Das voltas que o mundo dá

Publicado: 07/02/2009 em Uncategorized

– Viu, interessa pra você entrevistar o Sepultura? – ouço incrédula no telefone. Era o lançamento de Live in São Paulo, DVD ao vivo, finalização do álbum-conceitual “Dante XXI” e eu, fã incondicional até então, pensava em tatuar um S em tribal no meio das costas em homenagem à banda do meu panteão adolescente.
– Mas seria com o baterista, tudo bem?
O telefone tremia desse lado da linha. Nunca tive problemas com pessoas famosas, mas até então nunca tinha falado com alguém de quem fosse genuinamente fã, soubesse cada detalhe da vida pessoal, musical e transcendental e, ainda por cima, um ídolo na batera. Iggor Cavalera foi um dos caras que me faziam brilhar os olhos e o coração desde a época em que o nome dele se escrevia com um G só.
A tremedeira das mãos antes do momento de ligar para o baterista só não foi maior que a minha decepção durante a entrevista. Seco, vago e camuflado por uma péssima ligação, Iggor estava completamente desanimado e deu a entender várias vezes que eu não sabia do que tava falando, numa tentativa de se esquivar de perguntas mais complicadas. Como poucas vezes na minha carreira, eu tinha plena noção do que eu estava dizendo. Mal sabia eu que ele estava prestes a sair da banda – chegou a me dizer que o Sepultura daria um tempo, o que fez meu mundo igualmente ruir (mas me garantiu uma bela manchete).

Talvez por todo esse contexto, ouvir “Dante XXI”, o álbum baseado no livro A Divina Comédia, não tenha sido a coisa mais sensacional do planeta. Acho que nem cheguei a resenhá-lo aqui. Foi como se eu desistisse da banda, apesar de toda a genialidade que esse trabalho trazia. Não consegui separar minha experiência pessoal da obra em si. Vi Iggor sair, Jean Dolabella chegar e desde então parei de ouvir Sepultura e freqüentar os shows.

Essa semana me peguei de boca aberta com “A-Lex”, novo trabalho do grupo. Parecia um Sepultura da época de Chaos A.D., mas já com elementos de Roots incorporados de forma nova. Descobri que Iggor fez menos falta do que Max (aceitar Derrick e aquele “Against” foi um tanto complicado para esse coraçãozinho) e comecei a pensar que talvez o novo show seja bom pra caralho.

A resenha bonitinha tá lá no Depredando.
comentários
  1. Pra mim, Sepultura acabou nas raízes.

  2. Fran Micheli disse:

    decepções a gente semper tem, de algum jeito… mas sabe, Roots tb teve sua importancia na minha juventude (que brega)… mas hoje, acredito, já deixou de significar muita coisa pra mim, a não ser um bom disco.bjos e saudade.

  3. Di Giacomo disse:

    Sério que é bom? Pra mim parei no “Against”… Ah! Passa lá no Punk Brega quando tiver um tempinho ;-P http://memoriasdeumperdedor.blogspot.com/

  4. Fran Micheli disse:

    fia, é impressão ou c abandonou o blog???????????????? Num faz isso não, loca!po, teus textos são meu deleite musical!bjon

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s