Arquivo de outubro, 2008

E lá fomos nós, para o alto e avante, no palco do PLIS Rock 2008. A banda Milhouse fez um show mais curto e beeeem mais nervoso que o tradicional (com direito a Garotos Podres, perceba), mas foi bem divertido, com a presença de besouros assassinos me atacando e a gente dando autógrafo nos nossos CDzinhos pós-show.

Mas como de jabá esse blog já tá cheio, decidi falar da banda que tocou logo depois da gente, a bauruense Dots. Já tinha ouvido falar (bem) desse trio quando trampava em Bauru, e pude comprovar que a banda manda um punk rock pra lá de competente em termos de energia, presença de palco e, sim, técnica.

Formado por duas minas (baixo, guita e vozes) e um menino (batera), a Dots consegue marcar as frases das músicas sem perder a velocidade. Destaque, claro, para o batera, que é o que mais me chama atenção, com zilhões de notas bem pontuadas por segundo. As meninas fazem jus a qualquer referência riot-dominatrix possível – mas não perdem a atitude nem pra cantar uma bem-arranjada versão de Spice Girls.

Difícil imaginar? No MySpace da Dots tem duas músicas bem bacanas que ilustram um pouco o que a gente viu lá: “Brand New Girl” e “What About Now”.

Anúncios

Agora Vai

Publicado: 18/10/2008 em Uncategorized

Depois do saldo de TRÊS amps queimados e um não-show na USP (veja mais no blog da Liga), a Milhouse toca hoje à noite na gloriosa cidade de Penápolis (terra da Sabrina Sato e do Zé das Medalhas, do Bar Azul da Frei Caneca), no Festival PLis Rock.

Agora vai!!!!

Cartaz Bacanudo

Publicado: 16/10/2008 em Uncategorized

Com arte do Marcolino, bass player, backing vocals e sensational designer da Liga das Senhoras Católicas.
Cartaz chupinhado do novíssimo blog da liga.

Double McJabá

Publicado: 14/10/2008 em Uncategorized
Liga das Senhoras Católicas

+
Milhouse
Onde, gente? No Quinta e Breja, na ECA – USP
Quando? Depois de amanhã – quinta (voilá), às 22h30
A atração da noite: o braço da baterista caindo de tanto tocar, hahahahaha…

Menina na bateria

Publicado: 09/10/2008 em Uncategorized

Quando comecei a tocar, no alto dos meus 14 aninhos quase idos, meninas na bateria eram tão raras quanto calça de skate feminina (não existia, a gente usava as masculinas mesmo e parecia um saco de batatas). Hoje, com a volta da moda em torno da música, com meninas rockstars até no Brasil, eu realmente achava que essa “barreira” estivesse um tanto vencida. Vide a banda do Altas Horas, só de mulher, com a Vera Figueiredo, mor referência, e talz.

Eis que estou na situação 1, parada no balcão da loja de instrumentos, esperando alguém atender. Nada.
Vendedores passam de um lado pra outro e, em pleno sábado à tarde, devem achar que aquela menina está acompanhando o seu namorado e parou ali pra descansar.

– Oi, posso ajudar?
– Sim, estou procurando baquetas com aquela borracha que não deixa escorregar.
(o nome da borracha é grip mas, como é a única loja da rua que tem essa baqueta e todo mundo faz cara de surdo quando falo esse nome, decidi ser didática)
– Não existem baquetas com borracha na ponta, só nylon.
– Não nessa ponta, na outra, de segurar. Chama-se grip (eu perco a compostura)
– É pra você?
Suspiro. Não, querido, é pro espírito do Jonh Bonham, aqui ao lado.
– Sim.
– Você toca bateria???? – o sorriso do moço se alarga e ele deve suspeitar que meninas bateristas são fáceis de catar. Fecho a cara.
– Sim.
– Estão aqui. São 20 reais – o sorriso congela no rosto do moleque. O Coringa pareceria depressivo perto dele.
– Vou levar, você fecha o pedido? – continuo com uma cara de “eu não vou dar pra você, meu querido”.

Situação 2, alguns meses depois. Entro na mesma loja (é só lá que tem a tal baqueta), morrendo de pressa, e já suspiro. Um atendente sorri pra mim enquanto fala ao telefone.

– Oi, eu preciso de baquetas com grip.
– Baquetas com quê?
– Com grip, querido, aquela borracha pra segurar.
– Qual marca?
– Qual vocês têm? Costumo levar uma com borracha rosa.
– Ah, é Ibanez – ele quase soletra, didático.
– Ok, quero a sete com ponta de nylon.
– São pra você? – ele se assusta.
– Sim.
– Você toca bateria? – novamente a surpresa e o sorriso.
– Sim – novamente a cara de “não é porque eu toco bateria que eu vou dar pra você” – Você fecha o pedido, por favor? Já tenho cadastro.

O rapaz continua sorrindo enquanto acha meu cadastro. Eu realmente cogito jogar a baqueta nele enquanto olho pro relógio e estou mega atrasada.

Quando comecei a tocar, mesmo parecendo um saco de batatas enfiada em calças masculinas, dava pra xavecar um menino com esse papo de “olha, eu toco bateria”. Não sei se eu fiquei mais ranzinza ou se a galerinha do rock é que continua nessa mesma vibração de “menina não entra”.

Preguiça…

(texto originalmente publicado no blog da Milhouse)

Uia

Publicado: 06/10/2008 em Uncategorized

E aí o brother Lúcio, a mente por trás do Depredando e misterioso guitarrista da Liga das SenhorasCatólicas, fez um texto bacanudo do festival na revista O Grito e a minha declaração de amor ao Dave Matthews entrou no pacote…

Que orguio!

Parcial e desobjetivamente

Publicado: 02/10/2008 em Uncategorized

Fazia sete anos desde o nosso primeiro encontro. Ele chegou sem muito aviso, cinco minutos antes do combinado, e foi logo relembrando os velhos tempos. Um tanto mais calvo, mas ainda mais feliz apesar do mau tempo que se revezava nos céus com algumas estrelas. Sorria. Bêbado, com certeza, mas empolgadíssimo, ensaiou passos de dança desengonçados que me fizeram rir. O resto foi um lapso de duas horas e meia na minha mente, que ainda tenta retomar pedaços do que aconteceu.

Fica brega quando é outra pessoa falando. Mas quando você é fã da espécie mais ridícula, de dar piti, chorar e cantar junto, fica assim, achando que mundo mudou por uma noite de show. Eu, por exemplo, desisti de disfarçar no último domingo, no Festival About Us, quando a Dave Matthews Band entrou no palco.

Não foi escandaloso como da primeira vez, no Rock in Rio, quando eu me transformei numa abóbora fincada no chão durante três músicas, chorando feito pata. No entanto, seria inútil tentar manter algum tipo de integridade jornalística enquanto a banda destilava seus “hits”, com a ilustre presença do guitarrista Tim Reynolds, um dos grandes parceiros de composição de Dave Matthews, e os malabarismos do baterista Carter Beaufort se revezavam à minha frente, um show à parte. A participação de Ben Harper em “All Along the Watchtower”, que se transformou em lead para quem cobria o evento, foi pífia para quem já se contentaria com a explosiva versão da DMB pra esse clássico do Dylan, mas deu ainda mais emoção ao momento.

Impecável do ponto de vista técnico e empolgante se considerarmos o bandleader um verdadeiro fanfarrão, o grupo deixou o coração dos fãs em frangalhos ao disparar “Tow Step” de cara, “Crash into me” na primeira meia hora de show, emendar “What would you say” e “Too Much”, não sair sem antes cantar “Ants Marching”, voltar e logo atender o pedido da galera por “#41”, e fazer todo mundo perder a voz com “Warehouse” e “Stay”. Como eu disse, minha mente sofreu um colapso e eu realmente não vou me lembrar de todos os detalhes. Mas fã que é fã sempre quer mais, e ficaram faltando boas músicas do melhor álbum do grupo, o “Before These Crowded Streets” (1998), como “Rapunzel” e “Don´t Drink the Water”.

Nosso amigo Fred analisou a coisa de um ponto que eu nunca tinha pensado, mas é real: mesmo sem grande divulgação na mídia ou nas rádios, a Dave Matthews Band tem fãs no Brasil tão fervorosos quanto o Los Hermanos. O grupo teve problemas de distribuição no país e há anos os CDs não eram mais vendidos por aqui (voltaram a ser vendidos agora, com o show). No entanto, isso só atrapalhou os fãs quando Dave anunciava como novas as canções que faziam parte de seu recente álbum, “Stand Up”, do qual pouca gente ouviu falar por aqui (mas que é bem do bom). De resto, a platéia era toda sorrisos, gritos e coro.

E eu, bem, eu estou tentando achar o caminhão do qual eu caí.