Sem açúcar, sem afeto

Publicado: 02/09/2007 em Uncategorized

É como pedir um pingado numa padoca desconhecida: chega a mistura de café com leite e, na primeira golada, há algo de muito errado. “Amigo, tem um açúcar aí?”. O vendedor mal-humorado aponta um potinho e lá vai você, tentar acertar a mistura mágica que te faz feliz todo santo dia.

“Zeitgeist”, álbum do suposto novo Smashing Pumpkins reunido por Billy Corgan, me desceu como café sem açúcar. Já em “Doomsday Clock”, faixa que abre o álbum com uma bela introdução do competente Chamberlin, a expectativa sobe a cada acorde de uma guitarra brutal com que Corgan nos presenteia. Quando chega a voz bizarra que sempre me cativou, cai a ficha: cadê o James Iha que tava aqui, hein?

Corgan dispensou seu colega guitarrista como se ele fosse só um japonês com penteado de cabelo estiloso. Esqueceu-se de que a harmonia que ele criava nas canções era justamente a sacada de que sua voz fanha precisava para soar como o contraste perfeito com a parede sonora de guitarras extremamente distorcidas características da banda.

Talvez ele só tenha se tocado disso (se o tiver) quando ouviu o álbum, assim como eu. Talvez Corgan queira seguir os passos de nosso colega brazuca Humberto Gessinger e acredite que o Smashing Pumpkins é só ele, mesmo. Mas, para quem chega a “Zeitgeist” com apetite de ouvir uma continuação ou um amadurecimento da antiga banda, a decepção é certa.

Há alguns destaques belos, como “Bleeding The Orchid”, “That’s The Way (My Love Is)” e “Neverlost”, que são justamente os momentos em que Corgan permite que a guitarra cresça e dê suporte às melodias das canções que sua voz, por conta, não consegue sustentar.

Quem se divertiu bastante com as mudanças foi Jimmy Chamberlin, que chegou a ser demitido da banda por exagerar na droga. O batera ganha visível destaque nas canções e mostra que suas levadas estão cada vez mais pesadas, prova de que valeu a pena o chefe ter lhe dado uma segunda chance. Por isso, lanço a campanha “Corgan, resgate o japa também”!

Por outro lado, o que se percebe não só com a pegada do batera é que o “novo” Smashing Pumpkins está um tanto quanto… heavy metal. “Tarantula”, o primeiro single, já mostrava um tanto disso. Mesmo “Starz”, canção que começa mais alternativa, segue a trilha dos hinos de metal. É como se a banda começasse o álbum tentando cativar os velhos fãs e, a partir da faixa 6, mostrasse: ó, era assim, agora ficou assim… vai querer?

Que me desculpem os fãs mais afoitos, mas eu, não.

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comentários
  1. Renato disse:

    Bota meu nome aí na campanha pelo resgate do japonês. Cabelo é tudo.

  2. Giul Martins disse:

    corgan, traz o japa e mina de volta vai!!! e faz a dança do siri!!

  3. chien andalou disse:

    …..assino embaixo do “pedir pingado numa padoca desconhecida”

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