Arquivo de janeiro, 2008

Adeus, filhas da revolução

Publicado: 26/01/2008 em Uncategorized

Pagando a língua em 2008 parte 1, a missão. A Rolling Stone jura que o novo do Black Crowes sai em março e o brother Giul, do super Discoteclando, já encontrou o primeiro single. “Goodbye Daughters of the Revolution” é mais uma bela canção dos rockers setentistas.

Com dois integrantes novos na parada e um guitarrista com uma bota enlameada de delta e outra dos guetos nova-iorquinos (segundo o próprio Giul, que é quem manja de Crowes como ninguém que eu conheço), a banda não parece perder a essência de suas músicas. Mas quando os maiores porta-vozes dos anos 70 nos mandam tchau, é sinal de que o mundo precisa de uma nova contracultura, talvez com menos paz e menos amor.

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Short Cuts

Publicado: 22/01/2008 em Uncategorized

* A Sonic Youth Kim Gordon banca a atriz no curta-metragem Pure With Light, do diretor Alia Raza. Segundo o site do Pitchfork, o filme vai rodar os festivais de cinema e deve estrear em Los Angeles e Nova York, mas você não vai me pedir a previsão de lançamento de um curta, vai?

* Os barulhentos Walverdes, que comemoram 15 anos de porrada em 2008, prometem tocar todas as músicas do álbum novo em um show em São Paulo, dia 14 de março, no Clube Praga.

O ataque das monobandas

Publicado: 18/01/2008 em Uncategorized

Se você assistiu à animação “Carros” no cinema deve se lembrar do curta com dois One Man Bands – homens que, sozinhos, tocavam um instrumento com cada canto do corpo, de uma forma picaresca que lembrava os trovadores da Idade Média, disputando a moeda de uma menininha. Pois bem, a invenção data dessa época, mas está mais atual o que nunca. Levando a máxima Do It Yourself ao extremo, as One Man Bands contemporâneas mesclam blues, rock, glam, punk, reggae e muita originalidade.

Há um tempo, cobri um festival de monobandas em São Paulo que contava inclusive com Marco Butcher, da lendária Thee Butcher´s Orchestra, transmutado em Uncle Butcher. No evento, havia apenas One Man Bands do Brasil. Parece que a galera se uniu ao redor do globo e agora ataca o nosso país em uma turnê batizada de “Invasão: One Man Bands Tour”.

A turnê passará por São Paulo, Sorocaba, São Carlos, Atibaia, Bragança, Belo Horizonte, Curitiba e Blumenal e terá a participação de duas One Man Bands italianas: Mr. Ochio (foto) e Number 71. Do Brasil, participam Gómez Mescalero, Chuck Violence (muito bom), O Lendário Chucrobillyman (muito bom também) e The Fabulous Go Go Boy From Alabama (idem idem).

O barulho começa no próximo dia 24, no estúdio Caffeine, em São Paulo. Quem quiser ouvir, se divertir e acompanhar a trupe pode entrar no MySpace da turnê: http://www.myspace.com/monobandas

Yoko Ono – uma não-visita

Publicado: 15/01/2008 em Uncategorized

Sem sol, sem grana e sem nada pra fazer, decidi por fim visitar a retrospectiva da Yoko Ono, ainda em Sampa, no último sábado. As nuvens se acumulavam, mas, mesmo assim, eu e meu namorado decidimos ir de metrô e aportamos na praça da Sé rumo ao esquisito.

No meio do passeio, desviando de tecladistas de forró e evangelizadores de todo tipo de seita, um simpático engravatado nos convidou a entrar para conhecer a Bolsa de Valores de São Paulo. O calor massacrava lá fora e eu vislumbrei um ar condicionado pra tomar fôlego no meio do caminho.

Tudo muito bonitinho, ações mostravam quanta gente ganhava e perdia dinheiro no lugar, uma turnê histórica e, quando a gente voltou à porta, o mundo caía do céu. Tentamos por mais um quarteirão chegar ao CCBB, mas fomos obrigados a parar em um boteco. E nada seria mais providencial para esperar o temporal passar do que uma, duas, algumas cervejas. São Pedro parecia empolgado, então desce um risole e aquela pimentinha sarada, que quase me fez ver estrelas, e desce mais cerveja.

Quando a chuva saiu de cena, a vida era só felicidade e eu fui logo me encantando com a primeira instalação da exposição, que faria Paulo Coelho se remoer de inveja: a artista ensinava você a colocar pedrinhas de um lado que lembrassem coisas tristes e, do outro lado, pedrinhas para cada momento feliz. Achei bonito aquilo, sabe? Mal sabia eu que o local estava repleto de “pequenas instruções para a vida” coladas pela parede. Algumas, confesso, até fizeram sentido. De verdade.

A parte mais divertida, no entanto, foi negada a nós, reles mortais brasileiros, que são justamente as instalações em que, na teoria, poderíamos interagir. Nem na tal escadinha que o Lennon subiu e leu o “sim”, que ela diria posteriormente no pseudo-altar pra ele, não pudemos subir (duvido que era a mesma, enfim). Mas a essa altura as obras de Yoko se pareciam com um útero quentinho e lúdico, e as referências à mãe fariam Freud gargalhar no boteco quando alguém discutisse a relação dela com o ex-Beatle.

Conforme subia as escadas e seguia em frente, no entanto, tudo ganhava um sentido tenebroso manchado de sangue e abstracionismo, um quê de levante político e bom-mocismo, e a cerveja bateu no rim e eu fui desaguar a alegria no banheiro. Na última instalação, “Espécies em extinção”, que mostra a escultura de algumas pessoas morrendo de fome e/ou de dor, o guarda, solitário, puxou papo com a gente e contou que gosta de pregar uma peça em alguns visitantes, dizendo “o duro é quando o do meio se mexe”.

E essa foi a melhor definição pra mim da exposição até a gente chegar no metrô e encontrar quatro baldes esparsos, pretos, colocados para conter goteiras. E comentamos quase em uníssono que, se alguém colocasse uma plaquinha na frente escrito “Sem Título”, com a assinatura dela, todo mundo ia acreditar.

Me vê um quilo de alegria.

Publicado: 14/01/2008 em Uncategorized

Hoje em dia virou meio que lugar comum falar do barulho que as bandas, independentes ou não, fazem com o uso da internet, da facilidade de chegar a um público que curta o seu som, mesmo que virtualmente, etc e tal. Hoje eu aproveito o anúncio de um show muito bacana pra retomar um exemplo de banda pop que, literalmente, vai onde o povo está: a Homem do Brasil.

Quem acompanha esse espaço deve se lembrar da minha descrição de um show dos caras, há um tempão, na avenida Paulista, com madames, poodles, crianças e a família brasileira como um todo entoando os refrões deliciosamente pops dos caras. Pois bem. A HDB lançou seu quarto álbum pela Universal Music ainda no ano passado, produção de Rik Bonadio e tudo. E o que eles fizeram? Não, você não perdeu o Faustão em que eles apareceram. Ao invés de esperarem sentadinhos a vez de usufruir dessa estrutura básica que uma major, na teoria, deveria oferecer, os caras criaram um espaço com o nome da banda em São Paulo onde, além de mandarem seu próprio som, recebem cursos, palestras, performances e fazem no mínimo uma festa mensal reunindo um público que transita pelo universo da banda. A Homem do Brasil agregou assim uma gama de fãs, músicos, artistas e de pessoas interessadas na música e na filosofia que rege o grupo.

Outra coisa: se você quiser ver os caras ao vivo, fique de olho na agenda. Não é difícil encontrá-los em redutos onde há vida genuinamente humana, tipo Praça da República, Liberdade, avenida Paulista. É nesses lugares, pegando a gente de surpresa enquanto passa pela rua e pelo dia, que a HDB exibe seu caráter mais pop: o de agregar as pessoas em uma só voz, cantando músicas de que elas nem sabiam que gostavam tanto.

Mas eu vim aqui na verdade pra falar do show em comemoração aos 10 anos da HDB, que rola no próximo dia 09 de fevereiro no Centro Cultural São Paulo. A celebração vale especialmente pra quem curte filosofias à la Maharishi: na ocasião, a banda vai lançar seu quinto cd, só com mantras indianos, intitulado “Portal 11:11”. Paz na terra e vida longa às bandas de boa vontade, já diria alguém com bom senso.

Uma O “home” do Pixies, sr. Black Francis, vai lançar um mini-álbum (what the fuck is um mini-álbum, alguém me explica?) com sete músicas pra dar suporte a uma turnê que ele vai fazer lá pelas terras da Rainha.
Enquanto um povo aí vive de ressuscitar hit pra ganhar dinheiro com ingresso, sr. Francis foi lá e, segundo o NME, passou seis dias em estúdio e saiu com “Svn Fngrs”, o novo álbum, pronto.

Duas Será que agora vai? Há anos finalizando seu álbum solo duplo, Andréas Kisser faz um “Workshow” em Sampa no próximo dia 27, no Centro Cultural São Paulo. O guitarrista do Sepultura promete mostrar músicas do seu projeto paralelo e vai abrir espaço pra bate-papo com os fãs. O ingresso custará 15 pila.

Três Enquanto isso, Ig(g)or e Max vão pra Paris, onde estão filmando e tirando fotos para o Cavalera Conspiracy, projeto que os brothers tentaram tanto esconder da imprensa nos últimos seis meses. O álbum “Inflikted”, como já foi anunciado, será lançado no dia 24 de março e o primeiro single, “Sanctuary”, ganha premiere oficial no dia 03 de março.

Três bandas novas

Publicado: 02/01/2008 em Uncategorized

Pra mostrar quanta coisa boa a net nos traz e o tempo que você já perdeu em 2008, trago uma banda nova para cada novo dia do ano, pra tirar o atraso:

Superquem (foto) – Bauru (SP)

Dois baixos, guitarra, batera encorpada e programação compõem um som instrumental que faria Thurston Moore se remoer de inveja. Sem dúvida, o Sonic Youth brasileiro com louvor.

Destaque: “Pesada”

October Leaves – Fortaleza (CE)
http://www.myspace.com/octoberleavesthebuilding
Talvez seja apenas besteira pós-moderna, como a banda se descreve. Mas é uma besteira muito bem feita, com altas doses de boas referências (cinematográficas e visuais, inclusive) e uma melancolia que você não acredita que vem do Ceará. Vocais belíssimos a la Smiths completam a harmonia.
Destaque: “High Tension HUmming”
Strange Music – São Paulo (SP)

Como os caras mesmo se autodenominam, “strange music for ordinary people”. Programações e guitarras dão beleza a canções instrumentais mais sutis na escala sonic youthiana.

Destaque: “Entre parênteses”