Sol de Papel lança álbum de estreia hoje na Fnac

Publicado: 09/12/2011 em Música
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2011 pode ser considerado “The Year Grunge (Re)Broke”, com shows lendários de Pearl Jam e o suspiro final do Sonic Youth em solo brazuca; os belíssimos documentários “Pearl Jam 20” e “Foo Fighters Back and Forth” (que invariavelmente nos leva ao Nirvana e tudo que ele engloba); e a edição dupla “deluxe” em comemoração aos 20 anos de Nevermind. Para quem viveu a euforia adolescente de usar camisa xadrez de flanela em plenos 40 graus no interior de São Paulo (o meu caso), no entanto, o grunge nunca deixou de existir – as vestimentas, graças a Deus, se tornaram mais confortáveis. Se os anos 00 viram um verdadeiro boom de bandas derivadas do hardcore californiano, a previsão é de que os anos 10 sejam invariavelmente marcados pela maturidade dos filhos da geração de Seattle.  E a banda Sol de Papel traz esse registro com competência indelével em seu álbum de estreia, “O Quarto Estúdio”, que ganha lançamento hoje na Fnac de Ribeirão Preto (SP).

E aqui acaba a porção puramente jornalística desse texto, caro leitor. O motivo é simples. Pedro Rubiani (vocal/guitarra)e Bruno Pessotti (baixo) são amigos de colégio, de quem eu vi desde a apresentação número 1; Nandera Oliveira é um baterista que admiro desde essa mesma época; e para o Rodrigo Galvão (guitarra), bem, devo desculpas até hoje porque roubamos o baixo dele várias e várias vezes para que sua irmã tocasse na banda da qual eu fazia parte.

Dito isso, registro minha surpresa. Não em comparação ao que já ouvi deles, mas em relação ao que já ouvi. Há coesão com o que se propõe, e trabalho bem feito entregue, com letra e música compatíveis com o que se prega. Não há reinvenção em timbres, mas há o som certo para cada intenção (e isso incluiu background, pianos e outros requintes, como em “Dança das Marés” e “Digo que Venci”). E uma belíssima produção, diga-se de passagem. Não à toa, o álbum ganhou masterização na Masterdisk, em Nova York, por onde já estiveram trabalhos de Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins etc.

Muitos dos elementos dos anos 90 estão mesmo ali: o contrate peso/melodia, os riffs explosivos em refrões potentes, a bateria quebrada que acompanha a perfumaria (OK, isso é a herança dos anos 70 que foi parar nos porões de Washington). Mas há o frescor do baixo bem construído, como na faixa “Talvez”; há pontes bem delineadas, como em “Noroeste 313”; há passeios pelo sincopado do funk como “Um Pouco de Alma”. Há possibilidades que transformam o álbum em uma carta de intenções de um grupo que entrega e tem muito a entregar.

Fosse um CD sem passado que chegasse às minhas mãos, talvez eu pudesse perfilar mais qualidades com um pouco menos de medo de soar olha-que-legal-a-banda-dos-meus-amigos. Mas acho que “O Quarto Estúdio” é prova viva de uma máxima que poucas bandas levam a sério: seja honesto consigo mesmo.  Não tente escrever o novo OK Computer. Faça o que você está a fim e assuma potencialidades. É dali que vai surgir algo verdadeiro.

Pocket Show de lançamento do CD “O Quarto Estúdio”

Local: FNAC Ribeirão Shopping

Quando: hoje, às 20h

Entrada Gratuita

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