Arquivo de fevereiro, 2010

É por aí?

Publicado: 24/02/2010 em Uncategorized

Daí que a Warner, num típico retrocesso da indústria, anuncia que não vai mais licenciar streaming de seus artistas alegando que esse tipo de serviço “não é positivo” para o negócio.

Pois bem.

Chega Chris Wolstenholme, o baixista da gloriosa banda Muse, e numa entrevista à BBC traduz melhor que ninguém a falta de visão dessa mesma indústria na era pós-MP3:

“isso é como tirar as nossas músicas do rádio, não é não?”

É, meu querido. É por aí.

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Como ferrenha defensora das monobandas – ou one man bands, pra ficar mais chique – nesse blog e em outros veículos por mais tempo do que existe, sei lá, o Vampire Weekend, essa que vos fala avisa aos virgens e veteranos sobre mais um show desses espécimes peculiares. É na próxima semana. Colem lá!

Hole Lotta Love

Publicado: 18/02/2010 em Uncategorized

Ou o novo Hole da moça doidinha e barulhenta.

Deixa o vovô brincar

Publicado: 11/02/2010 em Uncategorized

Você provavelmente já leu tudo o que deveria saber sobre Beatles Rock Band enquanto esse blog hibernava. Mas se o caro leitor se emocionou com a belíssima introdução do game, Credencial recomenda veementemente jogar a tour inteira e chegar a “The End”, animação final que se “abre” apenas depois que o jogador completa “I Want You”.

Coincidentemente, nessa mesma semana em que cheguei ao gran finale da experiência do jogo, assisti ao “Good Evening New York City”, DVD que Paul McCartney gravou logo após o lançamento do Rock Band, e que contém, inclusive, cenas do FAB Four animado para consoles. Mas o projeto de Paul, é claro, foi marcado pela megalomania, como tudo que o homem faz nessa vida – e isso não é necessariamente uma crítica.

Decidido a revolver o legado da banda, o baixista se apresentou no CitiField, antigo Shea Stadium, onde os Beatles fizeram história ao (tentar) tocar pra 55 mil pessoas, em 1965. Não à toa, “Good Evening” começa com imagens da banda, contextualizando o espectador. E com “Drive My Car”.

A princípio, parece legítimo que um McCartney de voz um tanto gasta traga todo esse passado de volta, intercalado a pérolas de seu repertório solo, como “Jet”, “Only Mama Knows”, “Dance Tonight” e “Band on the Run”. E um passado não só dele: “Let me Roll It” é emendada com “Foxy Lady”, por exemplo. Há homenagens emocionadas para John (“Here Today”, escrita após sua morte) e George (“Something” revisitada). “I’m down” vem em um formato divertido de colagem que intercala imagens do show de 2009 com a apresentação original do grupo em 1965, em que John, já revoltado por não conseguir ouvir ao seu próprio som, esmurra o teclado com os cotovelos.

Mas a coisa toda descamba pro dramalhão de um arremedo em momentos como a dobradinha “A Day in the Life”/”Give Peace a Chance”. A primeira, por parecer um tanto impossível de ser executada ao vivo e sem Lennon, e a segunda exatamente por ser do próprio, de um momento que não tem muito a ver com Paul (e antes que alguém me acuse de defender um dos dois, devo declarar que meu Beatle preferido é o George, ok?)

O show termina bem, metralhado de hits como “Day Tripper”, “Helter Skelter” e “Get Back”. Um dos destaques do evento é o batera Abe Laboriel Jr., que mais parece um lutador de sumô e, ao mesmo tempo, é capaz dos backing vocals agudos mais singelos do mundo em canções como “The Long and Widing Road”, “Eleanor Rigby” e “Paperback Writer”.

Capa em quadrinhos

Publicado: 09/02/2010 em Uncategorized
Só podia vir da banda de imagens mais legal do planeta. A revista Q alega ter sido raptada pelo Gorillaz, que chantageou a equipe para desenhar a capa da edição de fevereiro, e contar tudo sobre o novo álbum, “Plastic Beach”. Produzida pelo desenhista oficial do grupo-em-quadrinhos, Jamie Hewllet, a ilustra se tornou a primeira capa em 24 anos de revista que não contou com uma fotografia.

E ficou melhor que o primeiro single da banda, “Stylo”, que Credencial ouviu e não achou lá muito boa não. Na verdade, a gente gostou mais até dessa história marqueteira que a Q criou do que da musiqueta. Agora é esperar o álbum que, segundo a revista, sai dia 22 de março.

A metrópole virou mangue

Publicado: 06/02/2010 em Uncategorized

Uma jukebox estilo Funhouse, a parede infestada de cartazes de shows como no Studio Sp, um ambiente kitsch como muitos dos cultuados bares do baixo-Loca. O que é referência, o que é influência? Essa é a pergunta que permeia de forma extremamente saudável a Ocupação Chico Science, no Itaú Cultural. Longe de focar um único mito, a exposição traz ao visitante um conceito de criação coletiva fundamental ao movimento mangue beat.


Uma bem-aventura mistura de Museu da Língua Portuguesa (porque do pensamento se fez palavra, além de música) com Rockers (porque a atitude presente na imagem também se fez mito), Ocupação apetece os fãs com um incontável arsenal de registros,desde fotos emblemáticas, cartazes de shows históricos – como a abertura de um show do Nick Cave -, a inesquecível indumentária de Maracatu Atômico e até um espaço para que o visitante seja fotografado no melhor estilo Manguetown. Ah, e claro: credenciais, muitas credenciais 🙂


O espaço surpreende, no entanto, por uma bagagem extra e muio bem-vinda que conta com artistas plásticos contemporâneos e posteriores ao movimento, um túnel poético de dadaísmo recifense e com uma estante singela porém fundamental de livros que permeiam toda uma geração de caranguejos carregados de munição poético-filosófica.


Assim, é possível transcender o simples (não pequeno) ícone Chico Science e enxergar todo um cardápio de manifestações artísticas, algumas já um tanto enraizadas na megalópole paulistana, e outras que abrem perspectivas interessantes. Independente do tanto que “Da Lama ao Caos” faça sentido pra você, Ocupação vale a pena por mostrar o quanto o mangue já virou metrópole, e a fatia da metrópole que está disposta a virar mangue.

Luz, câmera, rock and roll

Publicado: 06/02/2010 em Uncategorized




Em um mundo descortinado por fotologs e flickrs, expandir imagens em paredes, ampliá-las em páginas, tocá-las pode ser considerado um prazer raro. E o prazer foi todo meu ao me lambuzar de música enquanto devorava as páginas de “Rock and Roll”, livro da lendária fotógrafa Lynn Goldsmith.


Responsável por trabalhos antológicos em veículos como Time, Newsweek e, claro, Rolling Stone, Lynn tem um elemento essencial para o sucesso de fotos tão históricas: uma profunda devoção à música – e não aos músicos. Seu único texto no livro deixaria muito jornalista da área no chinelo pela forma como condensa em poucas palavras o sentido que as notas musicais fazem a cada um de seus poros.


Mas é na fotografia que ela melhor expressa sua visão do assunto. Lynn priorizou pulos, remelexos e muito suor em sua escolha, como uma forma de mostrar que arte é mesmo muito mais transpiração que inspiração. E deixou o mito em segundo plano: não há legendas nas fotos; se quiser descobrir quem é o figura se esgoelando no palco em questão, terá que ir ao fim do livro à procura da descrição da imagem. O que se torna um exercício muitas vezes divertido: ao encontrar Marianne Faithfull drogada no banheiro com um colar de pérolas, juro que a confundi com Courtney Love.


A seqüência que precede o prefácio (escrito por Iggy Pop, diga-se) já é de tirar o fôlego, com figurões do primeiro escalão. A mais curiosa das fotos, pra mim, foi uma das famosas botas dos Beatles. Ela explica: como grande fã dos Stones, se recusava a fotografar os Fab Four. A saída foi genial.


E como boa trabalhadora pré-era digital, Lynn soube tirar proveito do espelhamento de páginas melhor do que ninguém, utilizando-as como reflexos e interconexões. Assim, o leitor encontra um 69 entre Elton John e Keith Emerson, ambos ao piano; Sting e Freddie Mercury fazendo uma dobradinha de reis com suas coroas; Michael Jackson e Marvin Gaye descortinando o próprio peito, entre outras peculiaridades.


Se o destaque fica por conta dos saltos ornamentais no palco, a fotógrafa também traz boas surpresas nas fotos posadas, como um Grand Funk Railroad peladão (ok, nem tão boa assim, hehehe). Frank Zappa, em especial, proporciona as melhores brincadeiras com a câmera. Há verdadeiras galerias de David Byrne, Patti Smith, Bruce Springsteen. Mas há também um espaço especial pra velha guarda com belas imagens de James Brown, Bo Didley, Fats Domino, B B King e Chuck Berry.


Enfim, a obra é feita para quem, mais do que amar os roqueiros, ama o rock and roll. E é disso, no fim das contas, que precisamos nos lembrar ao fechar os olhos enquanto nos apaixonamos por uma música.