Post de nº 200: It´s only rock and roll

Publicado: 17/04/2008 em Uncategorized
Se falar de música já é uma blasfêmia com a arte, narrá-la nas telas do cinema é ainda mais complicado. Atualmente, temos dois caminhos bem opostos que foram trilhados por grandes diretores e cada um deles traz pontos sublimes e outros nem tanto nas telonas: “Não Estou Lá”, filme inspirado em Bob Dylan, de Todd Haynes, e o documentário “Rolling Stones – Shine a Light”, do mestre Martin Scorsese.

“Não Estou Lá” vale-se de um recurso brilhante para abranger versões deliciosas de um mesmo personagem, no caso, Dylan. Um andarilho negro de 11 anos e um ator são algumas das faces irreverentes que Haynes coloca nas telas para representar aspectos da personalidade, da vida e da obra do cantor folk. Usar Cate Blanchett para interpretar o Dylan da guitarra elétrica foi outro momento glorioso. Essa liberdade, no entanto, resvala em um filme para iniciados, que conseguem ler em cada frame onde se encontra Bob Dylan. Caso contrário, torna-se uma bela poética estética livre. Apesar de muito presente em toda a trama, a música raramente toma o primeiro plano da narrativa.

Scorsese tomou o rumo oposto ao deixar os Stones no palco em “Shine a Light”.O filme começa como um making of de si mesmo, com o diretor descabelado sem o set list que seria filmado daí a poucos minutos e toda a produção que envolveu o show e a gravação no Beacon Theatre. A metalinguagem, no entanto, é só o início da forma de Scorsese de mostrar a irreverência e a atitude completamente desencanada do grupo.

Enquanto mostra a banda fazendo o rock que melhor sabe fazer, em um show com participações especiais – e cá entre nós, só as imagens captadas por ele de um show normal já são algo primoroso, como os closes de Buddy Guy e as expressões de Keith Richards – , o diretor busca arquivos interessantes de entrevistas concedidas pela banda desde o mais tenro início. Esse momento de resgate, no entanto, são mínimos, e a platéia se vê assistindo a um enorme show dos Stones no cinema intercalado por breves momentos de documentário. O que, diga-se de passagem, não é assim tão mau: ao fim da sessão, parte da platéia se levantou para pular em “Satisfaction”.

Como diria o próprio grupo: “It´s only Rock and Roll, but I like it”.

comentários
  1. Hey Ana! Sempre coisas mui bacanas aqui no blog! =) Esses dois filmaços eu assisti no cinema recentemente e curti bastante, apesar da diferença entre os dois: um é um showzaço dos Stones sem mta firula e com pouco de “autoral” do Scorcese, que soube ser bem discreto e deixar Jagger, Richards e companhia serem as verdadeiras estrelas… No cinema, tinha uma galerinha mó empolgada, que foi com o espírito de quem vai pr’um show. Quase deu briga e quase que o lanterninha tem q expulsar os mais “empolgadinhos” da sala! (hehe!)O outro é um filmão que soa experimentalzão e original, mas que eu achei bem fiel ao espírito dylanesco… fiquei com a impressão de que o Todd Haynes fez algo pensando “que tipo de filme sobre o Bob Dylan o próprio Bob Dylan gostaria de assistir?” E saiu-se com esse “Não Estou Lá”, que é um filmão para dylanmaníacos mas que deve soar meio sem-pé-nem-cabeça pra quem não manja dos detalhes biográficos da vida do cara… Ah, e deixei de comentar em momento mais oportuno, no post certo, mas estou curiosíssimo pra ouvir o som do garoto-suicida que saiu na Rolling Stone, mas ainda não achei as êmetrêizes por aí! Se puder, depois me passa? Bjo!E é noise na sexta!!! Na empolgação total!!! 😀

  2. ooops! onde se lê “êmetrêizes”, leia-se “êmePÊtrêizes”! =)

  3. Di Giacomo disse:

    Enquanto o Milhouse não arruma show a gente investe na auto-promoção blogueira sem objetividade jornalística nenhuma:Mulher Melancia, Milhouse e Britney Vida Louca em: http://memoriasdeumperdedor.blogspot.com/

  4. Ana Alice disse:

    2 – Fred, seu traficante de views, pára de chupinhar a audiência alheia, hahahahahahahahaha

  5. Veio disse:

    Eu curto aquele ray-ban à lá Bob

  6. Ilis disse:

    Ainda não vi “Rolling Stones – Shine a light”, mas estou curiosa.E amei “Não Estou Lá”, mesmo sem ser nenhuma iniciada. Aliás, uma coisa boa foi que o filme me deixou ainda mais interessada em conhecer a obra de Bob Dylan.Mas concordo com você… O filme é mais sobre a(s) personalidade(s) dele do que sobre sua música.(Embora eu me pergunte: no caso dele, dá para separar uma coisa da outra?)Bjs!

  7. Discoteclando disse:

    entre todos os meus poucos dvds de shows dos stones – e olha que não são poucos – naõ vejo a hora de shine a light sair em dvd, assim posso ter uma visão diferente de um show dos stones, pois cada momento da enquadramento do filme de scorsese é uma nova visão, com detalhes e expressões que demonstram como os stones continuam na mesma veia que iniciaram há mais de 40 anos… e isso não é ruim, é apenas rock and roll. E saindo em dvd eu paro de gastar meu parco dinheiro em sessões de cinema…

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