante logo se vê mergulhado no que há de mais glamuroso no mundo do rock: luzes, câmeras e ação. Para quem pensa que a exposição “Rockers”, aberta no Museu de Arte Brasileira da Faap, em São Paulo, contém apenas fotos de estrelas do showbizz, dê-se o direito de se surpreender. As 270 imagens de autoria do fotógrafo Bob Gruen foram organizadas em tamanhos, formatos e recintos capazes de traduzir o espírito do rock e mostrar que uma exposição bem feita vale por mil imagens.

Esqueça o fato de que a curadoria é do Supla – ele aparece de relance ao fundo de poucas imagens. E não pense que você vai ver apenas fotos consagradas, como a de John Lennon com a camiseta de Nova York, Sid Vicious comendo cachorro-quente (imagem publicitária da mostra) ou mesmo o fabuloso Led Zeppelin em seu avião particular. Na parede mais tradicional da exposição, há desde os integrantes do Kiss vestidos como chinesas bizarras até a imagem que mais me impressionou: Alice Cooper acompanhado de Salvador Dalí – que segura o cérebro de um rockstar.

Na parte destinada ao Camarim, Bowie, Debbie Harry, Jagger, Andy Warhol e outras figurinhas fáceis sorriem, se embebedam, se desnudam. John Bonham posa de gravata (?). Um boulevard composto por um caminho feito de abajures gigantes traz retratos de Dylan, Marley, Ryan Adams e até um Keith Moon de cartola. Caminho esse que leva até um quarto adolescente (sim, eles montaram um quarto no centro da exposição), local onde germinam todos os sonhos que fizeram do rock and roll o que ele se tornou.

Em outro canto, almofadas e sofás aconchegam os visitantes a curtirem alguns vídeos, especialmente sobre as duas meninas dos olhos da exposição: a cena punk e o relacionamento entre Gruen e o casal Lennon & Yoko. Os dois temas ganharam paredes temáticas, uma verdadeira linha do tempo com o recorte do olhar do fotógrafo, suas amizades e os caminhos pelos quais sua profissão o levou. Há muito Lennon e nada de Beatles; há Led, Sabbath e Who, mas não há Pink Floyd. Há Courtney Love e não há Cobain. Nada que impeça a emoção plena de ver algumas imagens que se transformaram em pérolas encantadoras – e a ingenuidade/chapação/indiferença dos fotografados, que não imaginavam o quão clássicos se tornariam tais cliques.

Para os jornalistas de plantão, um setor é de arrancar lágrimas: intitulado laboratório – com a ambientação de um local de revelação de fotos -, é o momento mais biográfico da mostra, com fotos de Gruen e artistas (entre eles, o Godzilla, rá), edições arqueológicas da revista Creem, e credenciais, credenciais de fazer chorar: Pistols, Clapton, whatever.

Nem é preciso dizer que a trilha sonora é perfeitamente apropriada para o tema. E, de quebra, você periga esbarrar em gente bacana de carne e osso por lá: quando fui, Gastão Moreira e Fábio Massari trocavam figurinhas sobre as fotos, e os moleques do Cachorro Grande babavam feito bulldogs em alguns cantos.

Corre que até dia 1º de julho dá tempo. E é de graça.
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comentários
  1. bruno disse:

    Olha, eu fui e é mesmo excelente! rsss Aliás, o texto descreve perfeitamente a exposição

  2. Giul Martins disse:

    puta que pariu hein anaa…puta que pariu!!!

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