Arquivo de maio, 2009

Credencial Tosca orgulhosamente apresenta resenha de Marcelo “Pirajuí” Daniel, vulgo Pira, sobre show fodástico do último findes. Enjoy lml

Chuva, frio, estacionamento caro, breja a preço de zonas do baixo meretrício e fila. Foram essas algumas palavras que antecederam a primeira noite de shows do Heaven & Hell em terras paulistanas, em 15/5. Já faz uns dias que o clássico Black Sabbath passou a atender por esse nome – segundo a banda, para incorporar a verdadeira essência dos chamados “Dio Years”. Sei não, para mim deve ter uns cheques borrachudos envolvidos nessa história, mas enfim.

A parte ruim da noite dissipou-se com o apagar das luzes no Credicard Hall, sob o suspense de “E5150”, uma macabra introdução de teclados e barulhos sombrios, uma receita que o Sabbath sempre usou: uma música instrumental curtíssima e uma porrada logo em seguida. E assim foi, com “Mob Rules” que abriu o show e acabou com qualquer chance de ficar com os cabelos penteados na pista.

Ronnie James Dio é o legítimo gentleman da cena há decadas, uma espécie de Dave Grohl do metal. Todos o amam, fez sucesso em todas as bandas que passou e tem destaque semelhante com o seu projeto solo. Se por um lado sua capacidade de interagir com o público sequer se aproxima da de Ozzy Osbourne, sua voz tem a mesma potência do início da carreira e as músicas são executadas com muito rigor, com pouco espaço para participação da galera.

O repertório trouxe clássicos dos álbuns Heaven & Hell (1980), Mob Rules (1981), Dehumanizer (1992), além dos sons novos do disco The Devil You Know (2009), cuja capa louca lembra um jogo do XBox 360.

O baterista Vinny Appice é velho conhecido do grupo e já passou por uma pancada de bandas, como o próprio Dio e até John Lennon. A maioria das músicas do show foram gravadas com Appice na formação e ele quebrou tudo, com direito a solo que divide a apresentação.

As músicas do novo álbum agradaram e não fogem do modelo que funciona há 40 anos, com riffs certeiros, vocal avassalador e solos que brilham no peso e não na virtuose. O público respondeu muito bem às três canções estreantes: “Bible Black”, “Fear” e “Follow the Tears” – vale lembrar que o álbum ainda não foi lançado oficialmente em solo brasileño.
Por mais talentosos e repletos de bagagem que sejam o vocalista e batera, não há como negar que os destaques da noite eram mesmo o baixista Geezer Butler e Tony Iommi, fundadores do Black Sabbath em 1968. Se você comemora o fato de ter aturado seu baixista por três meses, esses dois tocam juntos há quatro décadas!!!

Geezer é bastante introspectivo e olhou para o próprio baixo o show inteiro, limitando seus movimentos em pequenos passos para frente. Sua timidez também foi notada pelos câmeras do Credicard Hall que poucas vezes o colocaram no telão, o que amplificou ainda mais a discrição.
Tony Iommi é um trator engrenado, pronto para atravessar terrenos íngremes. Impecável, com um jaquetão de couro, óculos de tiozinho e os inseparáveis crucifixos, balança a cabeça em cada introdução ou solo, orgulhoso de tudo que dali produz. Usou três guitarras Gibson SG, modelo que ajudou a popularizar, para marcar para sempre os tímpanos do público presente com os riffs que ele inventou em sua imunda garagem em Birmingham, Reino Unido – e que, de brinde, viriam a criar um estilo musical chamado heavy metal.
O entrosamento do baixo e guitarra proporcionaram momentos inesquecíveis em músicas como “Neon Nights”, “Die Young” e a destruidora de lares “I”.

“Heaven & Hell” foi a penúltima da noite e funcionou como retribuição aos músicos pelos bons préstimos durante a pancadaria. O coro tomou conta do ambiente e arrancou sorrisos de gratidão no palco, até que Dio resolveu abrir a boca e já não era possível sequer ouvir o som da galera.

A nostalgia também veio à tona com as improvisações, que fizeram a música durar 15 minutos. As jams do Sabbath são famosas e exibem um equilíbrio até irritante entre os músicos, que ficam distribuídos homogeneamente no palco, decorado com dois portões macabros e luzes de filme de terror.

Pouco mais de uma hora e meia depois, as luzes se acendiam e a impressão que ficava ao redor era a de que ainda estava todo mundo no quarto, com 15 anos e o fone de ouvido no último, com aquela sensação de “rapaz, esses nego são foda”!

Por Marcelo “Pirajuí” Daniel

O show que (não) se ouviu

Publicado: 15/05/2009 em Uncategorized



A essa altura, informado leitor, você já deve saber que a passagem do Oasis por São Paulo rendeu menos bilheteria que o esperado; que a organização, comparada a outros eventos, estava ok; que a chuva se fez presente novamente, repetindo o termômetro da passagem anterior da banda na capital, em 2006; e que a voz de Liam Gallagher não é mais a mesma. Mas o que você deve também já saber, caro leitor, é que grande parte da imprensa paulistana babou de qualquer forma na apresentação. Por um único e simples motivo: essa pulseirinha que temos aí na foto.

O jornalista que não se dignou a colocar seu nariz encapuzado pra fora da chamada “área VIP” viu um show. Nesse show, Liam desafinava, a bateria se mostrava mais alta que o restante dos instrumentos e da voz, mas nada que realmente fizesse da noite um desastre. Na chamada pista, o espaço democrático e varzeano do evento, o público mal conseguiu distinguir o que era a voz esganiçada do irmão Gallagher mais emburrado do restante dos barulhos. Sim, barulhos. Faça o teste: abra um vídeo no YouTube da apresentação e mostre a pessoas que ficaram na várzea. Esse, definitivamente, não foi o show que elas ouviram.

A confusão sonora começou no show de abertura. A Cachorro Grande, empolgadíssima, tentava levantar a platéia em meio a chuva quando o som da banda simplesmente desapareceu. O público começou a fazer gesto de negativo e a vaiar. Como já havia sido bem-recebido nas canções anteriores, Beto Bruno desconfiou. Saiu do palco para reclamar, voltou e perguntou: “vocês estão ouvindo?”. Recebeu um “não”mais sonoro que tudo o que pudesse ser ouvido no Anhembi.

O show do Oasis teve início com uma falha grotesca no telão direito e, após a introdutória “Fuckin in the Bushes”, uma fraca voz se ouvia em “Rock and Roll Star”. O público emocionado fez a vez do coro. Conforme percorria o set list, Liam perdia a força e nem ousava alcançar suas indefectíveis notas agudas. A irritação do vocalista crescia na mesma proporção. Apenas quando deu folga às cordas vocais na pausa de músicas cantadas pelo irmão Liam conseguiu chegar a algo próximo das músicas originais.

O destaque ficou por conta do novato batera do Oasis. Diretamente de Liverpool, Chris Sharrock comandou não só as baquetas como um verdadeiro show de malabarismo, com pulso firme mesmo quando os irmãos Gallagher pareciam sem ânimo para iniciar ou finalizar canções.

Entretanto, eu só sei de tudo isso porque, mais do que ver, ouvi o show. Mas não precisei fazer um esforço jornalístico descomunal pra descobrir que muita gente foi embora com gosto de “cadê”. Bastou perguntar.

Eu quero!

Publicado: 05/05/2009 em Uncategorized

Enquanto a Ludwig do Ringo não fica pronta, espiem as réplicas rock-bandestas da Rickenbacker 325 do John Lennon e da Duo Jet do Harrison. Não sei se o videogame vai dominar o mundo da música, mas corto meu dedo mindinho se algum fã do Fab Four passar ileso a essa onda Rock Band Beatles.

Entre uma entrevista pro Fantástico e pro TV Fama da Venezuela, Noel Gallagher revelou que a banda tá se pegando de pau novamente, nessas mesmas terras sul-americanas.
“Estamos falando de maus momentos para a turnê do Oasis. Maus momentos mesmo”, escreveu no MySpace da banda.

E enquanto Jack White trabalha na bateria do The Dead Weather, Meg White dá um tempo nas baquetas e segura o buquê de casamento.

O NME espalha a fofoca de que ela vai se casar ainda nesse mês com Fred Smith, filho da Patti Smith.