Arquivo da categoria ‘Cinema’

Do alto desse mesmo Copan, palco de tantos clipes-e-fotos-e-ensaios artísticos, Mallu me confessava, há uns dois anos, não achar graça na história de “Alice no País das Maravilhas”. Essa metáfora da juventude, que uma hora se sente grande, outra bem pequena, não fazia sentido algum pra ela. Vontade de crescer, essa ela sempre teve. Agora, em todos os sentidos (inclusive nos 10 cm a mais que lhe cabem), isso aconteceu.

Não é mero fato do acaso termos o filme Bonequinha de Luxo sendo exibido em telas grandes em SP ao mesmo tempo em que o clipe de “Velha e Louca”, faixa do recente álbum de Mallu, “Pitanga”, também chega às telonas. Numa parceria entre a SonyMusic, Hungry Man Projects e Mobz, especialista em desenvolvimento e distribuição de conteúdos especiais em cinema, o clipe foi lançado em cinemas de todo o país em primeira mão na última sexta (20), na estreia do novo filme de Steven Spielberg, “As aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne”. O vídeo foi gravado no alto de um dos prédios mais famosos do centro de São Paulo e traz também a banda formada por Davi de Miranda Bernardo (guitarra), Thiago Consorte (baixo), Rafael de Miranda Bernardo (bateria) e o hermano Marcelo Camelo (conga e violão).

O que se vê ao longe em destaque, no entanto, não é a bela paisagem paulistana; é a produção make-figurino de encher os olhos, fruto da caminhada a passos largos que Mallu sempre teve em paralelo à moda, iniciada no primeiro desfile da grife Maria Bonita da qual participou (a marca ainda é uma de suas preferidas), ainda moleca. A bonequinha do clipe de “Velha e Louca” tem luxo e ares de inocência, mas misturados em boa dose aos belos artifícios de mulher que Mallu tanto tem sabido explorar artisticamente.

O cineasta Tim Burton se manifestou na noite de ontem (11) a respeito das acusações de, digamos, “desbunde” na festa de Halloween da qual ele teria participado em 2009 na Casa Branca conforme afirma a jornalista do New York Times Jodi Kantor no livro The Obamas, que repercutiu nos últimos dias na mídia internacional. De acordo com a autora, no ano em que os Estados Unidos viveram uma gravíssima crise de desemprego, o presidente teria encomendado uma festa secreta bastante opulenta de Halloween, com direto a encenações da versão de Tim Burton do clássico “Alice no País das Maravilhas”.

Segundo o livro, Tim Burton teria recebido carta branca para transformar a festividade em uma versão rebuscada da famosa cena do chá, com direito a presença de Johnny Depp devidamente paramentado como o Chapeleiro Maluco. De acordo com o  jornal britânico The Telegraph, George Lucas ainda teria mandado Chewbacca para a festa!

Em sua página do Facebook, Burton diz foi contratado para ajudar a decorar uma festa de Halloween para a Casa Branca, mas destinada aos filhos de militares. “Eu contatei a Disney, que gentilmente doou material dos meus filmes ‘Alice no País das Maravilhas’ e ‘O Estranho Mundo de Jack’”, garante.  O cineasta revela que pediu a Johnny Depp e Mia Wasikowsa para comparecerem em seus personagem do filme “Alice”, e ao ator Deep Roy para aparecer em seu figurino de Oompa-Loompa, como uma “maneira de surpreender as crianças”.

“É triste que esse evento tenha sido deturpado e transformado em algo negativo quando foi feito para crianças”, finaliza Burton.

Polêmicas à parte, cá entre nós: não seria absolutamente TUDO participar de um evento assim????

Conhecido por transformar trechos de sua própria vida em ficções deliciosas, como “Quase Famosos” e “Singles”, Cameron Crowe foi na contramão dos outros grandes diretores que se aventuraram em documentários musicais em 2011 e decidiu registrar em vídeo a história dos próprios amigos. Esse toque pessoal, longe de comprometer o resultado, trouxe a “Pearl Jam 20” um frescor que garantiu o primeiro lugar ao filme nesse humilde blog.

Para quem espera uma história baseada na banda que tem em Eddie Vedder um ícone, mais do que um líder, a surpresa será grande. Primeiro porque o Pearl Jam nasceu dos restos mortais do Mother Love Bone, grupo que também era feito de um líder carismático e inesquecível: Andy Wood, que morreu de overdose em 1990. O resgate da breve trajetória e das raras imagens do MLB, cujas raízes explicam o som “grunge” que tanto caracterizou uma geração de músicos, já vale o documentário. Para se ter uma ideia, o próprio Vedder só ousou cantar uma música do Love Bone no palco na comemoração de dez anos do Pearl Jam.

A partir daí, o eixo narrativo se concentra no baixista Jeff Ament e nos guitarristas Stone Gossard e Mike  McCready, que encontraram em Vedder a voz, a lírica e a intensidade que procuravam para seu som. Viram esse mesmo baixinho muito tímido, importado dos mares da Califórnia, se ambientar à cinzenta Seattle e à cena local formada por amigos de infância. Presenciaram o vocalista se agigantar nos palcos aos poucos e dominar o escopo criativo do Pearl Jam. E por fim, narra o fortalecimento da banda em meio às intempéries da linha do tempo, como as farpas trocadas com o Nirvana, a briga judicial com a Ticketmaster e a morte dos fãs no festival Roskilde.

Dos três filmes lembrados aqui, “PJ 20” é o que mais lembra uma narrativa tradicional de documentário e, ao mesmo tempo, tem aquele toque de filme caseiro, de família sentada na sala relembrando imagens que nem sabia que ainda possuía guardadas. E essa humanização só mesmo quem já passou muitas noites na sala de jantar é capaz de traduzir.

Espécie de flor de lótus gerada no meio do esterco que foi o fim do Nirvana, o Foo Fighters esperou álbuns e álbuns por sua redenção perante a comunidade musical. E exatamente um ano antes de sua apresentação em solo brazuca no Lollapalooza,  a banda de Dave Grohl, – o até então considerado  “ cara mais legal do rock” –  disponibilizou nos cinemas o documentário que, a reboque do aclamado recém-lançado álbum “Wasting Light”, traria o resgate de sua nada calma história.

Vamos muito, muito por partes.  “Back and Forth” presta, a princípio, um serviço aos fãs mais recentes, que estão acostumados a ver as caras sorridentes do grupo e todo o sucesso atual que ele alcança, e nem imagina os sacos de sal que o povo já comeu, como as idas e vindas de Pat Smear na guitarra;  a overdose do batera Taylor Hawkins; e as demissões nada amigáveis do guitarrista Franz Stahl e do baterista Willian Goldsmith. Também narra uma trajetória incrível de uma banda que surgiu de uma demo tape que Grohl gravou sozinho, ainda em meio à letargia que se seguiu ao suicídio de Cobain, e que aqueles moleques do clipe de “Big Me”, uma paródia impagável dos comerciais de Menthos, jamais imaginariam onde fosse parar.

Por outro lado, é uma biografia mais que autorizada e, por isso mesmo, mantém os dentes do ex-baterista do Nirvana brilhantes na tela. Uma outra narrativa lançada também em 2011 em livro, “This is a Call – The Life and Times of Dave Grohl”, do jornalista Paul Branningan, esclarece alguns desses episódios que o filme abranda um certo tanto. Apesar de fã declarado de Grohl, o autor consegue esmiuçar um pouco mais, entre outras coisas, como o baterista Willian descobriu que a banda toda estava refazendo “The Colour and The Shape” sem ele. Como Franz Stahl sacou, em 1997, o que Dave Grohl decidiu deixar em panos limpos só lá na frente, em One by One (2002): que aquela era banda dele, e ele decidiria no fim das contas como ela seria, por mais que adorasse que todos dessem ideias. E, entre todos os contratempos do mundo, os muitos e muitos “brancos” de criatividade que aplacaram o grupo em toda sua história.

Com uma discografia considerada pela crítica como bastante irregular, o Foo Fighters tem, no entanto, um mérito gigante na história da música das últimas duas décadas que “Back and Forth” ressalta com maestria: eles são pura celebração da festa que é o rock and roll, com propriedade técnica. Um moleque que cresce ouvindo a banda precisa se esforçar em um nível bem maior para tirar as músicas se comparado a outros grupos contemporâneos e, dado o seu alcance pop mundial, os integrantes indicam bandas um tanto decentes que a molecada deveria ouvir, antigas e novas. Sem contar a facilidade com que Grohl trafega pelos mais diversos gêneros, seja em colaboração com o Queens of the Stone Age, com seu projeto de heavy metal Probot ou em parcerias pelo mundo afora – sem a Roberto-Carlização que acomete Andreas Kisser, por exemplo.

Demorou, mas as retrospectivas chegaram ao Credencial. Vamos começar pelo Top 3 Documentários Musicais, e tio Martin Scorsese ganhou o terceiro lugar com sua tentativa de narrar a vida do beatle George Harrison em Living in the Material World.

Em “Shine a Light”, registro ao vivo de um show dos Rolling Stones capturado por Scorsese, o diretor penou para descobrir o set list de Mick Jagger & Cia. O papel só lhe foi entregue momentos antes da apresentação começar. Uma espécie de segredo guardado longe do cineasta, um desafio para que ele rebolasse nos 30 e comandasse as câmeras sem ter muito tempo para poder preparar a equipe.  E agora, nessa nova incursão do cineasta ao mundo da música, mesmo com toneladas de imagens e depoimentos, o desafio do segredo permanece.

O motivo, a princípio, é simples: uma banda de sucesso é e será sempre um segredo bem-guardado. Algo que apenas os que viveram toda a “mania” são capazes de entender e compartilhar. O próprio Ringo Starr declara isso. E Eric Clapton, uma das (tentativas de) linhas condutoras do filme, deixa bem claro que, apesar de se sentir muito amigo de George, não é capaz de dizer o quão próximos eles eram de fato.

“Living in the Material World” busca retratar os dois lados do beatle que, enquanto buscava a transcendência do corpo físico, era incapaz de resistir por muito tempo às tentações da carne. O problema é que, enquanto há centenas de imagens do rapaz na Índia, gravando mantras ou pregando a paz, pouco se revela a respeito do lado negro da força de Harrison. Paul McCartney se limita a dizer que, “como homem, ele gostava do que os homens gostavam”, e uma resignada Olivia Harrison é capaz de assumir o poder de sedução de seu falecido marido. Klaus Voorman, colega dos Beatles dos tempos de Hamburgo, assume o vício de George nas drogas e o quanto isso o consumia.  Mas só.

Lágrimas de Ringo

Outro desafio enfrentado por Scorsese foi lidar com o material já existente em imagens. Nesse aspecto, o diretor mostra momentos brilhantes ao alinhar foto e vídeo em várias passagens; trabalhar com frames aparentemente banais capturados por George, seja em seu jardim,  na praia ou na cozinha, e costurá-los na narrativa; e arrancar lágrimas de Ringo enquanto esse descreve seu último encontro com o guitarrista.

Apesar das inúmeras críticas em relação à falta de um narrador em off, que ajudaria a contextualizar muitos dos depoimentos (não há preocupação em saber se o espectador conhece de fato os entrevistados, e quem não tem familiaridade com a história da banda pode se perder bastante), Scorsese consegue com essa estratégia que todos tenham um peso equivalente, salvo os ex-integrantes da banda e as viúvas de Lennon e  Harrison. Um peso que parece ser o mesmo que o guitarrista deu a todas essas pessoas enquanto vivia, como descreveu Clapton.

Uma das falas mais poéticas é do ex-piloto de F1 Jack Stwart, que enxergava em George a mesma capacidade de sentidos aguçados que um piloto vivencia nos momentos extremos de velocidade. Talvez a vida do autor de “Something” tenha sido isso mesmo: uma viagem supersônica com os sentidos a mil, da qual nós, sentados à beira da estrada, só tenhamos direito mesmo a ver um borrão.

Começa hoje em São Paulo e vai até o dia 30 de dezembro a Mostra “Clint Eastwood – Clássico e Implacável”, no CCBB.  Por módicos R$ 4 (com direito a meia entrada), é possível conferir petardos como “Bronco Billy”, “Sobre Meninos e Lobos”, “Meu nome é Coogan”, “Magnun 44”,“Cartas de Iwo Jima” e até mesmo o lacrimoso “As Pontes de Madison” (ok, eu chorei nesse filme, confesso).

Imortalizado como pistoleiro impiedoso desde sua estreia em “Por um punhado de dólares” (também presente na mostra), do gran chef do western à carbonara Sergio Leone, fora das telas Eastwood também protagoniza desde 71 uma carreira de diretor, que pode ser conferida recentemente com o longa um tanto espírita “Além da Vida”.

A mostra também passa por Brasília a partir do dia 13 e garante um Natal bem feliz aos amantes do cinema das duas cidades. Veja a programação completa aqui.

Clint Eastwood – Clássico e Implacável

De 6 a 30 dez 2011

CCBB São Paulo: R. Álvares Penteado 112,

róximo às estações Sé e São Bento do Metrô.

Inteira: R$ 4/ meia: R$ 2

Estacionamento conveniado:  R. da Consolação 228,com transporte gratuito até as proximidades do CCBB

Nunca antes exibido, o show dos Stones no Texas na turnê de 1978 que deu origem ao aclamado álbum “Some Girls” roda os cinemas do mundo e desembarca no Brasil nos dias 11 e 12 de novembro. Filmado originalmente em 16mm, foi restaurado e será exibido nas telonas para deleite dos fãs.

Confira os locais brazucas que receberão “The Rolling Stones: Some Girls – Live in Texas”:

Curitiba UCI Estação

Curitiba UCI Palladium

Fortaleza UCI Ribeiro Fortaleza Iguatemi Shopping

Juiz de Fora UCI Kinoplex Independência

Recife UCI Kinoplex Plaza Casa Forte Shopping

Recife UCI Kinoplex Recife Shopping

Recife UCI Kinoplex Shopping Tacaruna

Ribeirão Preto UCI Ribeirão

Rio de Janeiro UCI Kinoplex Plaza Norte Shopping

Rio de Janeiro UCI New York City Center

Salvador UCI Aeroclube

Salvador UCI Iguatemi Salvador

Salvador UCI Orient Paralela

São Paulo UCI Anália Franco

São Paulo UCI Jardim Sul

São Paulo UCI Santana Parque Shopping