Parcial e desobjetivamente

Publicado: 02/10/2008 em Uncategorized

Fazia sete anos desde o nosso primeiro encontro. Ele chegou sem muito aviso, cinco minutos antes do combinado, e foi logo relembrando os velhos tempos. Um tanto mais calvo, mas ainda mais feliz apesar do mau tempo que se revezava nos céus com algumas estrelas. Sorria. Bêbado, com certeza, mas empolgadíssimo, ensaiou passos de dança desengonçados que me fizeram rir. O resto foi um lapso de duas horas e meia na minha mente, que ainda tenta retomar pedaços do que aconteceu.

Fica brega quando é outra pessoa falando. Mas quando você é fã da espécie mais ridícula, de dar piti, chorar e cantar junto, fica assim, achando que mundo mudou por uma noite de show. Eu, por exemplo, desisti de disfarçar no último domingo, no Festival About Us, quando a Dave Matthews Band entrou no palco.

Não foi escandaloso como da primeira vez, no Rock in Rio, quando eu me transformei numa abóbora fincada no chão durante três músicas, chorando feito pata. No entanto, seria inútil tentar manter algum tipo de integridade jornalística enquanto a banda destilava seus “hits”, com a ilustre presença do guitarrista Tim Reynolds, um dos grandes parceiros de composição de Dave Matthews, e os malabarismos do baterista Carter Beaufort se revezavam à minha frente, um show à parte. A participação de Ben Harper em “All Along the Watchtower”, que se transformou em lead para quem cobria o evento, foi pífia para quem já se contentaria com a explosiva versão da DMB pra esse clássico do Dylan, mas deu ainda mais emoção ao momento.

Impecável do ponto de vista técnico e empolgante se considerarmos o bandleader um verdadeiro fanfarrão, o grupo deixou o coração dos fãs em frangalhos ao disparar “Tow Step” de cara, “Crash into me” na primeira meia hora de show, emendar “What would you say” e “Too Much”, não sair sem antes cantar “Ants Marching”, voltar e logo atender o pedido da galera por “#41”, e fazer todo mundo perder a voz com “Warehouse” e “Stay”. Como eu disse, minha mente sofreu um colapso e eu realmente não vou me lembrar de todos os detalhes. Mas fã que é fã sempre quer mais, e ficaram faltando boas músicas do melhor álbum do grupo, o “Before These Crowded Streets” (1998), como “Rapunzel” e “Don´t Drink the Water”.

Nosso amigo Fred analisou a coisa de um ponto que eu nunca tinha pensado, mas é real: mesmo sem grande divulgação na mídia ou nas rádios, a Dave Matthews Band tem fãs no Brasil tão fervorosos quanto o Los Hermanos. O grupo teve problemas de distribuição no país e há anos os CDs não eram mais vendidos por aqui (voltaram a ser vendidos agora, com o show). No entanto, isso só atrapalhou os fãs quando Dave anunciava como novas as canções que faziam parte de seu recente álbum, “Stand Up”, do qual pouca gente ouviu falar por aqui (mas que é bem do bom). De resto, a platéia era toda sorrisos, gritos e coro.

E eu, bem, eu estou tentando achar o caminhão do qual eu caí.

comentários
  1. é um texto que assim que demonstra como um jornalista pode ser parcial e desfilar veracidade pelos poros, e aqui no caso, pelos olhos. isso me faz até querer ouvir dave matthews band. chore anaa, os bons são poucos e a maior parte deles já não está mais entre nós.

  2. Tat disse:

    caralho.é o segundo show que eu curto pelo seu blog e vejo que REALMENTE fiz uma bela cagada de nao ter ido. 😦

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