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Cansamos de ver celulares, bolsas e outros produtinhos mááára nas mãos dos artistas em clipes milionários. O merchandising nada escondido passou a ser um modelo de negócios interessante em tempos de gravadoras com orçamentos minguados para clipes, e também uma forma de engordar o também complicado cachê de artistas. A banda Hidrocor, em um momento irreverente (que deu certo), decidiu fazer o oposto: criou um produto e baseou o roteiro do clipe na propaganda dele.

Quem assiste ao vídeo de “Tchau Gravidade” se depara com o cantor Pélico de garoto –propaganda da câmera Teki Piko. Daí em diante, Marcelo Perdido (voz e violão) e Rodrigo Caldas (bateria) demonstram as mil e uma funcionalidades da tal geringonça.

E olha que a Hidrocor nem lançou álbum ainda: a estreia do grupo em CD está prevista para março desse ano.

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Will.I.Am, Fergie & Cia foram parar nas cátedras. Um estudo realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP analisou a incorporação do hip hop na indústria nacional e escolheu a trupe dos Black Eyed Peas para descobrir quais elementos do gênero, que defende seus guetos enfaticamente, ainda sobrevivem em uma banda que alcançou o estrelato pop.

Conforme contou ao site oficial da instituição, a pesquisadora Marcela Marques Fortini, autora do estudo, analisou uma coletânea de videoclipes que trazia canções dos três primeiros álbuns.  Apesar de fugirem do estereótipo dos grupos de hip hop, “todos vêm de grupos sociais que não se encaixam no padrão norte-americano, do branco protestante”, explica. A grande produção dos clipes, no entanto, não deixa a desejar aos colegas hollywoodianos da cidade de Los Angeles, onde o BEP se formou.

O que sobrou do hip hop, segundo a autora, foram a influência musical, a divisão dos papéis femininos e masculinos, e o poder da palavra. Os shows performáticos, que envolvem a participação da plateia, lembrariam rituais religiosos. Eminem, Snoop Dogg e outros artistas correlatos também estão presentes no trabalho como parâmetro de comparação.

Se nos anos 70 coletivo era coisa de hippie, nos anos 10 é coisa de hype. E um hype bem feito pode, sim, ultrapassar as colagens de seu tempo e alçar um posto bacana em algum panteão musical por aí.

A banda curitibana Sabonetes se esforça pra isso, em música e prosa. Se a ideia do novo clipe, “Descontrolada”, não é tão original assim – o grupo convidou dez diretores para participarem do filmmaking – , ela é bem executada. Mérito de Alexandre Guedes, diretor de videoclipes e também baterista da banda, a quem coube a nada fácil tarefa de reunir as imagens geradas pelos colegas e produzir o director´s cut.

Participaram da proposta Raul Machado (que já dirigiu “pra mais de cem”, incluindo clipes de Sepultura, Raimundos, O Rappa e FatBoySlim); Ricardo Spencer (Cachorro Grande e Pitty, com quem ganhou 4 prêmios do VMB e Prêmio Multishow de música); Cesar Ovalle (melhor clipe de 2010 no prêmio Multishow com NX Zero), e o cineasta curitibano Werner Shumann, com trechos de seu documentário sobre o poeta Paulo Leminski – uma das cenas um tanto descoladas do clipe (perdoem o trocadilho, again), diga-se de passagem.

A  Sabonetes convidou os diretores para registrarem sua própria visão da música “Descontrolada”, desde que contassem com um toque de surrealismo. A faixa, típico rock dançante pra quem está pronto pra se jogar na balada, salta do lugar-comum com essa belíssima edição, que passeia pelas beldades tatuadas seminuas mas transcende o metiê do dancehall graças a uma colagem bem manuseada que faria Salvador Dalí ter algumas ereções.

See (and feel) for youself.

Muito se fala sobre a hibridização da audiência entre TV e internet. Uma pesquisa feita pelo Ibope nesse ano mostrou que 76% dos adultos entrevistados afirmaram navegar na internet enquanto assistem TV e, entre eles, 54% publicam comentários na internet, 30% trocam torpedos e 67% trocam mensagens instantâneas.

Dessa nova seara de consumo de vídeos, muitos novos profissionais saíram ganhando. As figuras do fotógrafo e do videomaker (que muitas vezes, se confundem) emergiram com força total e são responsáveis por muito material de qualidade entre a avalanche de homemade coisas que a gente vê todos os dias. Não que o homemade não seja legal, hehe.

A gente já falou aqui do grande Alex Miranda, que estreou novo documentário na Mostra. Hoje, quem quiser conferir um pouco a respeito do Raphael Kent, é só colar no programa Combo Fala + Joga da PlayTV. Kent é um fotógrafo bacanudo que já dirigiu clipes de Seu Jorge, Vivendo do Ócio, entre outros.

Confere o moço aqui tratando a luz e a sombra no clipe “Come and Go” do Beeshop, projeto paralelo de Lucas Silveira (Fresno).

COMBO FALA + JOGA
27/10 – Quinta-Feira, às 22h
Bianca Jhordão recebe Raphael Kent, diretor de clipes de artistas como Lucas Silveira, Anahí, Vivendo do Ócio e Seu Jorge, entre outros. O diretor fala sobre sua carreira e a produção de videoclipes no Brasil.

Sinopse: Combo Fala + Joga
Diário – Segunda a Domingo, 22h – Duração: 30 minutos
(Reprises: Segunda a Domingo, 6h30, 12h e 17h30)
Apresentação: Bianca Jhordão
O Combo Fala + Joga é um talk show em que os convidados batem um papo descontraído com a apresentadora Bianca Jhordão enquanto disputam partidas de vídeo game. Músicos, artistas, celebridades e todo mundo que em algo a dizer se arrisca nas partidas, neste programa diferente de tudo o que já se viu.