Top 3 Docs 2011, terceiro lugar: “George Harrison – Living in the Material World”, por Martin Scorsese

Publicado: 15/12/2011 em Cinema, Música
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Demorou, mas as retrospectivas chegaram ao Credencial. Vamos começar pelo Top 3 Documentários Musicais, e tio Martin Scorsese ganhou o terceiro lugar com sua tentativa de narrar a vida do beatle George Harrison em Living in the Material World.

Em “Shine a Light”, registro ao vivo de um show dos Rolling Stones capturado por Scorsese, o diretor penou para descobrir o set list de Mick Jagger & Cia. O papel só lhe foi entregue momentos antes da apresentação começar. Uma espécie de segredo guardado longe do cineasta, um desafio para que ele rebolasse nos 30 e comandasse as câmeras sem ter muito tempo para poder preparar a equipe.  E agora, nessa nova incursão do cineasta ao mundo da música, mesmo com toneladas de imagens e depoimentos, o desafio do segredo permanece.

O motivo, a princípio, é simples: uma banda de sucesso é e será sempre um segredo bem-guardado. Algo que apenas os que viveram toda a “mania” são capazes de entender e compartilhar. O próprio Ringo Starr declara isso. E Eric Clapton, uma das (tentativas de) linhas condutoras do filme, deixa bem claro que, apesar de se sentir muito amigo de George, não é capaz de dizer o quão próximos eles eram de fato.

“Living in the Material World” busca retratar os dois lados do beatle que, enquanto buscava a transcendência do corpo físico, era incapaz de resistir por muito tempo às tentações da carne. O problema é que, enquanto há centenas de imagens do rapaz na Índia, gravando mantras ou pregando a paz, pouco se revela a respeito do lado negro da força de Harrison. Paul McCartney se limita a dizer que, “como homem, ele gostava do que os homens gostavam”, e uma resignada Olivia Harrison é capaz de assumir o poder de sedução de seu falecido marido. Klaus Voorman, colega dos Beatles dos tempos de Hamburgo, assume o vício de George nas drogas e o quanto isso o consumia.  Mas só.

Lágrimas de Ringo

Outro desafio enfrentado por Scorsese foi lidar com o material já existente em imagens. Nesse aspecto, o diretor mostra momentos brilhantes ao alinhar foto e vídeo em várias passagens; trabalhar com frames aparentemente banais capturados por George, seja em seu jardim,  na praia ou na cozinha, e costurá-los na narrativa; e arrancar lágrimas de Ringo enquanto esse descreve seu último encontro com o guitarrista.

Apesar das inúmeras críticas em relação à falta de um narrador em off, que ajudaria a contextualizar muitos dos depoimentos (não há preocupação em saber se o espectador conhece de fato os entrevistados, e quem não tem familiaridade com a história da banda pode se perder bastante), Scorsese consegue com essa estratégia que todos tenham um peso equivalente, salvo os ex-integrantes da banda e as viúvas de Lennon e  Harrison. Um peso que parece ser o mesmo que o guitarrista deu a todas essas pessoas enquanto vivia, como descreveu Clapton.

Uma das falas mais poéticas é do ex-piloto de F1 Jack Stwart, que enxergava em George a mesma capacidade de sentidos aguçados que um piloto vivencia nos momentos extremos de velocidade. Talvez a vida do autor de “Something” tenha sido isso mesmo: uma viagem supersônica com os sentidos a mil, da qual nós, sentados à beira da estrada, só tenhamos direito mesmo a ver um borrão.

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