Arquivo de janeiro, 2009

Música para acasalamento

Publicado: 26/01/2009 em Uncategorized

Caiu nas minhas mãos a edição de fim de ano da The Economist (pois é) com uma matéria de capa, no mínimo, peculiar. “Why we love music”, refletia a revista em um 2008 marcado por revoluções do tipo a crise americana, o Guitar Hero e a joint venture das gravadoras pra vender música digitalmente.

O mais espantoso, no entanto, foi descobrir que a matéria não citava nenhuma dessas questões. Baseava-se em pesquisas de cientistas do mundo todo que argumentavam, basicamente:

1. Que a música é a forma de nossa espécie de chamar a atenção do sexo oposto e, com isso, cumpriria a básica função de auxiliar no acasalamento humano. Cantar, tocar e dançar seriam o equivalente no homem ao rabo no pavão. Daí o seu desenvolvimento no homo sapiens, seguindo a teoria de Darwin – uma espécie de seleção natural-sexual. Um cientista da Universidade do Novo México analisou a carreira de músicos de jazz do século passado e concluiu, inclusive, que o talento musical desponta na puberdade e atinge seu auge paralelamente ao auge do vigor sexual masculino. O cara chega a usar exemplos como Jimi Hendrix e Robert Plant, vorazes devoradores de groupies, para comprovar sua teoria.

2. Outra vertente acredita que a função da música na espécie humana seja um pouco mais complexa e una não só os sexos opostos como um grupo grande de pessoas. Segundo um outro cara, dessa vez da Universidade de Oxford, a relação dos primatas com a música e a linguagem só rolou porque eles começaram a se reunir em grupos muito grandes e a comunicação não era mais possível pelo contato físico. Quem já assistiu a um show em estádio sabe do que o povo tá falando. Aí começa uma discussão se a música veio antes da fala ou a fala veio antes da música (devo lembrar novamente os leitores que estamos falando da edição de fim de ano da The Economist).

3. Aí por fim chega uma galera de uma universidade sueca e meio que amarra tudo isso, segundo a matéria, por identificar seis maneiras diferentes pelas quais a música mexe com as emoções humanas. Ou seja: o homem das cavernas pode até ter começado acidentalmente a usar o gogó, mas logo descobriu que ele poderia ser útil como o fogo.

O mais curioso disso tudo? É a própria matéria, que de alguma forma responde a questão. Se em um ano marcado por crises financeiras que chegaram a aumentar a audiência de sites do tipo “encontre sua cara-metade”, e uma crise mais específica na indústria da música em si, uma revista do porte da The Economist elege uma matéria sobre música para fechar o ano, é sinal de que o assunto, no mínimo, é capaz de dar uma mensagem de esperança e desejo que poucos outros dariam.

Dá pra ler a matéria no site da publicação.

Amores, processos e versões

Publicado: 24/01/2009 em Uncategorized

A moça cansou de lamber, agora ela só quer amar. Juliette Lewis anuncia que mandou os Licks embora e prepara um novo projeto chamado “Juliette Lewis and the New Romantiques”. Com novo visual e, pelo que parece, novo som, Juliette promete um 2009 zero bala. “Tenho trabalhado com um produtor secreto e uma banda secreta em um projeto secreto que logo se tornará não-secreto”, revela em seu blog no MySpace.

A dura vida de um rockstar: Slash e sua mulher estão processando os caras que venderam uma casa pra eles em Hollywood Hills porque eles não conseguiam dar festas na casa. Segundo o NME, parece que o cara passou um xaveco no casal dizendo que o local era uó pra gandaia e eles descobriram que a casa era pequena pra tanto convidado e a rua tinha restrições pra galera estacionar as carangas.

A capa da revista Q que sai no próximo dia 27 são os Killers, em um ensaio de fotos no deserto (ah vá). Os caras revelaram que o próximo projeto é um álbum só de covers: cada integrante vai escolher três músicas para o CD.

(até porque no motel ela não vai estar…)

Podemos dizer que o Franz Ferdinand pautou seus últimos passos no desperdício. Primeiro, desperdício de título: “Tonight”, que nomeia o terceiro e já vazado álbum, deveria ser o título do segundo. Que, por sua vez, chamava-se “You Could Have it So Much Better”, nome que cairia perfeitamente a esse terceiro CD.

Para quem viu a banda escocesa começar seu segundo álbum com petardos como “The Fallen” e “Do You Want To”, entrar no clima de “Tonight” não é coisa fácil. A tímida “Ulysses” parece começo de balada, quando você está lá, a caminho da primeira cerveja, sentindo o cheiro de gelo seco invadir suas narinas e tentando constatar alguém interessante à sua volta. É o momento da expectativa de que a próxima música – e o próximo cara que entrar no local – poderão te fazer mais feliz. Mas o clima continua morno até “No You Girls”, balada dançante que mescla momentos mais suaves e sensuais a guitarras sujinhas com riffs mais altos.

Você acha que o bicho vai pegar mas de repente o FF retrocede um pouco. É como se o cara estivesse a meio caminho de você e, do nada, decidisse ir pegar uma cerveja. “Send Him Away”, aconselha a banda de Glasgow na quinta música, e você entra na onda bem de leve. Mas para quem não curte dançar ao som dos anos 80, o álbum pode morrer na próxima faixa, “Live Alone”. Sintetizadores propositadamente ultrapassados (não dá nem pra dizer que são retrô) brincam com a paciência do ouvinte. Mas se você ainda quiser dar uma última chance à banda, ainda há a possibilidade de “Can´t Stop Feeling” te pegar pelas canelas.

O segundo desperdício do Franz reside justamente aí. Se não for pra dançar, não há muito o que fazer com as faixas de “Tonight”. Não são baladas rock, tampouco músicas para assobiar, enfim, não é um álbum que emociona de forma alguma. E, ao fim, Alex Kapranos ainda pede, ao som de um violãozinho bem do safado: “Katherine Kiss Me”. Mas tu é ruim de xaveco, hein?

De um lado a outro

Publicado: 12/01/2009 em Uncategorized

Do jazz ao punk: O rock ainda chora a perda de Ron Asheton, guitarrista riffoso e explosivo do Stooges. No dia 17, amigos organizam em Detroit um tributo ao cara no Music Hall Center of Performing Arts, palco tradicional da cidade onde já pisaram feras com Miles Davis e Billie Holliday

Da tumba do rock anos 90: O Living Colour prepara novo álbum e já anunciou o título: “The Chair in the Doorway”. Segundo o guitarristaVernon Reid, é uma expressão que Corey Glover, vocal da banda, usa quando ele quer dizer que algo deu errado. E para provar que o grupo está em sintonia com os novos tempos, o Living Colour decidiu fazer um concurso no Flickr para a capa do novo álbum. Eles pedem aos fãs que postem imagens relacionadas ao curioso título.

Mais forte que o Highlander, mais invencível que o Hulk, mais lerdo que o Chaves… ele é o… CREDENCIAAAAAAL TOSCA!
Feliz 2009 pra vocês também 🙂

Estamos de volta por motivos totalmente egocêntricos: O New York Post decidiu descobrir o que a gente aqui, com a ajuda da Fran Michelli, já sabia: a delícia da voz de Gin Wigmore. Ela é citada como uma das seis novidades mais bacanas de 2009 pelo jornal.

A parte boa é que disponibilizaram a música “These Roses” para download grátis, no site do NYPost. Mas é só hoje, pelo que eu entendi.

Das outras cinco apostas da redação, a única que me chamou mais atenção foi a simpática Erin McCarley. Mas ouçam vocês e tirem suas próprias conclusões…