Outros “X” do show do Pearl Jam no Morumbi

Publicado: 06/11/2011 em Música
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Na última sexta (04), o Pearl Jam fez em São Paulo o que chamou de “show mais longo da turnê, já que era o maior público” na comemoração dos 20 anos da banda. Petardos da primeira (“Go”) à última música (“Yellow Ledbetter”) deleitaram fãs e nem tão fãs em um Morumbi com algumas lacunas na arquibancada e muito fôlego.

Interessante observar, no entanto, a reverência que Eddie Vedder faz questão de deitar às raízes. A primeira prova disso foi trazer como banda de abertura os veteranos do punk da “X”, que fizeram um show redondo e muito empolgante para os que adentravam o estáio às 19h30. A vocalista Exene Crevenka foi um capítulo à parte. Espécie de vovó do punk, com um semblante que remetia um pouco à Susan Boyle e uma voz que ultrapassava um tanto a de Debbie Harry, ela agitou ao lado do líder e baixista John Doe nas 14 músicas do set list. Tão elegante quanto enérgica (a foto ao lado não faz jus ao elegante, caro leitor, eu sei!), a cantora não poupou empolgação.

Durante o segundo bis do show do Pearl Jam, Eddie fez questão de pedir aplausos ao opening act e contou como quando, ainda com 17 anos, entrou com um RG falso em um clube para assistir ao “X” tocar, e serviu de “segurador oficial” da cerveja que Exene tomou a noite toda, bem em frente ao palco. E emendou: “se não fosse pela X, o Pearl Jam não estaria aqui”.

A segunda reverência, já bem conhecida do público, são as versões que banda faz de artistas pelos quais demonstram devoção. Se no dia 03 Ramones (“I Believe in Miracles”) e Neil Young (“Rockin in the free world”) foram os homenageados, o Who foi a bola da voz no dia 04, quase encerrando o show em uma emocionante cover de “Baba O´Riley”.

Chega a ser um protocolo, no caso de bandas iniciantes, finalizar a apresentação com alguma versão de um grupo já consagrado. Funciona como uma espécie de catarse para os que se propuseram a conhecer a banda, uma vez que serve para mostrar as influências e se conectar à plateia talvez nem tão enturmada com as canções autorais. Mas vale refletir porque um combo de 20 anos de sucesso, liderado por um dos vocalistas mais cativantes em atividade no rock atualmente, ainda se presta a reverenciar as raízes de tal forma.  O gesto pode ser enxergado como uma forma de manter os pés no chão no turbilhão da fama que quase devastou a banda. Não se esquecer de onde se veio costuma ser uma boa tática.

O som e o set list

O azeite de duas décadas tocando juntos, temperado com uma bela cozinha rítmica que encontrou no ex- baterista do Soungarden Matt Cameron o quinto elemento ideal, providencia aos fãs da banda de Seattle um espetáculo de encher os olhos. No caso dos ouvidos, no entanto, a inconstância do volume das guitarras e do microfone de Eddie talvez tenham atrapalhado um pouco a noite. Nada que diminuísse o estado de graça do público que ultrapassava com seu uníssono a voz do vocalista, mas que tenha tornado a comparação com os shows de 2005 (foto) inevitável.

Vedder também demonstrou uma certa dificuldade de fôlego (a idade chega pra todo mundo, certo?) e se moveu pouco no palco, fato que foi compensado pelo hiperativo guitarrista Mike McCready. O segredo da receita, porém, veio com um set list matador, que mesclou os hits do primeiro álbum “Ten”  com favoritas dos fãs (“Do the Evolution”, “Yellow Ledbetter”, “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”,” State of Love and Trust”) e hits do recente Backspacer como “The Fixer”, “Gonna See My Friends” e “Got Some”.

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