Led Zeppelin IV completa 40 anos

Publicado: 08/11/2011 em Música, Portfólio
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Hoje o lendário álbum “Led Zeppelin IV” faz 40 anos. Conhecido também como o álbum sem nome – sua capa continha apenas uma imagem e a assinatura dos quatro integrantes foi feita por meio de desenhos de runas (foto abaixo), cada uma simbolizando um membro do Led, na tentativa de que a imprensa hostil ouvisse primeiro e depois julgasse, sem saber de quem era -, o LP se tornou um marco na história da cultura pop, com clássicos como “Stairway to Heaven”, “Black Dog”, “Rock and Roll” e “Going to California”.

Deixo vocês aqui com um humilde e um tanto ingênuo texto que escrevi sobre a banda, nos idos de 2005, para a revista especial “Grandes Mitos Almanaque do Rock – Bandas de A a Z”, sobre esse quarteto fulminante.

Led Zeppelin

 

Tambores crus ao invés de elegantes batidas, gritos estridentes no lugar de melodia. Solos que durariam por quanto tempo a platéia e os músicos pudessem agüentar e pauladas da mídia. Se fosse possível resumir a trajetória de uma das mais importantes bandas do séculos 20, La seria muito mais um trem desgovernado do que um balão teleguiado. Mas nunca o de controle fez tão bem à história do rock and roll como no caso do Led Zeppelin.

Em outubro de 1968, os Yardbirds estavam se dissolvendo. O virtuoso guitarrista de estúdio Jimmy Page viu-se com um enorme abacaxi nas mãos: o grupo tinha uma turnê a fazer mas, além dele, não tinha sobrado mais ninguém. Com a ajuda do truculento empresário Peter Grant, Page recrutou uma turma de músicos ingleses para completar a agenda de shows com o nome de New Yardbirds. Chamou então um companheiro de estúdio, o baixista John Paul Jones, um vocalista urrante que ele viu em um show, Robert Plant, qu por sua vez incluiu no pacote o ex-companheiro da Band of Joy, o baterista John Bonham.

Já nessa primeira turnê juntos, começaram a compor e não pararam mais, consagrando suas canções já com o selo Led Zeppelin de insanidade. A crítica, de cara, não viu muita perspectiva no barulho hipnotizante que o grupo produzia, mas, ironicamente, o sucesso já batia à porta do Zep. As influências do blues cru de Page, dos lamentos de Plant e a cozinha formada pelo baixos de Jones e a bateria selvagem de Bonham funcionavam como um verdadeiro transe para platéias já embaladas pela sagrada tríade de sexo, drogas e rock and roll.

Considerado um dos pilares da música do Zeppelin, John Bonham era conhecido pela sua animalidade dentro e fora dos palcos. Seu famigerado solo de bateria (sem baquetas) em Moby Dick remetia a rituais de templos primitivos. Nos bastidores, a impressão era de que Bonham se comportava como um furacão capaz de destruir tudo e todos, inclusive a si mesmo, como acabou acontecendo. Não que os outros membros fossem exemplos de comportamento.

O envolvimento de Page e Plant com práticas mágicas e os ensinamentos do bruxo Aleister Crowley, de quem Page comprou todas as relíquias possíveis (incluindo uma mansão), a destruição de hotéis e o abuso de drogas selavam o Zeppelin como uma devastação ambulante. No entanto, quando a destruição, a bruxaria e as viagens psicodélicas eram transportadas para suas canções, o Led alçava o posto de banda mais venerada pelo público do rock, batendo recordes de audiência e lotando estádios.

Ao mesmo tempo, a banda era apunhalada pela crítica, descontente com seu trabalho, mas que não obtinha nenhum poder de furar esse balão. Os únicos que poderiam abalar esse ritmo frenético de transes coletivos eram eles próprios. E, ao errar a dose da animalidade, Bonham afogou-se em seu próprio vômito em setembro de 1980 após tomar uma grande quantidade de vodca. Alguns registros afirmam que foram 52 doses, outros 40. Em 12 ou 7 horas seguidas (os registros não eram precisos também), o baterista abusou da vida e marcou o fim do Led.  Jimmy Page e  Robert Plant seguiram com carreira em parceria e álbuns solo, e John Paul Jones lançou um trabalho por conta própria. Plant está de volta com a banda The Strange Sensation.

Nascido de um milagroso trabalho de parto de 26 horas e salvo de uma seguida parada cardíaca por uma enfermeira que decidiu chamar outro médico, porque o responsável naquela hora estava bêbado, John Henry Bonham talvez pensasse que era imortal. E, de certa forma era, porque o estrago já estava feito: depois do Zeppelin, o rock incorporou os riffs repetitivos de Page, a bateria com solos intermináveis e batidas cruas, os vocais agudos e potentes e o folclore mítico criado por eles, que acabaram se tornando os pais do hard rock.

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