Arquivo de outubro, 2007

Confissões sonolentas

Publicado: 27/10/2007 em Uncategorized

Duas confissões rápidas e dolorosas, caro leitor que acompanha esse blog sem atualização decente. A primeira é de 2001, show do Neil Young no Rock in Rio. Sim, caro leitor, eu dormi.

Dormi porque estava exausta do show do Dave Matthews (Top 5 show de todos os tempos) e contemplava com prazer a surpreendente Sheryl Crow; porque passei ONZE horas viajando e mais umas nove perdida junto com a excursão pelo Rio pois o motorista não sabia onde ficava a Cidade do Rock; porque fazia quarenta graus e eu já tinha me molhado zilhões de vezes e a Schin quente não aplacava a fadiga; enfim, eu dormi. Acordei em “Hey Hey My My”. E não me arrependo: talvez não estivesse pronta para um show do Mr. Young.

Não sei se é o mesmo caso da segunda confissão, que é de ontem. Dormi pesadamente em “One Plus One”, documentário do Godard com (e não sobre) os Rolling Stones, de 1968. O cineasta usa as filmagens capturadas durante a composição de “Sympathy for the Devil” como pano de fundo para abordar de forma experimental (ah vá) toda a questão política que permeava o mundo no final dos anos 60, com schetches de Panteras Negras, retóricas sobre a democracia e outras coisas. Mas não sei se eu não dormiria em outra oportunidade (apesar de já ser onze da noite eu ter trabalhando umas doze horas seguidas antes). O filme se perde como um hippie desiludido e com uma bad trip tremenda. E eu passo.

O que eu absorvi do filme, nos minutos em que me mantive acordada: a) nem o Charlie Watts conseguia achar a batida da música, o que me consola já que tocá-la não é assim algo bolinho; b) devia ser difícil fazer música sem um George Martin, mas Keith Richards consegue manter o espírito de perseverança; c) até que ponto uma geração absorvida pelas drogas conseguiu captar o espírito do que acontecia nas ruas, enquanto se mantinha enfurnada em estúdios enormes e protegidos? Por essa última, e só por essa, é que eu agradeço Godard.

“One + One” é a versão do diretor. “Rolling Stones: Sympathy for the Devil” é a versão do produtor Ian Quarrier, com três minutos de diferença. Parece pouco pra você? Bem, o Godard socou a cara do produtor quando viu o “Sympathy for the Devil” e ainda queria devolver o dinheiro de quem foi ao cinema ver. Ambos estão na Mostra e saem em DVD logo. Mas diz a lenda também que a versão de Ian é melhor (e tem mais Stones) que a do Godard. Se alguém tiver paciência de comprovar, por favor, me avise.

Acho que já deu pra perceber, mas Credencial Tosca está ocupadíssimo mergulhado na Mostra de Cinema e volta depois, com tudo que for possível absorver (ou não).

A lista fundamental que tentará ser cumprida segue abaixo. Pra garantir a ansiedade (e a audiência), vamos atualizando o que foi visto e adorado. Mas palavras, palavras mesmo, só depois:

Musicais:

BOB DYLAN: I´m Not There
KURT COBAIN: About a Son (foto)
SYSTEM OF A DOWN: Screamers
IAN CURTIS: Control – (Bom) retrato em branco e preto do melodrama da esposa traída
BILLY COBHAM: Sonic Mirror
BEATLES: Across the Universe – para os beatlemaníacos (tipo eu) chorarem sem dó
ROLLING STONES:
One + One (versão do Godard) e Sympathy for the Devil (versão do produtor)

Não-musicais:

BRAND UPON THE BRAIN (Guy Maddin)
PARANOID PARK (Gus Van Sant)
IMPÉRIO DOS SONHOS (Lynch) – ok, cara, eu me rendo. fan-tás-ti-coooooooooooooooooo
REDACTED (Brian de Palma)
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (irmãos Coen)
SENHORES DO CRIME (Cronenberg)
LUST, CAUTION (Ang Lee)
À PROVA DE MORTE (Tarantino)
PLANETA TERROR (Rodriguez) divertido e nojento, ou seja: perfeito

Acertos no calendário

Publicado: 15/10/2007 em Uncategorized
… ele não deu no couro…

Faltam 13 dias para a noite mais poderosa do TIM Festival SP. E…
… os próximos shows agendados da Björk já são os do Brasil.
… o Hot Chip lança álbum novo, “Made in the Dark”, no dia 4 de fevereiro de 2008 na Inglaterra, 05 de fevereiro nos EUA e deve tocar tudo isso aqui, daqui a 13 dias.

O Pink Floyd vai comemorar seus 40 anos. Mas não, espertinho, não é com um show. É com um box enooooorme, mesmo, com todos os álbuns de estúdio, raridades, entrevistas e outras quinquilharias de alto valor. No dia 26 de novembro.

Qual dessas duas autobiografias você acha que vai ser a mais rock and roll: Keith Richards ou Slash? Tudo bem que o guitarrista dos Stones nem precisou de um livro pra dizer que cheirou as cinzas do próprio pai, mas parece que Slash também tem coisas a dizer. Pelo menos é o que dá a entender o pequeno trecho do livro publicado pelo britânico jornal The Guardian. A autobiografia de Slash, no entanto, é mais humana: o cara assume que namorou a atriz pornô Traci Lords e não conseguiu transar com ela e que, enquanto se afundava em drogas, via pequenos homens-demônio e andava a noite inteira pela casa, armado até os dentes, tentando capturar essas e outras criaturas de sua alucinação. Quando? Logo, por favor!

Um: Gostei mais da atitude do Radiohead do que do álbum “In Rainbows” em si. Mas não ouvi o suficiente.

Dois: Enquanto todo mundo curte a ressaca da revolução de Thom Yorke, o Killers não dá folga e lança amanhã o single “Tranquilize”, o dueto da banda com o Lou Reed. E, dia 1º de dezembro, chega o single de Natal da banda, com o simpático nome de “Don´t Shoot me Santa”.

Treze: Ainda falando em Killers: essa aí é a capa de “Sawdust”, um álbum de lados B que ganha as prateleiras no dia 13 de novembro. E, enquanto você não vê “Control” na Mostra de Cinema de SP, pode curtir o cover que o Killers fez de “ShadowPlay”, disponível no site da banda. A canção-homenagem a Joy Division estará no “novo” álbum.

Em tempos de internet, o semanário NME está tentando provar a força que possui como veículo de comunicação. Na próxima semana, o single “God Save the Queen”, do Sex Pistols, completa 30 anos e o New Musical Express quer reparar um erro de três décadas e recolocar o álbum em primeiro lugar das paradas.

Em 77, o álbum estava tão bombado que essa seria sua posição, mas ele foi retirado da parada pelas autoridades para que o punk não comprometesse a celebração do jubileu da Rainha.

Agora, o NME quer que ele seja colocado lá, em primeirão, e quer a ajuda dos fãs. Empolgou? Escreva para news@nme.com com o assunto “Pistols” e diga o que pensa da música. Eles prometem publicar as melhores respostas.

Nós, aqui, lançamos um concurso sem prêmio, via post mesmo. Tom Morello, do Rage Against, disse que a banda não existiria sem Sex Pistols. E você, caro leitor, seria uma pessoa mais triste se os punks que tentaram salvar os ingleses da sua própria rainha não existissem?

A volta do proto-grunge

Publicado: 04/10/2007 em Uncategorized

Ei, ei, ei, você se lembra do Green River? Vou refrescar a memória: uma mistura de Pearl Jam e Mudhoney. Lembrou? Isso foi há mais de duas décadas, antes das bandas citadas pensarem em existir – na verdade, elas começaram meio que misturadas, ali. Pois para celebrar os 20 anos da gravadora Sub Pop, o antigo grupo proto-grunge vai se reunir.

Jeff Ament e Stone Gossard, do PJ, e Mark Arm e Steve Turner, do Mudhoney, vão se juntar ao batera Alex Vincent e imitar a formação original do Green River para um show que, segundo a Billboard, deve rolar nos próximos meses.

Por mais essa, eu repito: o Apocalipse está próximo. Tipo, uma coisa é zoar a volta do Genesis (com Phill Collins), a outra é ver gente tipo Led e Green River na ativa. Eu realmente acho que é mais fácil o mundo acabar.

OBS – na foto, o Green River com Bruce Fairweather, que entrou no lugar de Alex Turner e ajudaria a trupe no projeto posterior, o Mother Love Bone, que depois viraria o Pearl Jam. Entendeu? Não? Tudo bem.

Juro que eu queria postar outro assunto, mas, enfim: fãs do demo, uni-vos! No próximo dia 05 estréia no Brasil o filme-documentário Metal – Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal. A façanha é do antropólogo Sam Dunn, fã do gênero, que decide visitar lugares e pessoas-chave para entender por que o metal tem adoradores tão devotos e obcecados e desvendar suas relações com sexo e religião.

Além de visitar locais bacanas como Sunset Strip e as florestas negras da Noruega, Sam incluiu em seu roteiro personagens mestres como Tommy Iommi, Slayer, Alice Cooper, Bruce, o Dickinson, Dio, Lemmy e outros como Slipknot e Tom Morello.

Na ala de especialistas que dão seu depoimento, entre antropólogos, DJs, sociólogos e especialistas em Satã, está a fofa Pamela Des Barres, a supergroupie que escreveu o livro antológico “I´m with the band”.Quer mais? Entre os fãs entrevistados (jovens, velhões, etc) está um padre norueguês.

Definitivamente, uma jornada para quem tem estômago forte ( e Iron Maiden no coração).