Arquivo de janeiro, 2012

A privação é a mãe da poesia.

Leonard Cohen, em seu livro”A Bricadeira Favorita” (1963). Um trecho (bacana) da obra, que enfim ganha lançamento no Brasil em março pela Cosac Naify, foi publicado hoje na Folha de S. Paulo, no caderno Ilustríssima.

Do alto desse mesmo Copan, palco de tantos clipes-e-fotos-e-ensaios artísticos, Mallu me confessava, há uns dois anos, não achar graça na história de “Alice no País das Maravilhas”. Essa metáfora da juventude, que uma hora se sente grande, outra bem pequena, não fazia sentido algum pra ela. Vontade de crescer, essa ela sempre teve. Agora, em todos os sentidos (inclusive nos 10 cm a mais que lhe cabem), isso aconteceu.

Não é mero fato do acaso termos o filme Bonequinha de Luxo sendo exibido em telas grandes em SP ao mesmo tempo em que o clipe de “Velha e Louca”, faixa do recente álbum de Mallu, “Pitanga”, também chega às telonas. Numa parceria entre a SonyMusic, Hungry Man Projects e Mobz, especialista em desenvolvimento e distribuição de conteúdos especiais em cinema, o clipe foi lançado em cinemas de todo o país em primeira mão na última sexta (20), na estreia do novo filme de Steven Spielberg, “As aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne”. O vídeo foi gravado no alto de um dos prédios mais famosos do centro de São Paulo e traz também a banda formada por Davi de Miranda Bernardo (guitarra), Thiago Consorte (baixo), Rafael de Miranda Bernardo (bateria) e o hermano Marcelo Camelo (conga e violão).

O que se vê ao longe em destaque, no entanto, não é a bela paisagem paulistana; é a produção make-figurino de encher os olhos, fruto da caminhada a passos largos que Mallu sempre teve em paralelo à moda, iniciada no primeiro desfile da grife Maria Bonita da qual participou (a marca ainda é uma de suas preferidas), ainda moleca. A bonequinha do clipe de “Velha e Louca” tem luxo e ares de inocência, mas misturados em boa dose aos belos artifícios de mulher que Mallu tanto tem sabido explorar artisticamente.

Já está no ar a edição 81 da revista Comunicação Empresarial, da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). Lá, você confere uma série de matérias feitas pela blogueira que vos fala, como: a prática de lobby no Brasil (que precisa urgentemente de regularização, pelo bem de todos nós); as práticas de comunicação de hospitais e empresas de saúde; o avanço da comunicação no México; em quais fichas as grandes empresas vão apostar sua comunicação em 2012; mil e um motivos para investir em celebrações, entre outras.

Quer ler? Clica aqui.

Elementar, meu caro Watson. Muitas pistas levam a crer que Dave Matthews e sua trupe estejam em Seattle preparando material novo.  A primeira delas vem do ano passado, quando Dave comentou com o público no festival da DMB Caravan em Randall´s Islands: “espero que da próxima vez que a gente se encontre eu tenha novas músicas”. A segunda: o trompetista Rashawn Ross começou o ano comprando novos instrumentos, e garantiu  ao dono da loja que  passaria os próximos dois meses trabalhando no novo álbum em Seattle. Como se não bastasse, o produtor Steve Lillywhite, veterano de gravações com Mr. Matthews e seus amigos, twittou que estaria voando para a mesma cidade.

Enquanto isso, no reino de Charlottesville, Virginia, a esposa do batera Carter Beauford (foto) organizou um almoço em sua propriedade de US$ 4,5 milhões para Michelle Obama iniciar sua campanha para a reeleição do marido, na primeira semana do ano. Carter, no entanto, não estava lá: de acordo com o jornal Chicago Sun-Times ele estava… em Seattle.

Vanguart toca hoje no Sesc Pompéia (Foto: André Peninche)

Então você ta aí de bode, vendo todos esses posts sobre gatos pretos (que são lindos, aliás), urucas e coisas da sexta-feira mais temida em todos os tempos. Para com isso e vai curtir um som!

Hoje no Sesc Pompéia tem Vanguart com show do álbum “Boa Parte de Mim Vai Embora” (Vigilante/Deck), com participação de Cida Moreira, que ilustra, inclusive, a capa desse álbum. “Quando pensei no universo feminino que ronda “Boa Parte de Mim vai Embora”, Cida tinha que ser uma parte dessas mulheres nobres, corajosas e transformadoras, por isso a chamei para a capa e para este show, pois só canto dessa forma no álbum porque aprendi com ela”, coenta o vocalista (e part-time trompetista) Hélio Flanders.

Com Cida, a banda deve tocar as músicas “Semáforo”, “She’s Leaving Home” (Beatles) e outras surpresas.  Lembrando que a turnê desse segundo trabalho dos folkmen de Cuiabá inclui a violinista Fernanda Kotschak.

Já na sala Funarte Guiomar Novaes, o projeto “São Paulo Representa” abre os trabalhos da versão 2012 do panorama da produção musical paulistana. Quem se apresenta hoje é a Porto, organização musical instrumental formada por Richard Ribeiro (baterista e compositor)  acompanhado de Regis Damasceno (guitarra) que mescla arranjos rítmicos com melodias de… metalofone.

Quem dá as caras amanhã no São Paulo Representa é o talentoso Fábio Goes, dono de um dos melhores álbuns de 2011 (segundo essa que voz fala e algumas outras publicações), “O Destino Vestido de Noiva”. Além deles, nos próximos quatro meses de projeto vêm por aí ainda Rodrigo Campos, Criolo,

Tem Fábio Goes amanhã no São Paulo Representa

Hurtmold, Kamau, Gui Amabis, Instituto, Curumin, Karina Buhr e mais.

Show: Vanguart – Boa Parte de Mim Vai Embora
Hoje
Local: SESC Pompéia (Rua Clélia, 93 – Pompéia – São Paulo)
Horário: 21h
Preço: R$16 [inteira] / R$8 [usuário matriculado no SESC e dependentes] / R$4 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

Festival São Paulo Representa
Porto (hoje) e Fábio Goes (amanhã, 14)
Horário: sexta e sábado às 19h30
Local: Sala Guiomar Novaes ( Al. Nothmann 1058)
Preço: R$5

O cineasta Tim Burton se manifestou na noite de ontem (11) a respeito das acusações de, digamos, “desbunde” na festa de Halloween da qual ele teria participado em 2009 na Casa Branca conforme afirma a jornalista do New York Times Jodi Kantor no livro The Obamas, que repercutiu nos últimos dias na mídia internacional. De acordo com a autora, no ano em que os Estados Unidos viveram uma gravíssima crise de desemprego, o presidente teria encomendado uma festa secreta bastante opulenta de Halloween, com direto a encenações da versão de Tim Burton do clássico “Alice no País das Maravilhas”.

Segundo o livro, Tim Burton teria recebido carta branca para transformar a festividade em uma versão rebuscada da famosa cena do chá, com direito a presença de Johnny Depp devidamente paramentado como o Chapeleiro Maluco. De acordo com o  jornal britânico The Telegraph, George Lucas ainda teria mandado Chewbacca para a festa!

Em sua página do Facebook, Burton diz foi contratado para ajudar a decorar uma festa de Halloween para a Casa Branca, mas destinada aos filhos de militares. “Eu contatei a Disney, que gentilmente doou material dos meus filmes ‘Alice no País das Maravilhas’ e ‘O Estranho Mundo de Jack’”, garante.  O cineasta revela que pediu a Johnny Depp e Mia Wasikowsa para comparecerem em seus personagem do filme “Alice”, e ao ator Deep Roy para aparecer em seu figurino de Oompa-Loompa, como uma “maneira de surpreender as crianças”.

“É triste que esse evento tenha sido deturpado e transformado em algo negativo quando foi feito para crianças”, finaliza Burton.

Polêmicas à parte, cá entre nós: não seria absolutamente TUDO participar de um evento assim????

Se tem uma coisa da qual Yoko Ono entende, seja como boa artista plástica ou como alma perturbada mesmo, é entrar no imaginário popular. Qualquer ente que tenha tentando se inflitrar no caminho dos Beatles foi sumariamente ignorado, mas Yoko permaneceu ali, no mito dos fanáticos, seja como antagonista do Fab Four ou como companheira de John (e ele, como seus colegas de banda, teve muitas).

Experimental até mesmo com sua própria vida (e a dos outros, claro), a viúva Lennon percorre alguns caminhos espinhosos da alma humana e consegue produzir sons que as pessoas não querem ouvir reverberar dentro de si mesmas. Daí não surpreende a trilha sonora de filme de terror que abre o EP “The Flaming Lips with Plastic Ono Band”. A faixa de nove minutos “The Fear Litany” (a ladainha do medo) tenta mostrar que os temores são imaginários, que “se você deixar o medo de lado, não sobra nada”. Mas para, digamos, ambientar o seu ponto de vista, precisava reproduzir o som do terror (com direito a interpretação bruxesca da senhora), assim, com tanta eficácia, gente????

“Do It” traz um pouco mais da sonoridade da banda de Wayne Coyne, com timbres industriais alternativos e uma Yoko um tanto mais assertiva. “Brain of Heaven” redime os ouvintes de todos os pecados, com ambas bandas (incluindo aí Sean Lennon) dedicada na construção de um hino e um trabalho vocal harmônico. Alcançamos, assim, o Papai Noel na última faixa, uma versão de “Atlas Eets Christmas”, previamente divulgada. Mas duvido que a sua espinha permaneça relaxada quando ouvir a voz doce da vocalista da POB, mesmo quando ela sussurra “I Love You”. Não parece ser essa a intenção.

Ouça com sua própria alma, se tiver coragem. Aqui.