Honestamente (ou a Teoria do Piano)

Publicado: 26/09/2007 em Uncategorized

“Echoes”, “Silence”, “Patience” e “Grace”, dizem, são os nomes dos quatro cachorros da raça lhasa-apso de Dave Grohl. É uma forma simpática de batizar um álbum no momento mais família que o ex-baterista do Nirvana atravessa em sua vida. Os quatros substantivos, no entanto, também servem pra narrar a carreira de Grohl e do Foo Fighters em si. O álbum, se não é o melhor (e não é) da trajetória da banda, sintetiza pelo menos alguns elementos que os Foo agregaram em sua carreira: diversão, presteza e – eu detesto essa palavra, enfim – maturidade.

Echoes: quer queira ou não, Dave Grohl ainda vive, graças à mídia, com ecos do Nirvana em sua mente. Basta ler as entrevistas que ele teve de conceder por conta da divulgação do novo álbum. O luto por Kurt, as brigas com Courtney, o início do FF são temas obrigatórios. Musicalmente, esse eco aparece de leve em “Come Alive”.

Silence: o caminho seguido pelo Foo Fighters, no entanto, ganhou coerência e respeito ao longo dos anos. A carreira da banda imprimiu uma marca, seja no timbre das guitarras, nas letras de Grohl, na irreverência mais “leve”. FF é diversão, e isso fica visível em potenciais hits como “The Pretender”, “Erase/Replace” e “Cheer Up, Boys (Your Make Up Is Running)”.

Patience: não consegui cair de amores pelo projeto “In Your Honor” especialmente porque me soava monótona a divisão entre fast/low, acústico/plugado. Mas reconheço que ele serviu para que a banda explorasse o melhor dos dois mundos. Ao juntá-los novamente, o resultado parece mais consistente, como em “Summer´s End” e “But, Honestly”. Até gostei da balada “Stranger Things Have Happened”.
Também é possível dar licença poética para um ponteio de viola na “Ballad of the Beaconsfield Mines”, uma homenagem aos mineiros que ficaram presos por dois dias em uma mina e pediram músicas da banda pra passar o tempo. Mas é só licença, mesmo.

Grace: A teoria do piano, criada por essa blogueira, funciona mais ou menos assim: quando uma banda de rock começa a explorar esse instrumento com mais veemência, provavelmente está fazendo uma espécie de antologia/revisitação/amadurecimento de sua trajetória. Foi assim com “Mellon Collie” do Smashing Pumpkins e parece acontecer com o FF nesse momento. A bela “Statues” e a autobiográfica “Home”, que fecha o álbum, dão essa pista. Grohl também disse à Rolling Stone que esperou a vida inteira para escrever essa última. Rá.

Um item fez com que a seleção natural das espécies roqueiras brindasse Dave Grohl com uma longa vida, e é exatamente a capacidade de vislumbrar esse estado de graça (letra e música de “Long Road To Ruin” falam por si e a teoria do piano também) . O músico é conhecido como o “cara mais legal do rock”, e não é à toa. Ao terminar de ouvir “Echoes”, soa impossível chamá-lo de fraco. Parece mais uma visita de um velho amigo em uma tarde preguiçosa que acaba por se tornar um momento de confidência inesquecível.

comentários
  1. Giul Martins disse:

    adorei a simbologia comparativa no texto.realmente a teoria do piano tem seu fundamento… …note que o wilco no último álbum, resenhado no engenho, está martelando nos ouvidos!!!embora não deguste com carinho o som do foo fighters, considero que a eliminação da sombra-nirvana é aprazível no som da banda do ex-baterista do nirvana.

  2. Alan de Faria disse:

    Comentei com um amigo meu há alguns dias que criaria a seguinte comunidade no orkut (se ela não existir, é claro): “eu queria ser amigo do Dave Grohl!”é issobeijosse cuida!P.S: não vejo a hora de eles voltarem ao Brasil! A lembrança do show deles no RR ainda permanece em minha cabeça! Foi foda demais!

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