O ano da maçã madura

Publicado: 18/12/2007 em Uncategorized

Não sei se é porque eu detesto a palavra, mas só ela me vem à cabeça quando penso em alguns dos melhores álbuns de 2007. Ela serve para você dizer que o som da banda é bom, evoluiu e talvez, muito talvez, tenha atingido um ápice decente.

A palavra mágica é maturidade; fruta madura, doce, por vezes com um quê da acidez da juventude e, em outras, uma jaca que explode no chão, um pouco passada (desculpem o mau humor, acho que é a idade).

O conceito serve para falar de:

– Neon Bible, trabalho do Arcade Fire que calou muito crítico e que traz consistência à carreira da trupe. Mas, na minha opinião, ainda não é melhor que Funeral;
– In Rainbows, álbum sensacional do Radiohead, que revolucionou a venda de música no mundo online e offline e que, de quebra, traz experimentações bacanas que mesclam o que de melhor o Radiohead capta do eletrônico e do orgânico;
– Echos, Silence, Patience and Grace, já esmiuçado aqui previamente e que mostra que o Foo Fighters aprendeu a unir o acústico, o plugado, o piano e o lírico em uma fórmula impossível de desgrudar;
– Fomedetudo, Nação Zumbi, que chegou aos 45 do segundo tempo e ainda assim conseguiu emplacar nos meus fones de ouvido com força, maracatu, rock and roll e toda aquela receita que a gente conhece bem, curtida no tempero da história da banda.

Dois álbuns de divas que foram aguardados com amor e carinho e que me decepcionaram como a amiga que rouba o seu namorado (no caso delas, roubaram meu tesão):

Joss Stone, com seu Introducing Joss Stone, deixou os fãs com veia soul um tanto perplexos, tentando entender o que ela fez com os cabelos e a black music;
P.J.Harvey e seu White Chalk, uma espécie de balada espírita minimalista que talvez eu ainda não tenha encarnação suficiente pra entender.

Dois álbuns que eu gostei bastante apesar das críticas, mas que me pareceram um tanto afetados pela megalomania (leia-se pé na jaca) de seus autores:

Eat Me Drink Me, de Marilyn Manson: guitarras primorosas fazem o álbum melhor que o show;
Year Zero, do Nine Inch Nails: Trent Raznor, quando contrariado, pode apelar para o industrial sem dó nem piedade do rock and roll.

Um último comentário: 2007 também é o ano da maçã madura porque o que não saiu do meu som, de verdade, foi Beatles. E do jeito mais tradicional que a Apple poderia imaginar em 2007: via CD.

PS – eu provavelmente esqueci uma porrada de álbum e devo remendar o post em breve.

comentários
  1. Giul Martins disse:

    Sky Blue Sky do Wilco é uma ótima pedida para lembrar de 2007.

  2. bruno disse:

    Beatles rules! Foi um ano bem Beatles eu acho. Teve os sei lá quantos anos do Sgt. Peppers, o filme Across the Universe, enfim. Não acho ruim não.

  3. edu disse:

    Gostei da idéia do disco-fruta-madura, conceito que realmente cai muito bem pro In Rainbow, pro Neon Bible, e também pra dois discões que não foram citados: o lindíssimo Sky Blue Sky do Wilco e o novo e fodão do Tio Bruce Springsteen. Qto ao novos do Foo Fighters e da Nação, duas bandas de confiança, ainda não cheguei a ouvir, mas tô baixando agora mesmo para remediar essa falta imperdoável… 🙂 E o Millhouse, toca em Sampa de novo quando? Não esqueçam de me chamar.

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