Guarânias subversivas

Publicado: 17/05/2008 em Uncategorized

(chupa, Los Hermanos!)

Ser punk não é exatamente uma escolha; na maioria das vezes, é uma condição. Daí é possível entender a alegria de Wander Wildner no lançamento de seu mais novo álbum, La Canción Inesperada, na última quinta no Sesc Pompéia. Ele, que transcendeu a botinada dos Replicantes quando se lançou em carreira solo e produziu o que chamou de punk brega, dá nova roupagem latina e festiva ao subversivo.

É fácil explicar o sorriso de Mr. Wildner – um pouco de Wando, um pouco de wild, segundo o próprio – porque só ele é capaz de continuar fazendo músicas absolutamente simples do ponto de vista técnico, que não se afastam em nada de suas raízes de três acordes, e sem precisar reinventar sua condição, vomitar criatividade no público. A prova está nesse vídeo, que traz uma de suas maiores pérolas, “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro”, em versão marchinha de Carnaval, com direito a um pseudo-naipe de metais.

E quando um amigo punk leva ao palco do Sesc Pompéia um naipe de metais, acredite, é bom prestar atenção.

Sua nova roupagem cancioneira não se afasta muito do ícone punk brega, já bem fincado no inconsciente dos fãs ardorosos. O mais interessante, no entanto, é que mais que se reinventar, Wander se autoreferencia, se assume, se escancara em boas novas músicas. Algo que Sérgio Dias, por exemplo, poderia estar fazendo com muito mais recursos técnicos e materiais.

Acompanhado de seus “comancheiros”, explica que não vai consertar os dentes; aconselha que não congelem sua imagem, e escracha a via boêmia da sarjeta ao pedir que a garota lhe dê um bom motivo para não cheirar cola nessa noite. E aproveita a oportunidade para doar aos fãs as velhas canções em versões sensacionais. Entre a escolha e a condição, Wander decidiu ser feliz, como um pierrô bem-aventurado.

pS – set list e backings devidamente roubados da baterista 🙂

comentários
  1. Texto fodaço, Ana! Transmitiu perfeitamente qualé o charme e a genialidade desse gênio do punk brega carnavalesco e tom-waitsiano (!) que é o tio Wander dos dentes hard-córi. 😉 O que eu acho mais incrível no show dele é que quando ele canta “eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”, você fica com vontade de berrar: “é mentira!”. Pois pelo menos durante o show ele consegue, sim, ser uma tempestade ininterrupta de alegria que chove sobre o público, para curtição geral… 🙂E faltou a fotinha do Vinho Argentino que roubamos do palco e que já virou um souvenir aqui no meu quarto! No meu testamento vou escrever: “não quero rosas nem vela – ponham no meu caixão a garrafa de vinho que roubei do Wander Wildner…” (rs)p.s.: mandei pro teu Gmail o prometido convite para vc se unir à gangue de Depredadores de Orelhão… Filie-se à turma! Esse post aqui, por exemplo, poderia aparecer por lá também, com linkzinhos para discos do Wander no final (se quiser, eu posso fazer o upload por aqui e vc entra só com o texto). Fica a idéia. Se tiver a fim, mandavê por lá… E aproveita pra fazer um marketing do Credencial! =)NÓISE!

  2. Discoteclando disse:

    punk é assim afineta um mutante sem do nem piedade, mas como na versão punk-brega do cancioneiro, faz isso sem perder a ternura jamais.

  3. Di Giacomo disse:

    Muito bom o texto, deve ter sido muito bom o show também…

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