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Vanguart toca hoje no Sesc Pompéia (Foto: André Peninche)

Então você ta aí de bode, vendo todos esses posts sobre gatos pretos (que são lindos, aliás), urucas e coisas da sexta-feira mais temida em todos os tempos. Para com isso e vai curtir um som!

Hoje no Sesc Pompéia tem Vanguart com show do álbum “Boa Parte de Mim Vai Embora” (Vigilante/Deck), com participação de Cida Moreira, que ilustra, inclusive, a capa desse álbum. “Quando pensei no universo feminino que ronda “Boa Parte de Mim vai Embora”, Cida tinha que ser uma parte dessas mulheres nobres, corajosas e transformadoras, por isso a chamei para a capa e para este show, pois só canto dessa forma no álbum porque aprendi com ela”, coenta o vocalista (e part-time trompetista) Hélio Flanders.

Com Cida, a banda deve tocar as músicas “Semáforo”, “She’s Leaving Home” (Beatles) e outras surpresas.  Lembrando que a turnê desse segundo trabalho dos folkmen de Cuiabá inclui a violinista Fernanda Kotschak.

Já na sala Funarte Guiomar Novaes, o projeto “São Paulo Representa” abre os trabalhos da versão 2012 do panorama da produção musical paulistana. Quem se apresenta hoje é a Porto, organização musical instrumental formada por Richard Ribeiro (baterista e compositor)  acompanhado de Regis Damasceno (guitarra) que mescla arranjos rítmicos com melodias de… metalofone.

Quem dá as caras amanhã no São Paulo Representa é o talentoso Fábio Goes, dono de um dos melhores álbuns de 2011 (segundo essa que voz fala e algumas outras publicações), “O Destino Vestido de Noiva”. Além deles, nos próximos quatro meses de projeto vêm por aí ainda Rodrigo Campos, Criolo,

Tem Fábio Goes amanhã no São Paulo Representa

Hurtmold, Kamau, Gui Amabis, Instituto, Curumin, Karina Buhr e mais.

Show: Vanguart – Boa Parte de Mim Vai Embora
Hoje
Local: SESC Pompéia (Rua Clélia, 93 – Pompéia – São Paulo)
Horário: 21h
Preço: R$16 [inteira] / R$8 [usuário matriculado no SESC e dependentes] / R$4 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]

Festival São Paulo Representa
Porto (hoje) e Fábio Goes (amanhã, 14)
Horário: sexta e sábado às 19h30
Local: Sala Guiomar Novaes ( Al. Nothmann 1058)
Preço: R$5

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Florence Leontine Mary Welch disputa no momento um espaço no coração indie até então dedicado a divas como PJ Harvey, Fiona Apple, Regina Spektor e Alison Goldfrapp. Tem o soul no sangue e uma capacidade de ir do minimalismo musical à explosão de sua voz com maestria. Enquanto os brasileiros não conferem Florence e sua Machine – a trupe desembarca por aqui em janeiro para shows no Summer Soul Festival – , a degustação de seu recém-lançado segundo álbum, “Ceremonials”, dá algumas pistas do que esperar nesse show. E pode-se esperar muito.

A voz marcante que fez de “Dog Days are Over” hit onipresente (naquele nível em que se torna necessário trocar de rádio ao ouvi-lo) conquistou fãs para o álbum de estreia. “Lungs” trazia a poderosa vocalista acompanhada de músicos (incluindo a tecladista Isabella “Machine” Summers) que mais ambientavam e faziam cama do que efetivamente se apropriavam das canções. Nesse segundo trabalho, no entanto, a dinâmica muda e a banda realça as vocal tracks com uma grandiosidade que denota uma certa intenção de hino. “Shake it Out”, faixa 2 no CD e segundo single de “Ceremonials”, segue uma linha Arcade-Fireana recheada de backing vocals e órgãos celestiais.  E olha que o produtor Paul Epworth (Friendly Fires, Cee Lo Green, Block Party) ambientou o álbum inteiro com sons como corvos, zumbis levando tiros e outras alucinações demoníacas.

“Only If for a Night”, música que abre o CD, já anuncia a vocalização potente e, em uma base trip hop, abusa das harpas angelicais de Tom Monger (eu não contava com o sobrenome no trocadilho mas, enfim…). “What the Water Gave Me” abre menos o leque de tons e aposta em guitarras mais sujas, enquanto “Never Let Me Go” não deve nada às baladas mais melosas dos anos 90. “Breaking Down” rompe a seqüência de hinos com teclados e violinos sobrepondo-se a uma sussurrante vocalista. “Lover to Lover” relembra os bons rocks regados a piano no melhor estilo Huey Lewis e traz mais momentos solo de Florence, que logo se perde nos overdubs de voz e backings na faixa seguinte, “No Light, No Light”.

A sombria “Seven Devils” explora um pouco melhor a potência vocal da moça. “Heartlines” mistura batidas tribais e programações, seguida de perto por “Spectrum”, que ganha um diferencial dançante e menos batucado. “All This Heaven Too” alegra o ambiente, com uma dinâmica parecida à de Dogs Days, acrescida de cânticos. “Leave My Body” finaliza a porção pretensiosa do álbum, abrindo espaço para o trip hop delicioso “Remain Nameless”. “Strangeless and Charm” remete às bases ingênuas do pop japonês para colocar o ouvinte pra dançar. Apesar do nome, “Bedroom Hynns” tem menos apoteose do que grande parte das faixas iniciais e exatamente por isso impressiona.

A edição “deluxe” do álbum traz ainda versões acústicas de algumas canções e mostra como, sem o figurino de camadas de backing vocal, cânticos e anjos, o grupo surpreende da mesma forma. Gravado no antológico Abbey Road e carregado de ambições de arena no melhor estilo U2/ Coldplay, esse novo momento do Florence + The Machine deve representar para o grupo o que “The Suburbs” fez pelo Arcade Fire. E se a banda entregar ao vivo o que demonstra nesse novo trabalho, o público brasileiro pode esperar uma performance musical de encher os ouvidos.

“Dá pra ouvir a cara de um zumbi sendo esmagada, e é basicamente isso que usamos no álbum todo”

(Florence Welch, a respeito dos sons inseridos pelo produtor no CD )

  • Baixe o novo álbum do Hateen, “Obrigado Tempestade”, que estará disponível para download gratuito no site oficial da banda às 11h11. O grupo segue na independência e traz novo trabalho com produção de Lampadinha, depois de cinco anos e muitas reviravoltas em sua formação. A faixa-título já está disponível para audição e mostra uma banda completamente fiel às suas raízes, com o vocalista e compositor Koala mostrando seu talento como hitmaker oficial da geração 00 – bem antes da turma 00 ter idade de sair das fraldas. Apesar da volta de Ricardo Japinha nas baquetas do grupo, quem gravou as metralhadoras tamborísticas desse projeto foi Xim, ex-batera do Hateen.
  • Se a sua praia é eletrônico, confira às 11h da noite (23h) a nova faixa musical da PlayTV, “Interferência Anderson Noise”, com o DJ e produtor que foi um dos pioneiros da cena eletrônica brazuca. O programa trará curadoria do próprio Noise, mas sem se prender a um único estilo: “vou apresentar vídeos que estou mais curtindo no momento além de mostrar minhas novidades e de outros artistas”, garante o DJ, que é residente do Clash Club (São Paulo), Club D-Edge (São Paulo), Deputamadre (Belo Horizonte), LAB Club (São Paulo).
  • Se você tem um irmão gêmeo ou faz parte do chamado grupo GPS (é): gêmeos, parentes ou simpatizantes, confira o lançamento do Sindicato dos Gêmeos – cara de um, focinho do outro, no 1.o Encontro Nacional de Gêmeos, no Espaço Unibanco da Augusta. Fundado, é claro, por gêmeos – os médicos Ghelman -, a entidade tem como objetivo ajudar as pessoas em uma parceria de “ciência, humor, arte e cultura”, como afirma Alexandre, um dos irmãos-fundadores: “Espero que o Sindicato dos Gêmeos seja um projeto que ajude as pessoas de alguma forma positiva, já que entender o comportamento e a relação entre gêmeos univitelinos, bivitelinos, múltiplos e irmãos em geral, é uma ótima maneira de estudar a influência da genética, educação e livre arbítrio sobre a personalidade e comportamento do ser humano”, reflete.

 

Ei, SWU… Parte 2

Publicado: 12/10/2010 em Uncategorized

WHERE IS MY MIND?

Foi mais por uma questão monetária que estratégica, mas foi bom não ter ido ao segundo dia do evento – e quem me acompanha aqui há tempos sabe como sou fascinada pela voz de Joss Stone e pelo pop fusion da Dave Matthews Band. Mas recompor o organismo foi fundamental pra que suportássemos o dia 3. A mochila, que no primeiro dia foi leve em termos de comida, ganhou reforço de lanches e bolachas pra evitarmos a praça de alimentação do local; e nem mesmo as duas revistas a que ela foi submetida foi capaz de retirar um pacote de Trakinas e dois sandubas de salame da bolsa dessa farofeira que vos fala.

Chegamos cedo a ponto de ouvir uma das primeiras bandas, o Gloria, tocar enquanto fazíamos a costumeira diáspora até o local. “Anemia” tinha acabado de ser anunciada quando nos deparamos com um aglomerado gigante de pessoas na entrada. Decidiram reforçar as revistas e, por isso, perdemos das 15h40 às 17h20 para ENTRAR no local. Nada andava, nada se movia, a não ser pacotes de bolacha e bandejas de comida que, barradas na revista, eram atiradas pra trás e pro alto – e retribuídas com comida que voava dos fundos da fila pra frente. Quem pegasse o pacote de bolacha no ar era saudado com palmas.

Conseguimos ver metade do divertido show dos Autoramas, com guitarra absolutamente no talo e uma platéia em delírio, com direito a dancinha do batera Bacalhau e o animado frontman Gabriel. Assisti calmamente sentada na minha digna canga de Porto Seguro ao Cavalera Conspiracy, que não foi capaz de me emocionar nem mesmo com “Attitude” ou “Roots Bloody Roots”. O som da bateria embolado não dava margem para a metralhadora que saía dos pés de Iggor, e Max não alcança mais os agudos. Surpreendi-me mesmo com o Avenged Sevenfold, com uma apresentação de responsa e o batera Mike Portnoy que não nos faz sentir saudade do Dream Theater.

Creio que essa apresentação tirou o A7X, como é carinhosamente chamado pelo gigantesco fã-clube que tem, do mundo dos iniciados para a grande massa metaleira do Brasil. A definição “metal melódico” usada por muitos jornais pode ter assustado a princípio alguns camisas pretas que, se forem espertos, depois desse show vão correr atrás da banda. Mais espertos, espero, que uma garota que se aproximou da gente perguntando quem era.

– Aven o quê?

-Avenged Sevenfold.

(cara de interrogação)

-Nossa, nunca ouvi falar.

Dessa vez, deu tempo até de ir ao banheiro – e, pasmem, ele estava limpo, e tinha papel higiênico.

O Incubus novamente serviu de estratégia para esperar pelo Queens. Espera gigante, amassada, de mais de uma hora. Mas bem recompensada. É, Josh Homme, fazia muito tempo mesmo, não? De cara, fomos presenteados com as faixas iniciais do antológico “Rated R”: “Feel Good Hit of the Summer” e “The Lost Art of Keeping a Secret”. E lá se foram petardos ladeira abaixo: “Sick Sick Sick”, “I think I Lost my Headache”, “Go With the Flow”, “No One Knows”, “A Song for the Dead”. Alguns enlouqueciam; outros gritavam “essa eu sei”. Guitarra impecável, banda escaldada, baixo e batera com caldo de sobra. Se não era uma platéia dominada, tornou-se uma platéia rendida.

E não sobrou tempo pra respirar. Sem perder um segundo, o Pixies iniciou o show em seguida com “Bone Machine”. Dessa vez, com o palco à esquerda (Água), foi possível se afastar e ver o show pela lateral. Tinha gente até em cima de árvore. O clima, no entanto, estava mais para “festa do Peão de Itu”, com muita gente circulando, sem saber direito o que fazer. “Wave of Mutilation” comia solta e a ala dos fundos do SWU parecia estranhar nós, que dançávamos e cantávamos ao som dos tiozinhos, e de uma Kim Deal morena e bem fofinha, com cara de parente distante. Não faltaram “Debaser”, “Monkey Gone to Heaven”, “Here Comes Your Man”, “Allison” e todos os outros biscoitos que o Pixies reservou para os fãs de meia-idade. Uma emocionada “Where is my Mind”, já no bis, foi cantada pelas bocas esfumaçadas pelo vento frio e os menos de 10 graus.

“O Linkin Park já cantou?”, perguntava o tio do estacionamento. Não, eles estavam apenas começando. “Vocês não gostam de Linkin Park, é?”, questionava o bom senhor.

Eu queria, com todo respeito, que Mike Shinoda e seus amigos fossem pra qualquer lugar do mundo àquela altura. Eu estava indo embora daquilo pra sempre, sem trânsito, e isso era a única coisa que importava naquele momento.

Ei, SWU… Parte 1

Publicado: 12/10/2010 em Uncategorized

CALM LIKE A BOMB.

Difícil ler dois textos com informações parecidas sobre esse festival monstruoso (em todos os sentidos possíveis) que assolou nosso planeta São Paulo nos últimos dias. Abalou tudo o que conhecíamos e estávamos acostumados em Pacaembus, Morumbis e Arenas da vida, tirou todo mundo do prumo e não deixou muita alternativa. O saldo varia a cada veículo: faltou água x teve banheiro, sem ocorrências graves x tumulto generalizado. Talvez por isso eu tenha reanimado esse velho blog pra contar, aqui, como foi o meu SWU. O primeiro e, provavelmente, o ultimo. Fui obrigada a engrossar o caldo dos que cantavam “Admirável Gado Novo”, de Zé Ramalho, enquanto esperávamos loucamente por Queens of the Stone Age, ontem.

“Já esteve em Aparecida? É igual”, zombava um ambulante, durante a peregrinação do estacionamento (o mais próximo possível) até a entrada do festival – apelidada por nós singelamente de “diáspora”. Se ao primeiro dia os vendedores e cambistas se mostravam tímidos com as placas de proibição nesses quilômetros, no último já havia pequenos minibares e barraquinhas à vontade. O motivo é muito simples: não havia uma única alma da organização ou da segurança por lá, tanto de dia como à noite. Bom para os ambulas, péssimos pra quem avistava um matagal gigante e nenhum policial em um raio de muitos, muitos quilômetros. Fora a ausência de lixeiras, que fez com que no terceiro dia Ilha das Flores parecesse mais bonita que aquilo.

De espírito preparado para filas gigantes, um tanto de espera e muita paciência pra obter comida e breja, fui surpreendida com a desorganização da bagaça. No primeiro dia (09), ficamos 40 minutos no balcão esperando um cachorro-quente que não veio. Veja bem: eu não estava numa fila interminável, eu estava encostada no balcão. E o hot dog não veio. E daí, o que fazer com as fichas (que só conseguimos comprar porque tínhamos grana viva – pois o sistemas de cartões estava fora do ar e ninguém tinha avisado?)

Ainda bem que isso tudo foi até a hora do show dos Mutantes cover. Até então, tínhamos visto um pedaço de Black Drawing Chalks, Mallu e trechos do Infectious Grooves, banda bem capitaneada pelo vocal do Suicidal com um funkeado nervoso. E verdade seja dita: nenhum show atrasou. Uma apresentação no palco Água, à esquerda, terminava e minutos depois o palco Ar, ao lado à direita, já estava aceso e com a banda a postos.

Os palcos, a massa, a guitarra, a ira

Daí os esperados Hermanos entraram em ação e lá fomos nós tentar um lugar ao sol. Sabe aquele canto mara, na lateral do palco, em que você consegue ficar sossegado e ainda sim ver os homenzinhos minúsculos lá na frente? Esqueça essa manha. No SWU, duas torres gigantes de som e luz atrapalhavam a vista do Palco Ar (à direita) e, no meio delas, uma casa de manutenção giga-master que as ligava impedia qualquer mortal de ver o palco – um dos principais, diga-se de passagem.

Contentamo-nos em ouvir Camelo, Amarante & Cia e, a julgar por um telão bem distante, eles pareciam felizes. Bem mais que nós. O set list foi melhor que o do ano passado, na apresentação com o Radiohead, mas não me sinto capaz de resenhar um show que começou sem que eu ouvisse a bateria, o baixo e o teclado, ou sequer enxergasse alguma coisa.

O Mars Volta serviu para nos posicionarmos melhor, entre os dois palcos principais e, em nossa vã ilusão, ver o que rolava lá na frente em um local confortável. Vale lembrar, caro leitor, que como bem diz a descrição desse blog a autora aqui se considera uma rata-de-palco – com muito show do Sepultura na bagagem pra ter a noção de que precisávamos de uma margem segura para o show do Rage. Estávamos da metade da arena para trás, bem no meio. E assim, quando a sirene e a estrela vermelha surgiram, meu coração só queria saber de pular, pular muito no peito, pois uma das bandas mais geniais do rock estava prestes a soltar sua ira ali, conosco. “Testify” fez cada segundo até ali valer a pena. Uma massa gigante de pessoas pulava e bradava, e eu ia junto. Havia espaço para respirar, cantar, erguer os braços. Rodas surgiam aqui e ali. Eu era uma pessoa extremamente feliz. A catarse era completa.

Segundos separaram esse momento de um instinto de sobrevivência hediondo que assolou o meu ser, quando uma horda interminável de pessoas, comigo no meio, não conseguia conter um movimento frenético de ir e vir. Era gente demais em pouco espaço, e gente desesperada. Não havia mais como controlar para onde o corpo ia ou vinha. Por sorte, o movimento da massa foi para trás – como se o Godzilla himself atacasse Nova York. Fomos tão levados para trás que subimos até demais. A trilha sonora desse momento, soube depois, foi “Bombtrack”. Não me lembro do que tocava na hora.

O show, no entanto, prosseguiu catártico. A guitarra de Tom Morello chega aos ouvidos como uma voz de comando: é impossível resisti-la. É preciso ouvi-la, devorá-la, louvá-la a cada novo timbre, a cada som que parece vir de um outro tempo-espaço. Zack de La Rocha, após o discurso pacífico para que tomássemos conta um dos outros, movimentava as mãos para baixo, como pedindo calma. Seu corpo todo, no entanto, dizia o contrário: víamos a banda em êxtase, pulando e gritando lá em cima, e obedecíamos. Um menino com o boné do MST ao meu lado sorria. Não me lembro do discurso de Zack em “People of the Sun”. Não prestei atenção que o tal boné que a banda colocou no show era o mesmo do menino ao meu lado. Eu só queria saber da catarse, da guitarra, da ira. “Bulls on Parade”, “Bullet in the Head”, “Guerrilla Radio”, “Sleep Now in the Fire”, “Freedom”, “Killin in the Name”. O quê?

E esse sentimento sobreviveu melhor ao dia seguinte do que o meu corpo. Embora ele mereça palmas por enfrentar a peregrinação da volta, duas horas imóvel no carro, dentro do estacionamento, e mais algumas até que chegássemos em nosso destino final – em um reino muito, muito distante de Itu, graças aos céus.

Downloadation-tion

Publicado: 14/04/2010 em Uncategorized
Até os franceses da Phoenix aderiram ao downloadation

Bobeei e o bonde do Franz passou. Considerando que o show deles de 2006 foi o primeiro post desse blog que vos fala, queria fazer um post lindo, comemorativo, sensacional e… e… passou.

Enquanto isso, muita coisa bacana aconteceu no underground mundial. E tudo pra baixar, olha só:

* Cole lá no Depredando e saiba mais sobre a The Human Trash, banda de “indiebilly” paulistana pra lá de gostosa de ouvir, mesmo tirando som de uma batera feita de… lixo. É! Tem ep pra baixar.

* Os cariocas da Pata de Elefante, uma espécie de Hurtmold fluminense com um toque mais setentista, disponibilizou “Na Cidade”, novo e delicioso álbum, na íntegr para download. Aqui

* O site Urbanaque, dos gloriosos e guerreiros do independente irmãos Dias, reuniu uma porrada de novos talentos do “ãnder” que se apresentaram no programa deles na rádio FAAP, em uma coletânea de dois volumes. Assim, se vc tem vontade de conhecer nomes hypados como Nevilton, Madame Saatan, Garotas Suecas, Black Drawing Chalks, Volver e outros, mas tem preguiça de correr atrás ou vergonha de assumir pro seus amigos puristas-só-os-anos-70-salvam, baixa de mansinho…

* E até os franceses do Phoenix aderiram à nova onda. Depois de vazar um ep acústico constrangedor em que o vocal, hmm, digamos, desafina, eles colocaram no site oficial um CD bacana da banda ao vivo, “Live in Sidney”, que ainda pode ser baixado se você colar lá no blog oficial – que tem também umas fotos sensacionais dos lugares por onde eles passam.

Jornalismo 3.0

Publicado: 09/03/2010 em Uncategorized

Já aconteceu muitas vezes nos últimos tempos: jornalistas usam o twitter para confirmar informações e se estrepam. “Ciclano confirmou via twitter sua vinda ao Brasil/ sua ida à Copa/ seu parto cesariano”, etc etc.

É fato que muita gente usou mesmo o twitter pra declarar muita coisa que era verdade. Mas apuração, gente, apuração nunca fez mal à ninguém. Se você tem preguiça de usar essa ferramenta jornalística – a apuração, veja bem, não o twitter -, desista logo da idéia de seguir carreira na área.

Só que, pela primeira vez na história, talvez, um clique no twitter pudesse ter salvo uma matéria. Parece que líder do Franz Ferdinand, Alex Kapranos, que logo desembarca aqui, declarou em uma tal rádio australiana Triple J que tinha uma idéia para um musical. O NME, na noite de ontem, logo noticiou que ele estaria escrevendo um. A Folha Online, na manhã de hoje, logo replicou . Pois bem. Eu achei estranho porque nosso amigo Kapranos, ontem mesmo, disparou no seu twitter que era só uma idéia. “Im not writting a bloody musical”, escreveu. Mesmo concordando que a culpa era dele pelo mal-entendido, acabou desmentindo e se desculpando, inclusive com a tal radio, dentro de seus 140 caracteres.

O NME, hoje, saiu logo explicando a confa, usando como fonte… O twitter. Quem lê a Folha, ou o jornal da Suécia, da Islândia ou de qualquer recanto do mundo que replicou a matéria, provavelmente descobrirá isso tudo mais pra frente. Ou não. Tivesse checado no twitter, teria evitado o trabalho, o que é realmente espantoso de se imaginar.

Estamos, claro, falando de uma informação ingênua, nota no estilo “fulano disse/fulano nega”, até um tanto inútil mesmo pro mundo da música, dependendo do seu interesse no Alex Kapranos ou não. Mas podemos ampliar esse debate: até que ponto confiar numa informação que nos chega via twitter, Orkut, Facebook? Até que ponto saber que aquele que escreve é mesmo Alex Kapranos/ Rei da Escócia/ Ronaldo? Como trazer essas mídias sociais a nosso favor sem mergulhar nelas como a tábua de salvação ou o sinal do apocalipse? Como atualizar a máxima “checar com mais de uma fonte” sem ser pego na armadinha do “ControlCêControlVê”, tão popular na internet?

Vou lá twittar e já volto.