Heaven & Hell em SP: Tony Iommi é um trator engrenado

Publicado: 19/05/2009 em Uncategorized

Credencial Tosca orgulhosamente apresenta resenha de Marcelo “Pirajuí” Daniel, vulgo Pira, sobre show fodástico do último findes. Enjoy lml

Chuva, frio, estacionamento caro, breja a preço de zonas do baixo meretrício e fila. Foram essas algumas palavras que antecederam a primeira noite de shows do Heaven & Hell em terras paulistanas, em 15/5. Já faz uns dias que o clássico Black Sabbath passou a atender por esse nome – segundo a banda, para incorporar a verdadeira essência dos chamados “Dio Years”. Sei não, para mim deve ter uns cheques borrachudos envolvidos nessa história, mas enfim.

A parte ruim da noite dissipou-se com o apagar das luzes no Credicard Hall, sob o suspense de “E5150”, uma macabra introdução de teclados e barulhos sombrios, uma receita que o Sabbath sempre usou: uma música instrumental curtíssima e uma porrada logo em seguida. E assim foi, com “Mob Rules” que abriu o show e acabou com qualquer chance de ficar com os cabelos penteados na pista.

Ronnie James Dio é o legítimo gentleman da cena há decadas, uma espécie de Dave Grohl do metal. Todos o amam, fez sucesso em todas as bandas que passou e tem destaque semelhante com o seu projeto solo. Se por um lado sua capacidade de interagir com o público sequer se aproxima da de Ozzy Osbourne, sua voz tem a mesma potência do início da carreira e as músicas são executadas com muito rigor, com pouco espaço para participação da galera.

O repertório trouxe clássicos dos álbuns Heaven & Hell (1980), Mob Rules (1981), Dehumanizer (1992), além dos sons novos do disco The Devil You Know (2009), cuja capa louca lembra um jogo do XBox 360.

O baterista Vinny Appice é velho conhecido do grupo e já passou por uma pancada de bandas, como o próprio Dio e até John Lennon. A maioria das músicas do show foram gravadas com Appice na formação e ele quebrou tudo, com direito a solo que divide a apresentação.

As músicas do novo álbum agradaram e não fogem do modelo que funciona há 40 anos, com riffs certeiros, vocal avassalador e solos que brilham no peso e não na virtuose. O público respondeu muito bem às três canções estreantes: “Bible Black”, “Fear” e “Follow the Tears” – vale lembrar que o álbum ainda não foi lançado oficialmente em solo brasileño.
Por mais talentosos e repletos de bagagem que sejam o vocalista e batera, não há como negar que os destaques da noite eram mesmo o baixista Geezer Butler e Tony Iommi, fundadores do Black Sabbath em 1968. Se você comemora o fato de ter aturado seu baixista por três meses, esses dois tocam juntos há quatro décadas!!!

Geezer é bastante introspectivo e olhou para o próprio baixo o show inteiro, limitando seus movimentos em pequenos passos para frente. Sua timidez também foi notada pelos câmeras do Credicard Hall que poucas vezes o colocaram no telão, o que amplificou ainda mais a discrição.
Tony Iommi é um trator engrenado, pronto para atravessar terrenos íngremes. Impecável, com um jaquetão de couro, óculos de tiozinho e os inseparáveis crucifixos, balança a cabeça em cada introdução ou solo, orgulhoso de tudo que dali produz. Usou três guitarras Gibson SG, modelo que ajudou a popularizar, para marcar para sempre os tímpanos do público presente com os riffs que ele inventou em sua imunda garagem em Birmingham, Reino Unido – e que, de brinde, viriam a criar um estilo musical chamado heavy metal.
O entrosamento do baixo e guitarra proporcionaram momentos inesquecíveis em músicas como “Neon Nights”, “Die Young” e a destruidora de lares “I”.

“Heaven & Hell” foi a penúltima da noite e funcionou como retribuição aos músicos pelos bons préstimos durante a pancadaria. O coro tomou conta do ambiente e arrancou sorrisos de gratidão no palco, até que Dio resolveu abrir a boca e já não era possível sequer ouvir o som da galera.

A nostalgia também veio à tona com as improvisações, que fizeram a música durar 15 minutos. As jams do Sabbath são famosas e exibem um equilíbrio até irritante entre os músicos, que ficam distribuídos homogeneamente no palco, decorado com dois portões macabros e luzes de filme de terror.

Pouco mais de uma hora e meia depois, as luzes se acendiam e a impressão que ficava ao redor era a de que ainda estava todo mundo no quarto, com 15 anos e o fone de ouvido no último, com aquela sensação de “rapaz, esses nego são foda”!

Por Marcelo “Pirajuí” Daniel

comentários
  1. Tat disse:

    Adorei o texto mas… Tomy Iommi trator engrenado? Sério, pra mim ele é o pior guitarrista da história da música…

  2. Eric disse:

    Supimpa!
    Graças à este homem eu só solo com 3 dedos!!!

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