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(English version below)

Estou fazendo um curso online sobre E-learning e Culturas Digitais pela Universidade de Edinburgo (um dos muitos oferecidos via Coursera, uma iniciativa incrível da Universidade de Stanford) – um modelo conhecido como Massive Open Online Course (MOOC), o que por si só já é algo bem diferente do que conhecemos do modelo tradicional de aprendizagem. Em um exercício a respeito de utopias e distopias da tecnologia e dos modelos de aprendizagem, me peguei rindo de algumas perspectivas ditas futurísticas da nossa rotina.

Um deles, um vídeo da empresa Corning, mostra uma casa e um dia-a-dia em que interfaces de vidro trariam tudo o que um iPhone hoje jamais sonhou em termos de funcionalidades. A risada veio fácil devido a dois estranhamentos: um pela falta de ubiqüidade, algo que já experimentamos hoje –  uma executiva tendo que se deslocar via avião para uma reunião, por exemplo. Empresas comprometidas com a diminuição de sua pegada de carbono no planeta adotam, cada vez mais, teleconferências, chats e outras formas tecnológicas de diminuir distâncias, custos e tempo de seus funcionários. E, no que diz respeito às crianças em idade escolar, a necessidade de também de ir até a escola para utilizar essas tecnologias em seu aprendizado.

O outro estranhamento foi justamente no formato da aula que, mesmo com todo o futuro feito de vidro, se manteve o mesmo: crianças sentadas em uma sala, com um professor à frente demonstrando conteúdos, e depois reunidas em grupo, sob o comando dele, para vivenciar uma aula de educação artística: a mistura de cores. As crianças uniam com a ponta dos dedos dois círculos de cores diferentes (como muitos de nós, imigrantes digitais, o fizemos com tinta fresca em nossos tenros anos) e a superfície mostrava como se tornaria a nova cor. Pergunta: elas não poderiam brincar com isso em seus celulares, sozinhas?

Podem e, provavelmente, já o fizeram. Experiências no presente mostram como crianças em favelas da Índia foram capazes de, por conta própria, vivenciar funcionalidades de um computador.  John Daniel, um dos diretores de educação da Unesco nos anos 00, comentou em um artigo a respeito de uma experiência conduzida pelo National Institute for Information Technology chamado “O Buraco na Parede”:a instalação de um computador na parede uma favela indiana, que mostrou como crianças que nunca tiveram contato com a tecnologia são autodidatas em termos de usá-la. Coloque um aplicativo com essa experiência da mistura de cores e elas certamente aprenderiam a utilizá-lo.

Seria o professor então, descartável nesse futuro tecnológico, seja ele feito de vidro ou não? No Brasil, uma iniciativa está testando novos formatos de aprendizagem – não coincidentemente, na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, uma das maiores do mundo, com mais de 70 mil habitantes. Alunos serão agrupados em equipes de seis e terão uma espécie de playlist, com conteúdos que eles devem aprender e desenvolver. Ao professor, caberá o papel de mediador e facilitador, e a avaliação do aluno será feita, entre outras maneiras, de suas competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas. Não há salas de aulas, turmas, séries.

Não acho que a equação se resolva em um futuro apenas autodidata: se esses nativos digitais, que nasceram sabendo arrastar uma tela de celular com a mesma facilidade que operávamos um videocassete (para espanto de nossos pais), sabem como operar tecnologias para obter conteúdos, não quer dizer que consigam, por si só, problematizar o mundo. Mas se o próprio mundo se mostra de forma diferente às novas gerações, darão antigas metodologias conta de estimulá-los nas descobertas fora das telas – tão planas quanto uma lousa?

Is the future of the board a digital board? #edcmooc

I’m taking an online course on E-learning and Digital Cultures from the University of Edinburgh (one of the many offered via Coursera, an incredible initiative of Stanford University) – a model known as Massive Open Online Course (MOOC), which by itself it’s something very different from what we know of the traditional model of learning. During an exercise about utopias and dystopias of technology and learning models, I found myself laughing at some said futuristic outlook of our routine.

One of them, a video from Corning, shows a house and a day-by-day in which a glass interface brings everything an iPhone today ever dreamed of in terms of features. The laughter came easy because of two estrangements: the lack of ubiquity, something we have experienced nowadays – an executive having to move by plane to a meeting, for example. Companies committed to reduce their carbon footprint on the planet have embraced, increasingly, conference calls, chats and other technological means to reduce distances, costs and time of their employees. And, regarding to school-age children, the need to also go to school to use these technologies in their learning routine.

The other strangeness was just the format of the classes that even with all the future made of glass, remained the same: children sitting in a classroom with a teacher ahead, demonstrating contents, and then gathered in a group, under his command, to experience a lesson in art education: a mixture of colors. The students united with the fingertips two circles of different colors (as many of us digital immigrants did with fresh ink in our tender years) and the surface showed how would the new color become. Question: could not them play with it on their phones apps themselves?

They can, and probably already have done it. Experiments in this show as children in the slums of India were able to, on their own experience features on a computer. John Daniel, a director of Unesco’s education in years 00, commented in an article about an experiment conducted by the National Institute for Information Technology called “The Hole in the Wall”: the installation of a computer in an Indian slum wall, which showed how children who have never had contact with the technology before have become self-taught in terms of using it. Addt an application with the experience of mixing colors  on itand they Will certainly learn how to use it either.

Would the teacher be so disposable on that technological future, whatever it is made of glass or not? In Brazil, an initiative is testing new learning formats – not coincidentally, in Favela da Rocinha in Rio de Janeiro, one of the largest slums in the world, with more than 70,000 inhabitants. Students will be grouped into teams of six and have a sort of playlist, with content that they must learn and develop. The teacher, will play a the role of mediator and facilitator, and student assessment will be done, among other ways, in their personal, relational, cognitive and productive skills. There are no classrooms, classes nor grades.

I do not think the equation is solved in a future autodidact only: these digital natives, born knowing how to drag a phone screen with the same ease that we operated a VCR (to the dismay of our parents), know how to operate technologies to search for content do not mean that they can, by themselves, how to problematize the world. But if the world shows itself differently to new generations, Will old methodologies be able to stimulate them to discoveries off screen – which is, by the way,as flat as a board?