Top 3 Docs 2011, segundo lugar: “Foo Fighters: Back and Forth”, de James Moll

Publicado: 23/12/2011 em Cinema, Música
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Espécie de flor de lótus gerada no meio do esterco que foi o fim do Nirvana, o Foo Fighters esperou álbuns e álbuns por sua redenção perante a comunidade musical. E exatamente um ano antes de sua apresentação em solo brazuca no Lollapalooza,  a banda de Dave Grohl, – o até então considerado  “ cara mais legal do rock” –  disponibilizou nos cinemas o documentário que, a reboque do aclamado recém-lançado álbum “Wasting Light”, traria o resgate de sua nada calma história.

Vamos muito, muito por partes.  “Back and Forth” presta, a princípio, um serviço aos fãs mais recentes, que estão acostumados a ver as caras sorridentes do grupo e todo o sucesso atual que ele alcança, e nem imagina os sacos de sal que o povo já comeu, como as idas e vindas de Pat Smear na guitarra;  a overdose do batera Taylor Hawkins; e as demissões nada amigáveis do guitarrista Franz Stahl e do baterista Willian Goldsmith. Também narra uma trajetória incrível de uma banda que surgiu de uma demo tape que Grohl gravou sozinho, ainda em meio à letargia que se seguiu ao suicídio de Cobain, e que aqueles moleques do clipe de “Big Me”, uma paródia impagável dos comerciais de Menthos, jamais imaginariam onde fosse parar.

Por outro lado, é uma biografia mais que autorizada e, por isso mesmo, mantém os dentes do ex-baterista do Nirvana brilhantes na tela. Uma outra narrativa lançada também em 2011 em livro, “This is a Call – The Life and Times of Dave Grohl”, do jornalista Paul Branningan, esclarece alguns desses episódios que o filme abranda um certo tanto. Apesar de fã declarado de Grohl, o autor consegue esmiuçar um pouco mais, entre outras coisas, como o baterista Willian descobriu que a banda toda estava refazendo “The Colour and The Shape” sem ele. Como Franz Stahl sacou, em 1997, o que Dave Grohl decidiu deixar em panos limpos só lá na frente, em One by One (2002): que aquela era banda dele, e ele decidiria no fim das contas como ela seria, por mais que adorasse que todos dessem ideias. E, entre todos os contratempos do mundo, os muitos e muitos “brancos” de criatividade que aplacaram o grupo em toda sua história.

Com uma discografia considerada pela crítica como bastante irregular, o Foo Fighters tem, no entanto, um mérito gigante na história da música das últimas duas décadas que “Back and Forth” ressalta com maestria: eles são pura celebração da festa que é o rock and roll, com propriedade técnica. Um moleque que cresce ouvindo a banda precisa se esforçar em um nível bem maior para tirar as músicas se comparado a outros grupos contemporâneos e, dado o seu alcance pop mundial, os integrantes indicam bandas um tanto decentes que a molecada deveria ouvir, antigas e novas. Sem contar a facilidade com que Grohl trafega pelos mais diversos gêneros, seja em colaboração com o Queens of the Stone Age, com seu projeto de heavy metal Probot ou em parcerias pelo mundo afora – sem a Roberto-Carlização que acomete Andreas Kisser, por exemplo.

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