Arquivo de novembro, 2011

Se nos anos 70 coletivo era coisa de hippie, nos anos 10 é coisa de hype. E um hype bem feito pode, sim, ultrapassar as colagens de seu tempo e alçar um posto bacana em algum panteão musical por aí.

A banda curitibana Sabonetes se esforça pra isso, em música e prosa. Se a ideia do novo clipe, “Descontrolada”, não é tão original assim – o grupo convidou dez diretores para participarem do filmmaking – , ela é bem executada. Mérito de Alexandre Guedes, diretor de videoclipes e também baterista da banda, a quem coube a nada fácil tarefa de reunir as imagens geradas pelos colegas e produzir o director´s cut.

Participaram da proposta Raul Machado (que já dirigiu “pra mais de cem”, incluindo clipes de Sepultura, Raimundos, O Rappa e FatBoySlim); Ricardo Spencer (Cachorro Grande e Pitty, com quem ganhou 4 prêmios do VMB e Prêmio Multishow de música); Cesar Ovalle (melhor clipe de 2010 no prêmio Multishow com NX Zero), e o cineasta curitibano Werner Shumann, com trechos de seu documentário sobre o poeta Paulo Leminski – uma das cenas um tanto descoladas do clipe (perdoem o trocadilho, again), diga-se de passagem.

A  Sabonetes convidou os diretores para registrarem sua própria visão da música “Descontrolada”, desde que contassem com um toque de surrealismo. A faixa, típico rock dançante pra quem está pronto pra se jogar na balada, salta do lugar-comum com essa belíssima edição, que passeia pelas beldades tatuadas seminuas mas transcende o metiê do dancehall graças a uma colagem bem manuseada que faria Salvador Dalí ter algumas ereções.

See (and feel) for youself.

Michele Stodart é uma figura. Em sua passagem pelo Brasil em 2007 com a banda dos irmãos fofinhos e simpáticos The Magic Numbers, a baixista roubou a cena do show no Indie Rock Festival com seus sorrisos, seu charme e a interação com o público. Agora, a moça divulga seu primeiro álbum solo, que terá show de lançamento amanhã no Betsey Trotwood, em Londres.

Ouça o single que dá nome ao trabalho, o folk “Take Your Loving Back”, aqui. No site da fofa dá pra baixar uma versão em pré-produção.



Formado pelos irmãos Michele e Romeo Stodart (guitarra) e a tecladista Angela Gannon e seu irmão baterista Sean, o Magic Numbers está em estúdio gravando um novo álbum,  sucessor de “The Runaway”.

Eu sei, o ano ainda não terminou. Por isso mesmo quem quiser incluir mais alguma outra categoria tá convidado. Mas como a coisa tá fervendo, vamos lá, caro leitor: quem você acha que deve levar o troféu MMMA (Mixed Musical Martial Arts) do ano no Brasil?

À minha esquerda está a trupe do Ultraje a Rigor, cuja equipe se atracou com o staff de Peter Gabriel por conta dos atrasos no SWU e rendeu um pedido oficial de desculpas do ex-líder do Genesis. À minha direita, Lobão e seus ataques ao Lollapalooza, devidamente revidados por seu criador, Perry Farrell.

Fight! Ou melhor, vote!

 

Thiaguinho se acomoda na sala clara, com os fiéis cães de guarda (Judith Maria e Tunico, os schnauzers mais famosos do Twitter)-  de Luiza Possi rondando o vocalista. Alguns acordes no piano e o novo hit da cantora acaba registrado no estúdio e no recém-lançado “Seguir Cantando”, segundo DVD de sua carreira. “Ainda é Tudo Seu”, composto por Luiza e Dudu Falcão e consagrado a duas vozes, com Thiaguinho de parceiro, é o primeiro single do projeto e poderá ser conferido no próximo fim de semana em São Paulo em show de Luiza e sua banda.

Após esgotar os ingressos para os dois shows no Tom Jazz pelo projeto Sons da Nova, Luiza Possi desembarca na casa também no domingo, dia 27 de novembro, para um show extra, da turnê de “Seguir Cantando”.  O repertório conta também com   “Abençoador” (Paulo Novaes), releituras de “O Portão” (Roberto Carlos) , Desculpe o Auê” (Rita Lee) e a consagrada versão da cantora para “ Folhetim” (Chico Buarque).  Os fãs também vão conferir as faixas que tornaram Luiza figurinha fácil nas rádios do Brasil, como  “Eu Espero”, “Tudo Certo” e “Tudo que Há de Bom” .

Luiza vem acompanhada de Bruno Coppini (baixo), Ramon Montagner (bateria) e Conrado Goys (guitarra e violão). A direção musical é de Conrado Goys e Luiza Possi.

SERVIÇOS
LUIZA POSSI
Local|
Tom Jazz
Data| 27 de novembro
Horário| 20h
Couvert Artístico| R$ 120
Telefone| 11 3255-0084
Capacidade| 200 pessoas sentadas
Censura| 18 anos
Duração| Aproximadamente 1h30
Abertura da casa| 2h antes do espetáculo
Formas de pagamento| Dinheiro / Cheque / Todos os cartões (débito e crédito)
Estacionamento com manobrista| R$ 15

Florence Leontine Mary Welch disputa no momento um espaço no coração indie até então dedicado a divas como PJ Harvey, Fiona Apple, Regina Spektor e Alison Goldfrapp. Tem o soul no sangue e uma capacidade de ir do minimalismo musical à explosão de sua voz com maestria. Enquanto os brasileiros não conferem Florence e sua Machine – a trupe desembarca por aqui em janeiro para shows no Summer Soul Festival – , a degustação de seu recém-lançado segundo álbum, “Ceremonials”, dá algumas pistas do que esperar nesse show. E pode-se esperar muito.

A voz marcante que fez de “Dog Days are Over” hit onipresente (naquele nível em que se torna necessário trocar de rádio ao ouvi-lo) conquistou fãs para o álbum de estreia. “Lungs” trazia a poderosa vocalista acompanhada de músicos (incluindo a tecladista Isabella “Machine” Summers) que mais ambientavam e faziam cama do que efetivamente se apropriavam das canções. Nesse segundo trabalho, no entanto, a dinâmica muda e a banda realça as vocal tracks com uma grandiosidade que denota uma certa intenção de hino. “Shake it Out”, faixa 2 no CD e segundo single de “Ceremonials”, segue uma linha Arcade-Fireana recheada de backing vocals e órgãos celestiais.  E olha que o produtor Paul Epworth (Friendly Fires, Cee Lo Green, Block Party) ambientou o álbum inteiro com sons como corvos, zumbis levando tiros e outras alucinações demoníacas.

“Only If for a Night”, música que abre o CD, já anuncia a vocalização potente e, em uma base trip hop, abusa das harpas angelicais de Tom Monger (eu não contava com o sobrenome no trocadilho mas, enfim…). “What the Water Gave Me” abre menos o leque de tons e aposta em guitarras mais sujas, enquanto “Never Let Me Go” não deve nada às baladas mais melosas dos anos 90. “Breaking Down” rompe a seqüência de hinos com teclados e violinos sobrepondo-se a uma sussurrante vocalista. “Lover to Lover” relembra os bons rocks regados a piano no melhor estilo Huey Lewis e traz mais momentos solo de Florence, que logo se perde nos overdubs de voz e backings na faixa seguinte, “No Light, No Light”.

A sombria “Seven Devils” explora um pouco melhor a potência vocal da moça. “Heartlines” mistura batidas tribais e programações, seguida de perto por “Spectrum”, que ganha um diferencial dançante e menos batucado. “All This Heaven Too” alegra o ambiente, com uma dinâmica parecida à de Dogs Days, acrescida de cânticos. “Leave My Body” finaliza a porção pretensiosa do álbum, abrindo espaço para o trip hop delicioso “Remain Nameless”. “Strangeless and Charm” remete às bases ingênuas do pop japonês para colocar o ouvinte pra dançar. Apesar do nome, “Bedroom Hynns” tem menos apoteose do que grande parte das faixas iniciais e exatamente por isso impressiona.

A edição “deluxe” do álbum traz ainda versões acústicas de algumas canções e mostra como, sem o figurino de camadas de backing vocal, cânticos e anjos, o grupo surpreende da mesma forma. Gravado no antológico Abbey Road e carregado de ambições de arena no melhor estilo U2/ Coldplay, esse novo momento do Florence + The Machine deve representar para o grupo o que “The Suburbs” fez pelo Arcade Fire. E se a banda entregar ao vivo o que demonstra nesse novo trabalho, o público brasileiro pode esperar uma performance musical de encher os ouvidos.

“Dá pra ouvir a cara de um zumbi sendo esmagada, e é basicamente isso que usamos no álbum todo”

(Florence Welch, a respeito dos sons inseridos pelo produtor no CD )

As pessoas vêm me dizer que amam o Nirvana. Eu não era do Nirvana. Mas eu sou dona do Nirvana, eu e minha filha.

 

Coutney Love, que fez seu show do Hole no SWU repercutir mundialmente mais pela metralhadora de ofensas endereçadas a Dave Grohl e suas falas sobre Kurt Cobain (a propósito, caro leitor: a mãe do líder do Foo Fighters é professora e o pai abandonou a família, segundo a biografia “This is a Call”, de Paul Branningan).

 

Pode levar a mãe, o pai, o cachorro e a vizinha. Junte todo mundo e vá ao Ibirapuera no dia 19 de novembro, a partir de 17h30 – mais precisamente ao lado do Museu AfroBrasileiro. O projeto TelefônicaSonidos faz mais uma sessão de muita música de graça no parque, com tempero local. Primeiro vem  o compositor Guinga e a banda Mantiqueira, já acostumados a dividir os palcos, com músicas como “Baião De Lacan” (de sua autoria em parceria com Aldir Blanc) e “Catavento e Girassol” (também de sua autoria).

Depois Davi Moraes e Paula Lima, com repertório especial para o evento. Entre as músicas escolhidas estão “Café com Pão” , “ Maracatú Atômico” , “Na Massa” e “Charles Anjo 45” , “Gafieira S.A.”  além de faixas do mais recente álbum de Paula, Samba Chic.

E em dezembro tem mais: Orquestra Imperial e convidados marcam presença na última edição do ano.

TelefônicaSonidos – Misture-se no Ibirapuera

Local : Parque do Ibirapuera – no estacionamento ao lado do museu Afro Brasileiro
Endereço : Avenida Pedro Álvares Cabral, sem número – São Paulo – entrada pelo portão 10.
Data : dia 19 de novembro – sábado
Horário : 17h30
Preço : Gratuito
Classificação etária : LIVRE