Ensurdecedores e furiosos

Publicado: 24/06/2007 em Uncategorized

O Walverdes amadurece na rebeldia

Show do Clube Belfiori, em São Paulo, é uma incógnita. O lugar abriga desde os grupos indies mais estranhos até show do Sepultura. Os freqüentadores são ainda mais curiosos: tem gente dançando como nos anos 80 (mas como não tem parede próxima à pista de dança, fica virado pro resto da galera), nego embalando um twist ao som de Sex Pistols e uma pancada de gente com cara de “vim pra checar o fervo”. Enfim, uma típica balada paulistana. E, a despeito do olhar blasé a granel, foi no CB que eu ganhei minha mais nova surdez insana. Foi num show da banda gaúcha Walverdes, na última sexta.

O trio já é bem famosinho no circuito independente, mas o mais engraçado é que, se você procurar na net, não vai encontrar um site dos caras (há um fotolog e um MySpace). Considerando que a ala sem gravadora sobrevive hoje em dia basicamente disso, é de se espantar, certo?

O show, no entanto, dá bem conta do recado de mostrar a que o trio veio. Um rock and roll rápido, furioso, punk de alma, rock de virtuose. Com o amps no talo, a banda despejou canções bacanas pra expurgar demônios de todo o tipo, como “Viajando na AM” e Anticontrole”. Um guitarrista com cara de nerd, um baterista monstruosamente rápido e competente e um baixista idem tornavam praticamente impossível que alguém ficasse parado.

Mas não no CB. O público não parecia se importar com o fato de que a banda principal da noite estava ali. Depois do grupo de abertura (auto-intitulado Exclusives, cuja performance prefiro não comentar aqui, até porque cheguei no meio do show e não simpatizei com as versões em português de, hãn, Ramones), a platéia desapareceu. O montante que sobrou parecia grudado ao chão, impassível aos decibéis em profusão ao redor. É verdade que o show começou tarde, mas, enfim, a preferência geral foi tirar fora antes do orgasmo.

De certa forma, o Walverdes seguiu a onda. Apesar dos pedidos pela fantástica canção “Classe Média Baixa Records”, o grupo saiu do palco sem tocar seu grande hit. Das duas, uma: ou a trupe decidiu fazer um set list para si, já que a platéia não exigia tanta doação, ou realmente prefere andar na contramão para não sair da independência. Sem site e sem hit, o Walverdes amadurece na rebeldia.

Altamente recomendado como terapia de sexta-feira: http://www.myspace.com/walverdes

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