O que esperar dos shows da Florence + The Machine no Brasil

Publicado: 17/11/2011 em Música, Uncategorized
Tags:, , ,

Florence Leontine Mary Welch disputa no momento um espaço no coração indie até então dedicado a divas como PJ Harvey, Fiona Apple, Regina Spektor e Alison Goldfrapp. Tem o soul no sangue e uma capacidade de ir do minimalismo musical à explosão de sua voz com maestria. Enquanto os brasileiros não conferem Florence e sua Machine – a trupe desembarca por aqui em janeiro para shows no Summer Soul Festival – , a degustação de seu recém-lançado segundo álbum, “Ceremonials”, dá algumas pistas do que esperar nesse show. E pode-se esperar muito.

A voz marcante que fez de “Dog Days are Over” hit onipresente (naquele nível em que se torna necessário trocar de rádio ao ouvi-lo) conquistou fãs para o álbum de estreia. “Lungs” trazia a poderosa vocalista acompanhada de músicos (incluindo a tecladista Isabella “Machine” Summers) que mais ambientavam e faziam cama do que efetivamente se apropriavam das canções. Nesse segundo trabalho, no entanto, a dinâmica muda e a banda realça as vocal tracks com uma grandiosidade que denota uma certa intenção de hino. “Shake it Out”, faixa 2 no CD e segundo single de “Ceremonials”, segue uma linha Arcade-Fireana recheada de backing vocals e órgãos celestiais.  E olha que o produtor Paul Epworth (Friendly Fires, Cee Lo Green, Block Party) ambientou o álbum inteiro com sons como corvos, zumbis levando tiros e outras alucinações demoníacas.

“Only If for a Night”, música que abre o CD, já anuncia a vocalização potente e, em uma base trip hop, abusa das harpas angelicais de Tom Monger (eu não contava com o sobrenome no trocadilho mas, enfim…). “What the Water Gave Me” abre menos o leque de tons e aposta em guitarras mais sujas, enquanto “Never Let Me Go” não deve nada às baladas mais melosas dos anos 90. “Breaking Down” rompe a seqüência de hinos com teclados e violinos sobrepondo-se a uma sussurrante vocalista. “Lover to Lover” relembra os bons rocks regados a piano no melhor estilo Huey Lewis e traz mais momentos solo de Florence, que logo se perde nos overdubs de voz e backings na faixa seguinte, “No Light, No Light”.

A sombria “Seven Devils” explora um pouco melhor a potência vocal da moça. “Heartlines” mistura batidas tribais e programações, seguida de perto por “Spectrum”, que ganha um diferencial dançante e menos batucado. “All This Heaven Too” alegra o ambiente, com uma dinâmica parecida à de Dogs Days, acrescida de cânticos. “Leave My Body” finaliza a porção pretensiosa do álbum, abrindo espaço para o trip hop delicioso “Remain Nameless”. “Strangeless and Charm” remete às bases ingênuas do pop japonês para colocar o ouvinte pra dançar. Apesar do nome, “Bedroom Hynns” tem menos apoteose do que grande parte das faixas iniciais e exatamente por isso impressiona.

A edição “deluxe” do álbum traz ainda versões acústicas de algumas canções e mostra como, sem o figurino de camadas de backing vocal, cânticos e anjos, o grupo surpreende da mesma forma. Gravado no antológico Abbey Road e carregado de ambições de arena no melhor estilo U2/ Coldplay, esse novo momento do Florence + The Machine deve representar para o grupo o que “The Suburbs” fez pelo Arcade Fire. E se a banda entregar ao vivo o que demonstra nesse novo trabalho, o público brasileiro pode esperar uma performance musical de encher os ouvidos.

“Dá pra ouvir a cara de um zumbi sendo esmagada, e é basicamente isso que usamos no álbum todo”

(Florence Welch, a respeito dos sons inseridos pelo produtor no CD )

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s